México, 16/07/2010 – As redes eletrônicas de revistas científicas servem para difundir o conhecimento na Ibero-América, e, ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade de os países do Sul promoverem essa divulgação. Na região destacam-se as redes de Revistas Científicas da América Latina e do Caribe, Espanha e Portugal, do México (Redalyc), a brasileira Scientific Electronic Library Online (Scielo) e a de Bibliotecas Virtuais de Ciências Sociais da América Latina e do Caribe, do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, da Argentina.
“O impacto tem sido grande, crescente. Para formar capital humano deve ser divulgada a pesquisa científica”, disse à IPS Eduardo Aguado, diretor-geral da Redalyc. “A atividade científica está em processo de crescimento, porque foram acelerados os níveis de competição entre instituições e países”, acrescentou.
O portal, patrocinado pela estatal Universidade Autônoma do Estado do México (Uaemex), surgiu em 2003 com a inclusão inicial de 28 revistas e atualmente conta com 653, das quais 614 estão on line e o restante em processo de aceitação. Para captar conteúdos, a Redalyc convida as revistas a somarem-se ou apresentarem suas candidaturas. Para alcançar o objetivo, devem cumprir 33 critérios, nos quais primam a chamada revisão por pares, que se trata de veredito dado por especialistas sobre um artigo, e a natureza científica da publicação.
Essa rede, na qual trabalham 70 pessoas, acumula mais de 15 milhões de visitantes. Em 2009, registrou 32 milhões de descargas de arquivos, enquanto esse dado ultrapassou, apenas em maio último, os quatro milhões. Entre 700 e mil artigos foram postados na rede nas últimas semanas. De fato, as consultas do ano passado ultrapassaram a capacidade tecnológica da Redalyc, levando seus responsáveis a atualizar a plataforma para ter um total de dez servidores e espaço para mais entre três e quatro anos de operação. Na verdade, o conteúdo agora representa apenas 10% do armazenamento total.
Os três projetos foram mencionados como hemerotecas-modelo pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Conselho Internacional de Ciências Sociais em seu informe mundial sobre o estado das ciências sociais no mundo, divulgado em junho. Esse relatório destaca a demanda do acesso ao conhecimento e o modelo a seguir para divulgar as indagações científicas.
As revistas especializadas editadas na América do Norte e Europa ocidental representam 75% das publicadas em todo o mundo, 85% das quais redigidas total ou parcialmente em inglês, diz o informe. Por site das publicações, nove dos primeiros 20 países da classificação são europeus, quatro asiáticos, dois da Oceania e a lista se completa com Estados Unidos, Canadá, Brasil, México e África do Sul. Nos Estados Unidos é editado um quarto de todas as revistas especializadas em ciências sociais.
No caso da Redalyc, cujo lema é “a ciência que não se vê não existe”, a maioria das consultas são do México, vindo em seguida Colômbia, Brasil, Argentina e Espanha. As visitas originadas nos Estados Unidos registraram crescimento significativo. Esta hemeroteca “pode ser um modelo de comunicação científica para potencializar a pesquisa dos países do sul”, disse Aguado. “Fica claro que os países desenvolvidos têm o poder aquisitivo para ter acesso ao conhecimento, o que tem feito concentrar e fazer ressurgir esforços de países e instituições”, como as redes mencionadas, segundo o acadêmico.
A Uaemex, cuja sede fica na cidade de Toluca, implementou em 2009 o projeto Universidade Digital, com a intenção de fomentar a cultura tecnológica dentro do campus. A Universidade Nacional Autônoma do México (Unam) e a Universidade de São Paulo (USP), ambas estatais, lideram a produção editorial na região. No México, surgiu em 1984 o Sistema Nacional de Pesquisadores, que reúne mais de 16 mil pesquisadores e cujo trabalho alimenta parcialmente o acervo da Redalyc.
Os governos, conselhos de pesquisa, fundações e organismos de financiamento devem proporcionar às universidades e instituições de pesquisa a tecnologia e o dinheiro necessários para suportar este tipo de projetos, recomenda o informe da Unesco e o Conselho Internacional de Ciências Sociais. A Redalyc quer prosseguir na rota da expansão, e para isso pretende conter mil revistas até 2015.
Um dos projetos mais ambiciosos é a construção do Atlas Ibero-Americano da Ciência, financiado pela Secretaria (ministério) da Educação Pública e que será lançado oficialmente em novembro na cidade chilena de Valdivia, durante o segundo Congresso Internacional de Editores. A atividade, cuja primeira versão surgiu em 2008 em Toluca, é organizada pela Uaemex e as universidades Autral do Chile (estatal) e Católica de Valparaíso (particular).
“É um conjunto de indicadores e redes de colaboração que permitirá aos editores, às instituições e aos países verem com se desenvolve a ciência. Podemos ter uma radiografia da forma como se faz ciência na Ibero-América”, afirmou Aguado. A Redalyc ganhou, no ano passado, o primeiro lugar nacional como melhor site em ciência e tecnologia e recebeu menção honrosa na fase internacional de entrega do World Summit Award, da Unesco. IPS/Envolverde

