Paris, 06/05/2010 – O vazamento de petróleo no Golfo do México deu maior relevância à 5ª Conferência Mundial sobre Oceanos, Costas e Ilhas, que acontece na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Paris.

Bandeiras na sede da Unesco foram substituídas por flutuantes em forma de peixe. - A. D. McKenzie/IPS
A conferência coincide com o vazamento de óleo de um poço submarino no Golfo do México, o que levou numerosos participantes a pedirem o congelamento das perfurações marinhas. “Cremos que é preciso suspender as prospecções marinhas, especialmente no Ártico, até que existam normas mais rígidas e diminua o tempo de resposta em caso de vazamento”, disse William Eichbaum, vice-presidente de Política Marinha do Fundo Mundial para a Natureza. “Afirmava-se que um acidente assim não poderia acontecer. Não fosse essa presunção, as normas seriam mais rígidas”, afirmou aos jornalistas.
A British Petroleum (BP) se esforça para conter o vazamento causado por uma explosão em sua plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril. Nestas duas semanas, o presidente Barack Obama revisa a política dos Estados Unidos nessa área. Também anunciou que não serão mais concedidas licenças de exploração marinha. Obama havia dado em março luz verde para que as empresas que receberam autorização durante o governo que o antecedeu começassem os trabalhos.
Devem ser suspensas as licenças já concedidas, disse Eichbaum à IPS, especialmente as dadas às companhias petroleiras que nos próximos meses iniciarão perfurações em lugares como o Alasca. “Há elementos desconhecidos no Ártico, e sérias limitações pelo gelo e pelas condições climáticas extremas”, explicou. “O governo deve revisar a norma e garantir que seja adequada. Os que diziam que as perfurações marinhas eram seguras, viram que estavam errados”, acrescentou.
A conferência da Unesco acontece em um momento importante para cientistas e políticos, à luz dos objetivos que deveriam ser alcançados esse ano e devido à situação das negociações sobre mudança climática, assinalou Biliana Cicin-Sain, presidente e diretora da secretaria do Fórum Global sobre Oceanos, Costas e Ilhas. A instituição organizou a conferência em conjunto com a Unesco e o governo francês.
Para 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, esperava-se que os países tivessem adotado medidas para deter a perda de espécies e cumprido os “grandes objetivos” fixados na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, disse Cicin-Sain. Os governos devem trabalhar juntos e empregar um “enfoque baseado no ecossistema” para gerir os variados usos dos oceanos, desde o transporte até as explorações petroleiras, afirmou. Houve progressos, mas há uma “gestão muito ruim” em áreas que não pertencem às jurisdições nacionais, acrescentou.
A falta de um acordo contundente na última conferência mundial sobre mudança climática, em dezembro em Copenhague, foi decepcionante, mas dá uma oportunidade a cientistas e políticos de defenderem “um caso mais forte e coerente sobre a importância dos oceanos e da costa no novo regime climático”, insistiu Cicin-Sain. “A comunidade internacional deve desenvolver um programa integral que destaque a necessidade de fixar metas mais rigorosas para reduzir os gases de efeito estufa no curto prazo”, disse na conferência de Paris.
A maior presença de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 30% a acidez dos oceanos, “como nunca antes nos últimos 650 mil anos”, segundo estatísticas do Fórum Global sobre Oceanos, o que mata os arrecifes de coral e prejudica os organismos marinhos. Também se esgotam as reservas de pesca porque a demanda supera a capacidade de reposição dos oceanos, segundo alguns especialistas.
A Conferência da Unesco também se concentra em outros assuntos problemáticos como a elevação do nível do mar e o degelo de geleiras. Especialistas, como Cicin-Sain, redigiram recomendações sobre a forma como os governos devem atender esses assuntos. Parlamentares e altos funcionários discutiram ontem as perspectivas sobre assuntos primordiais e as medidas que a comunidade internacional deverá tomar nos próximos cinco anos.
UO encontro de cinco dias, que terminará amanhã, reuniu 823 delegados de 80 países para discutir formas de preservar a biodiversidade marinha e melhorar o “gerenciamento” dos oceanos, devido à contaminação, à mudança climática e à pesca excessiva.
A conferência coincide com o vazamento de óleo de um poço submarino no Golfo do México, o que levou numerosos participantes a pedirem o congelamento das perfurações marinhas. “Cremos que é preciso suspender as prospecções marinhas, especialmente no Ártico, até que existam normas mais rígidas e diminua o tempo de resposta em caso de vazamento”, disse William Eichbaum, vice-presidente de Política Marinha do Fundo Mundial para a Natureza. “Afirmava-se que um acidente assim não poderia acontecer. Não fosse essa presunção, as normas seriam mais rígidas”, afirmou aos jornalistas.
A British Petroleum (BP) se esforça para conter o vazamento causado por uma explosão em sua plataforma Deepwater Horizon, em 20 de abril. Nestas duas semanas, o presidente Barack Obama revisa a política dos Estados Unidos nessa área. Também anunciou que não serão mais concedidas licenças de exploração marinha. Obama havia dado em março luz verde para que as empresas que receberam autorização durante o governo que o antecedeu começassem os trabalhos.
Devem ser suspensas as licenças já concedidas, disse Eichbaum à IPS, especialmente as dadas às companhias petroleiras que nos próximos meses iniciarão perfurações em lugares como o Alasca. “Há elementos desconhecidos no Ártico, e sérias limitações pelo gelo e pelas condições climáticas extremas”, explicou. “O governo deve revisar a norma e garantir que seja adequada. Os que diziam que as perfurações marinhas eram seguras, viram que estavam errados”, acrescentou.
A conferência da Unesco acontece em um momento importante para cientistas e políticos, à luz dos objetivos que deveriam ser alcançados esse ano e devido à situação das negociações sobre mudança climática, assinalou Biliana Cicin-Sain, presidente e diretora da secretaria do Fórum Global sobre Oceanos, Costas e Ilhas. A instituição organizou a conferência em conjunto com a Unesco e o governo francês.
Para 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, esperava-se que os países tivessem adotado medidas para deter a perda de espécies e cumprido os “grandes objetivos” fixados na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, disse Cicin-Sain. Os governos devem trabalhar juntos e empregar um “enfoque baseado no ecossistema” para gerir os variados usos dos oceanos, desde o transporte até as explorações petroleiras, afirmou. Houve progressos, mas há uma “gestão muito ruim” em áreas que não pertencem às jurisdições nacionais, acrescentou.
A falta de um acordo contundente na última conferência mundial sobre mudança climática, em dezembro em Copenhague, foi decepcionante, mas dá uma oportunidade a cientistas e políticos de defenderem “um caso mais forte e coerente sobre a importância dos oceanos e da costa no novo regime climático”, insistiu Cicin-Sain. “A comunidade internacional deve desenvolver um programa integral que destaque a necessidade de fixar metas mais rigorosas para reduzir os gases de efeito estufa no curto prazo”, disse na conferência de Paris.
A maior presença de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 30% a acidez dos oceanos, “como nunca antes nos últimos 650 mil anos”, segundo estatísticas do Fórum Global sobre Oceanos, o que mata os arrecifes de coral e prejudica os organismos marinhos. Também se esgotam as reservas de pesca porque a demanda supera a capacidade de reposição dos oceanos, segundo alguns especialistas.
A Conferência da Unesco também se concentra em outros assuntos problemáticos como a elevação do nível do mar e o degelo de geleiras. Especialistas, como Cicin-Sain, redigiram recomendações sobre a forma como os governos devem atender esses assuntos. Parlamentares e altos funcionários discutiram ontem as perspectivas sobre assuntos primordiais e as medidas que a comunidade internacional deverá tomar nos próximos cinco anos.
Uma das principais recomendações é acelerar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia para reduzir as emissões de gases-estufa. “E, enquanto isso, o que faremos?”, perguntou Cicin-Sain. “Estamos em uma fase de transição e não há respostas fáceis. Mas temos a obrigação de construir uma perspectiva de futuro e desenvolver um programa com medidas específicas”, acrescentou. IPS/Envolverde ma das principais recomendações é acelerar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia para reduzir as emissões de gases-estufa. “E, enquanto isso, o que faremos?”, perguntou Cicin-Sain. “Estamos em uma fase de transição e não há respostas fáceis. Mas temos a obrigação de construir uma perspectiva de futuro e desenvolver um programa com medidas específicas”, acrescentou. IPS/Envolverde

