WAINHA, Uganda, 21/04/2010 – O districto de Mayuge tem 31.000 famílias que dependem da agricultura, apoiadas por apenas nove trabalhadores de extensão agrícola. Na aldeia de Wainha, um centro de internet gerido pela Iniciativa de Desenvolvimento e Fonte Rural Aberta de Busoga preenche as lacunas existentes na assistência prestada aos agricultores.
Joseph Wangolo continua hipnotizado pelos computadores, seis anos depois de ter visto um pela primeira vez. “Aquilo é tão inteligente que dá informação sobre qualquer coisa. Até conhece a nossa aldeia, já imaginou?” perguntou.
Vantagem Comparativa
Não há muito tempo, Wangolo, de 56 anos, regateava preços com os compradores de produtos agrícolas que lhe ofereciam só 200 xelins ugandeses – cerca de dez cêntimos americanos – por cada quilo de milho. Não convencido com a oferta, deslocou-se ao centro de Busoga, onde constatou que o preço praticado a 110 quilómetros da capital, Kampala, era muito mais elevado.
“Simplesmente corri com os compradores! Imagine, aquelas pessoas estavam a oferecer-me só 200 xelins e, no entanto, o preço do milho em Kampala era 800 xelins.”
No centro de internet gerido pela Iniciativa de Desenvolvimento e Fonte Rural Aberta de Busoga (BROSDI), pequenos agricultores de todas as idades, tanto homens como mulheres, estão sentados, encantados, em frente das filas de ecrãs.
Alguns já são peritos a navegar na net, equanto outros ficam sentados em bancos no corredor à espera de assistência básica, desde ajuda para abrir uma conta de e-mail até ajuda para saber quando a estação chuvosa vai terminar, ou como melhorar a fertilidade do solo, ou como obter ideias para os pequenos negócios agrícolas.
A maior parte dos agricultores aqui concorda que o centro abriu uma janela para um mundo de conhecimentos práticos.
Interacções reais e virtuais
Mas as maravilhas da teia mundial não são o fim desta análise. Edna Karamagi, directora executiva do BROSDI, afirma que o desenvolvimento de fóruns de conhecimento onde os agricultores interagem directamente leva à constatação que os agricultores podem aprender com os seus pares no distrito. “Vê-se que estas pessoas são especialistas à sua maneira, mas esta informação não foi disseminada,” disse. Oa agricultores encontram-se com regularidade no centro BROSDI para trocarem ideias e fazerem perguntas uns aos outros.
A ouvir estas conversas está Sophia Nyenda. Nyenda começou a trabalhar no centro há três anos durante as férias e agora é aluna da universidade de Busoga, localizada nas imediações. Tem cadernos de apontamentos cheios de histórias dos agricultores anotadas em Kisoga, a língua falada na zona. Com os apontamentos que ela e os colegas recolhem nos 17 distritos, são preparados panfletos nas línguas locais e em inglês que depois são distribuídos aos agricultores filiados no BROSDI através de uma rede de 340 “intermediários de conhecimento”, que também ajuda os agricultores a implementar certas práticas quando não sabem ler.
Conselhos úteis e sugestões também são enviados aos agricultores através de SMS.
Nyenda é vista com respeito pelos aldeões que são muito mais velhos do que ela, mas que a respeitam devido à sua educação numa área onde os níveis de analfabetismo são muito baixos. O respeito é mútuo: ela diz que muitas técnicas agrícolas tradicionais não são geralmente conhecidas, apesar de oferecerem soluções práticas e eficazes para os problemas dos agricultores.
“Não sabia que a erva local, a mululuza, podia matar os insectos do tomate,” afirma.
O trabalho de Nyenda, que inclui ouvir e transcrever, é uma importante parte do projecto Recolha e Troca de Conteúdos Agrícolas Locais (CELAC), que documenta práticas agrícolas tradicionais. Está a provar ser uma combinação bem sucedida de conhecimentos indígenas, criação inteligente de oportunidades de contacto em rede, e obtenção de tecnologia de informação e telecomunicações recente.
Impactos tangíveis
É fácil ver o efeito do trabalho do centro BROSDI. Alice Naikoba, agricultora da aldeia de Bukhooli, localizada nas imediações, batalhava num terreno estéril que produzia bananas de má qualidade. Num dos fóruns destinados à partilha de conhecimentos, foi informada que o tipo de bananas que estava a plantar não era apropriado para aquele terreno.
Foi aconselhada a plantar um outro tipo de banana, conhecida localmente como endiizi. Desde que procedeu à alteração, as suas colheitas quadruplicaram; melhor ainda, teve a ideia de produzir waragi, uma cerveja local feita de banana, o que aumentou o seu rendimento.
Os conselhos que obteve no BROSDI levaram Naikoba e a família a tornarem-se um mini-turbilhão de produção: a produção de banana e cerveja, ao lado da venda de produtos da sua horta, assim como a criação de bodes e galinhas, permitiram-lhe comprar materiais de construção para construir uma nova casa – com os cinco filhos a assentarem os tijolos – e sair da sua casa com telhado de colmo.
A iniciativa que começou na aldeia de Wainha, com o apoio do Instituto Internacional para a Comunicação e Desenvolvimento, do Centro de Pesquisa Internacional de Desenvolvimento do Canadá e da agência holandesa doadora Hivos, alastrou-se a outras regiões do Uganda, ajudando os agricultores a partilharem, terem acesso e implementarem boas práticas agrícolas.
O Ministro da Agricultura, Aggrey Bagiire, – deputado pelo círculo de Bunya Oeste, onde está localizada Wainha – afirma que o potencial agrícola desta área é elevado, mas que tem de ser bem gerido para ser sustentável.
“Uma população crescente e a procura de alimentos coloca pressão sobre a terra disponível. A erosão do solo, o cultivo excessivo e o cultivo das terras pantanosas de Imanyiro, Baitambogwe e Malongo estão a degradar a terra e a levar à diminuição da produção,” diz Bagiire.
Ao dar aos agricultores dos distritos um acesso imediato aos melhores conhecimentos agrícolas locais, à pesquisa internacional e às melhores práticas agrícolas através da internet, esta região rural do Uganda parece oferecer a melhor oportunidade possível para garantir um futuro sustentável.

