Santiago, 19/04/2010 – Espetáculos gratuitos de cinema, música, teatro e humor, entre outros, tentam animar as pessoas afetadas pelo terremoto e pelo tsunami de 27 de fevereiro, no centro e sul do Chile. “As pessoas estão muito mal”, resumiu à IPS Jorge Brito, diretor em Talca da Pastoral Social Caritas Chile, uma organização da Igreja Católica que liderou a entrega de ajuda a milhares de vítimas do terremoto.
Talca, a capital da região de El Maule, a 250 quilômetros de Santiago, foi uma das cidades mais afetadas pela tragédia, com 486 mortos e quase 80 desaparecidos. Embora a ajuda de emergência tenha chegado paulatinamente, trata-se apenas de um “momento de transição”, porque muitas famílias “devem partir do zero”, com o frio e a chuva como pano de fundo, o que gera muita angústia, disse Brito.
Por isso, a Caritas apoiou, desde o final de março, a Caravana do Humor, protagonizada por 30 humoristas nacionais, como Juan Carlos “Palta” Meléndez, Natalia Cuevas e Ronco Retes, que fizeram rir centenas de pessoas em localidades de El Maule, como Curepto, Curicó, Licantén e Talca. “Foi um espaço para liberar tensões. As pessoas gargalharam”, disse Brito. Em junho, a Caritas pretende realizar um encontro esportivo na mesma região.
Por trás das múltiplas iniciativas culturais surgidas após a catástrofe, estão governo, Forças Armadas, organizações não governamentais, instituições religiosas, empresas privadas, universidades, artistas, estudantes, esportistas, personalidades e anônimos voluntários. O Ministério da Educação e a Fundação CorpArtes começaram, no dia 10, o programa “Chile anima o Chile”, que busca entreter 24 mil pessoas até 9 de maio com a exibição de filmes em três dimensões.
Um moderno caminhão, equipado com 40 cadeiras e um gerador, percorrerá 30 cidades, desde Curicó, 200 quilômetros ao sul de Santiago, até Los Ángeles, na região do Bío-Bío, a 513 quilômetros da capital. Os espetáculos circenses fizeram sorrir, em meio à catástrofe que custará ao país US$ 30 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda. Até agora, atuaram gratuitamente o grupo internacional Palhaços sem Fronteiras e os grupos chilenos O Circo do Mundo, La Bandita Alegre e o Teatro Museu do Fantoche e do Palhaço.
O Fórum Chileno pelos Direitos da Infância, integrado por seis organizações não governamentais – entre elas Corporação Opção, Lar de Cristo e Aldeias Infantis SOS –, também organizou apresentações de fantoches para crianças, considerando que 120 mil delas ainda estão sem aula pela destruição de escolas. Quatro canais de televisão a cabo e satélite se uniram ao governo para divertir 30 mil crianças e adolescentes em cidades como Constitución, Dichato, Iloca, Navidad, Pichilemu, Talcahuano, Tomé e Vichuquén, nas regiões de O’Higgins, El Maule e Bío-Bío.
As firmas Telmex, Movistar, DirecTV e VTR realizaram a iniciativa “Sorria Chile: O caminho da alegria”, que montou barracas itinerantes para apresentar filmes infantis e desenvolver concursos e brincadeiras com animação de populares personagens da televisão. Além disso, as bandas de música do Exército e dos Carabineiros (polícia uniformizada) se dividiram pelo território para apresentar peças musicais às famílias que vivem da ajuda do governo e da solidariedade dos vizinhos menos afetados.
Artistas nacionais, como o cantor Fernando Ubiergo, e o Balé Folclórico Nacional, também se apresentaram em áreas afetadas. Outros 15 cantores e bandas locais gravaram a canção “Yo voy contigo”, para dar esperança às vítimas e doar os direitos autorais. O Centro Cultural Pablo Neruda e a Federação de Estudantes da Universidade Austral do Chile, com sede na cidade de Valdivia, implementaram o “Ônibus da alegria”, que leva música e brincadeiras às crianças de Coliumo e Dichato, localidades arrasadas pelo maremoto.
No dia 9, o governo do presidente Sebastián Piñera fez um balanço da ajuda entregue até essa data. As autoridades informaram que foram instaladas 11 mil habitações de emergência, com a meta de chegar a 40 mil até junho, e distribuídas 14 mil barracas de campanha. O governo federal implementou o programa “Mãos à obra”, com US$ 15,5 milhões para compra de materiais de construção para os moradores das 239 comunidades afetadas pela catástrofe. “É preciso levantar o espírito, as pessoas precisam se sentir bem acompanhadas, ouvidas, porque a magnitude do problema supera qualquer esforço”, disse Brito. IPS/Envolverde

