Haiti: UE oferece mais ajuda e pede mais organização

Madri, 19/01/2010 – A União Europeia se comprometeu a dar pelo menos 400 milhões de euros (US$ 600 milhões) para ajudar o Haiti a enfrentar as consequências do terremoto, e pediu melhor organização do apoio internacional. María Teresa Fernández de la Vega, vice-primeira-ministra da Espanha, país que ocupa atualmente a presidência da UE, viajou a esse país do Caribe para coordenar a ajuda europeia e também tomou a iniciativa de se reunir com representantes de outras nações e para isso vai viajar à República Dominicana e ao Brasil. O avião que a transportou também levava 12 toneladas de material sanitário, que foi imediatamente distribuído, embora com grande dificuldade. Após se reunir em Porto Príncipe com o presidente René Preval, María Teresa destacou que é “responsabilidade da comunidade internacional oferecer todo seu apoio”, e que “o primeiro protagonista da reconstrução do país deve ser seu governo e o povo haitiano”.

Também reclamou melhor organização da ajuda, especialmente a procedente dos Estados Unidos, em aparente alusão à situação gerada pelos aviões norte-americanos que chegam a Porto Príncipe, ocupam as pistas de pouso e criam obstáculos para o transporte e a distribuição, o que motivou uma queixa do secretário de Estado de Cooperação da França, Alain Joyandet. Do Brasil também partiu oposição a que os Estados Unidos assumam o comando dos soldados que cumprem missões humanitárias no Haiti. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, um das primeiras pessoas a viajar ao Haiti após o terremoto, disse que o Brasil “não cederá voluntariamente o comando”.

Por outro lado, a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado pediu ao governo espanhol que, por razões humanitárias, pare os processos de expulsão de haitianos sem autorização de residência e que acelere os trâmites de reagrupamento familiar. María Teresa, representando os 27 países da UE, viajou ontem para Santo Domingo para uma reunião convocada pelo presidente dominicano, Leonel Fernández, a fim de estudar a reconstrução do Haiti.

Desse encontro participaram também representantes dos Estados Unidos, do Canadá e de países da América Latina. Ela também viajará ao Brasil para analisar medidas conjuntas com o presidente Luis Inácio Lula da Silva. Washington, já com dez mil soldados no Haiti, anunciou que enviaria mais, o que motivou uma rápida resposta da Europa. A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, ao saber disso, afirmou que, mais do que ajuda militar, a população haitiana precisa de maior coordenação para que a ajuda chegue rápido e bem.

Sobre a questão também se pronunciou Alaind Joyandet, que pediu que a Organização das Nações Unidas esclareça o papel dos Estados Unidos. “Em lugar de ajuda militar”, o que se deve fazer é colaborar no transporte de alimentos e na reconstrução de vias de comunicação. O diplomata francês fez essa declaração depois que um avião de seu país teve grande dificuldade para pousar em Porto Príncipe transportando um hospital móvel, devido ao controle do aeroporto por militares norte-americanos.

A Espanha se dispôs a enviar um navio militar anfíbio com 190 tripulantes, um hospital e uma sala de cirurgia a bordo, que poderá chegar ao Haiti no começo de fevereiro. O comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da UE, Karel de Gutch, confirmou ontem que a União Europeia doaria de imediato 137 milhões de euros para ajuda humanitária, outros 200 milhões de euros para reconstrução de médio e longo prazos, mais 90 milhões para esforços imediatos de reparação. No entanto, no Haiti, funcionários, cooperantes e cidadãos se esforçam para organizar e realizar a distribuição da ajuda material e cuidados sanitários, enfrentando grandes obstáculos.

O diplomata espanhol Juan Lugo, do Ministério de Assuntos Exteriores, disse aos jornalistas que a situação é caótica. “A ajuda humanitária não sai de São Domingo porque custa muito para transportar. Há um sério problema com as aterrissagens”, afirmou. A desesperada situação levou muitos haitianos a assaltarem lugares onde está armazenada a ajuda e inclusive quem a transporta. A isto se soma a dificuldade dos cooperantes para trabalhar entre escombros e para auxiliar feridos.

Marcos, um bombeiro espanhol, contou via rádio que conseguiram resgatar uma criança, mas o fizeram “usando as mãos”, já que não haviam recebido ferramentas nem veículos adequados, que estavam parados no aeroporto. Da equipe médica espanhola também informaram que faltam meios para que seu trabalho seja mais efetivo. Por exemplo, não podem realizar radiografias. A Espanha considera o envio de vários barcos e helicópteros ao Haiti com materiais, como solicitou a ONU. Mas o chanceler Miguel Ángel Moratinos disse que ainda espera pela resposta dos demais membros da União Europeia. IPS/Envolverde

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

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