Guatemala, 23/06/2010 – Rosenda Gómez, uma guatemalteca de 53 anos e cinco filhos conhece bem os desafios. Para enfrentá-los, montou uma modesta fábrica de embutidos e agora graças à sua liderança e treinamento recebido é um exemplo do poder econômico das mulheres.

A jovem empreendedora Sharon Soto, à esquerda, em sua modesta e informal sapatariana capital da Guatemala. - Danilo Valladares/IPS
Mas seu negócio não ia além da subsistência, até que as coisas mudaram notavelmente há três quando, quando foi instalado no departamento o Centro de Serviço para os Empreendimentos das Mulheres (Csem), patrocinado pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem), em associação com instituições da Guatemala.
“Começamos a receber apoio, com créditos, capacitações para melhorar os produtos e promoções em feiras para comercializarmos nossos embutidos de frango e porco, enquanto antes não havia nada disto”, contou Gómez à IPS.
Com esse apoio, Gómez, que só fez metade do curso primário, conseguiu melhorar significativamente seu negócio até aumentar em dez vezes a produção de embutidos, de cinco para 50 quilos semanais, e a demanda continua crescendo.
Além disso, recebeu apoio para montar, junto com outras mulheres, um centro de processamento de carne, o que mudou a vida de sua empresa e de sua família, cujos três filhos menores, entre 13 e 15 anos, vivem com ela, enquanto os outros dois já deram sete netos a ela e ao marido, motorista de caminhão, conta orgulhosa.
O mérito de Gómez é maior se for considerado que a independência econômica das mulheres é muito limitada na Guatemala.
Elas representam apenas 35% da população economicamente ativa do país, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. Um informe da Organização Internacional do Trabalho revela que 73% delas trabalham na economia informal.
Organizações sociais destacam que a pobreza e a marginalização da metade feminina dos 14,3 milhões de habitantes da Guatemala se retroalimentam por seu limitado acesso a educação e saúde. Como resultado, 51,5% das mulheres vivem em pobreza, três pontos percentuais a mais do que os homens, segundo a Pesquisa Nacional de Condições de Vida de 2006.
Como fazem com Gómez, os Csem apoiam 3.273 mulheres em sete destas estruturas territoriais que começaram a ser instaladas em 2006 na Guatemala, localizadas nos departamentos mais pobres do país. Outros sete estão espalhados em El Salvador, Honduras e Nicarágua.
“Aprendemos como fazer um plano de negócios, a comercializar nossos produtos e calcular os custos de produção”, disse à IPS Sonia Paz, presidente da Associação de Mulheres Olopenses do departamento de Chiquimula, onde funciona outro Csem.
Paz é parte de um grupo de 36 mulheres produtoras de artesanato com fibra de maguey, uma planta do gênero Agave também conhecida como pita, com a qual fabricam bolsas, chaveiros e outros artigos que comercializam em seu município, Olopa, e áreas vizinhas.
“Graças ao apoio do Csem, melhoramos a qualidade de nossos produtos e conseguimos nosso registro tributário”, explicou Paz, que também destaca o esforço de muitas mulheres da área rural para superar sua situação econômica tradicionalmente dependente.
Rita Cassisi, coordenadora do Unifem na Guatemala, disse à IPS que o Csem facilita o acesso financeiro e empresarial para as mulheres por meio de créditos, capacitação na organização, melhoria de produtos e comercialização, entre outros aspectos.
“Um dos vazios que vemos é o acesso das mulheres aos recursos. Por isso, o programa quer montar uma estratégia de poder econômico das mulheres em níveis local, nacional e regional”, explicou.
Segundo Cassisi, as beneficiárias do Csem “estão na base da atividade empresarial e são mulheres que desenvolvem microempreendimetos e micronegócios que movimentam a economia das regiões”.
Como todo esforço, este também encontra pedras pelo caminho.
Gilda Rivera, gerente do Csem no departamento de San Marcos, disse à IPS que iniciaram suas atividades em abril de 2009, mas ainda não conseguiram iniciar as capacitações e o trabalho pleno. “Agora o problema é que não temos recursos para investir e temos cerca de 80 mulheres à espera dos benefícios”, afirmou.
Rivera considerou que às vezes são muitos os requisitos para iniciar os projetos, o que torna o processo “muito lento”, enquanto do outro lado muitas mulheres esperam a capacitação para levar técnicas e créditos aos seus negócios e ampliar a produção.
A necessidade imperiosa destas mulheres por formalizar e agregar tecnologia aos seus microempreendimentos se explica porque a maioria trabalha na informalidade. Íris Alvarado, do não governamental Centro de Pesquisa, Capacitação e Apoio à Mulher, disse à IPS que a Guatemala tem desafios muito importantes quanto à igualdade de gênero, além do poder econômico das mulheres.
A violência contra a mulher, a falta de acesso a serviços como educação e saúde, principalmente para as mulheres da área rural, são outros assuntos que merecem a atenção do país para vencer as desigualdades de gênero, disse Alvarado.
“Não queremos ser mais do que os homens, mas é preciso criar as mesmas condições de vida para ambos”, ressaltou. IPS/Envolverde

