SAÚDE-ÍNDIA: Mães rurais são melhor atendidas

Bhubaneswar, Índia, 09/04/2010 – Entrando no quarto mês de gestação, Sani Jani se preocupava em fazer o controle mensal de sua saúde mais perto, embora tivesse de caminhar dois quilômetros para chegar ali. Aos oito meses, entrou em trabalho de parto. “A assistente de partos capacitada” Kamala Bhatra correu para pedir ajuda. No centro de saúde, disseram que enviariam um veículo com equipamento, que deveria percorrer 25 quilômetros para chegar ao local. Mas o carro tinha sido enviado para outro local e não chegou a tempo para Jani, que terminou morrendo por trabalho de parto obstruído. Tinha apenas 30 anos.

A história de Jani não é pouco comum na Índia. Segundo o britânico Departamento para o Desenvolvimento Internacional, que financia parcialmente as reformas do serviço de saúde na Índia, neste país morre uma mulher a cada sete minutos ao dar à luz. A estimativa é que uma em cada 70 mulheres indianas morreram por causas vinculadas à gravidez, ao parto ou por um aborto inseguro, em comparação com uma em cada 7.300 no mundo industrializado, indica uma pesquisa feita em 2009 pela Human Rights Watch. As estatísticas são mais díspares nos Estados indianos de Uttar Pradesh (norte), Madhya Pradesh (centro), Rajastão (ocidente), Bihar e Orissa (oeste), onde vivia Jani.

Ali, para cada cem mil nascidos vivos morrem anualmente entre 303 e 440 mães. Estes cinco Estados sozinhos respondem por 65% das mortes maternas na Índia. Porém, em uma conferência na cidade de Bhubaneswar, realizada pela não governamental Aliança Nacional de Mulheres, centenas de provedores de saúde da sociedade civil, profissionais e ativistas disseram que estes números podem melhorar se o governo reconsiderar sua política de ignorar assistentes de partos como Kamala Bhatra.

Embora capacitadas pelo programa governamental de Saúde Reprodutiva e Infantil, as assistentes de partos da Índia são marginalizadas pela estatal Missão Nacional de Saúde Rural, instalada em 2005, que utiliza assistentes “qualificados” como parteiras, médicos ou enfermeiros. “Em áreas inacessíveis de montanhas com florestas, uma assistente de parto capacitada é uma pessoa do lugar, da mesma casta e disponível 24 horas nos sete dias da semana”, disse Saraswati Swain, ginecologista aposentado com décadas de experiência comunitária. “A maioria deles recebeu capacitação informal antes”, acrescentou.

Entre 1997 e 2005, as assistentes de parto eram treinadas em questões de higiene, e recebiam equipamentos especiais para ajudar em partos que faziam nas casas. Em áreas de difícil acesso, continuam sendo indispensáveis. Em outros casos, a pedido das mulheres grávidas, somente as acompanham às clínicas e fazem toda a higiene pós-parto. A Missão Nacional de Saúde Rural treinou as trabalhadoras comunitárias conhecidas como Ativistas Sociais Sanitárias Acreditadas. Recrutadas nas aldeias onde atendem, são as primeiras a cuidar da saúde de mães e filhos. Embora se espere que incentivem as mulheres a darem à luz em clínicas e não em casa, não fazem o papel de parteiras.

Participantes da conferência de Bhubaneswar afirmaram que os nascimentos domiciliares não serão erradicados facilmente. Isto se deve a desigualdades socioeconômicas, analfabetismo, costumes e práticas tradicionais relacionadas com a gravidez e o parto abundam na Índia rural, como nos assentamentos inacessíveis. O sistema de saúde ainda não está equipado para manejar uma grande quantidade de partos no contexto institucional, acrescentaram. O ativista Sanjukta Satpathy disse que as Ativistas Sociais Sanitárias têm de cuidar de aldeias que inevitavelmente incluem castas mais baixas ou dalits, ainda considerados intocáveis nas áreas rurais.

Nesses lugares, as ativistas podem contratar dalits por US$ 4 como assistentes de parto capacitadas. Além disso, é comum as enfermeiras-parteiras auxiliares que atendem nos centros de saúde primária não viverem no lugar de seu trabalho rural, mas em povoados próximos. Dessa forma, as mulheres precisam esperar horas para que uma clínica pública abra suas portas. Nenhum dos 292 centros comunitários de saúde de Orissa tem ginecologista. Os anestesistas são poucos. Uttar Pradesh sofre a escassez de 20% de centros de saúde menores.

Sushanta Garada, da organização não governamental Nawrangpur Democratic Action, que funciona vinculada à Missão Nacional de Saúde Rural, também destacou o Janani Express (janani significa mãe em híndi), um serviço gratuito de ambulâncias que leva mulheres da zona rural para centros de saúde com assistentes qualificadas. Segundo Garada, uma viagem de dez quilômetros com este serviço custa US$ 5, quantia que poucos podem pagar. Além disso, as pequenas caminhonetes usadas como ambulância só servem se existirem estradas. Em áreas do interior, as mulheres de locais carentes não têm outra opção, a não ser serem levadas de maca até a clinica mais próxima. IPS/Envolverde

Manipadma Jena

Manipadma Jena is an independent development journalist and communications consultant who works out of Bhubaneswar in eastern India. She specialises in environment, climate change, biodiversity, indigenous people and the MDG themes broadly.

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