Harare, 17/08/2010 – Uma inovação produzida por investigadores na Nigéria poderá representar a cura para a devastadora doença do Emurchecimento por Xanthomonas da Banana (BXW) –responsável por prejuízos anuais calculados em mais de 500 milhões de dólares de culturas na África Central e Oriental. Mas esta descoberta também avivou o debate sobre a engenharia genética nas culturas em África. No dia 4 de Agosto de 2010, o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IIAT), sediado na Nigéria, anunciou que tinha conseguido criar um dispositivo de resistência na banana africana usando genes do pimento verde.
O pimento verde contém a proteína anfipática vegetal (Pflp), parecida com a ferredoxina, ou a proteína hipersensível com resposta assistida (Hrap), consideradas novas proteínas vegetais que aumentam a resistência das plantas contra organismos patogénicos mortais.
Segundo o IIAT, as bananas transformadas mostraram forte resistência contra o BXW no laboratório e centros de vistoria.
“Além disso, o mecanismo – conhecido com Resposta Hipersensível – também desencadeia a defesa de plantas não infectadas adjacentes e mesmo distantes, levando a uma resistência adquirida sistemática,” disse a Drª. Leena Tripathi, especialista em biotecnologia no IIAT.
Mas o grupo anti-OGM (organismo geneticamente modificado), Amigos da Terra Nigéria, afirmou que aparentemente África se tinha tornado uma desculpa fácil para as experiências feitas pela biotecnologia moderna centradas nas chamadas culturas dos pobres. As culturas alvo são a mandioca (um alimento base para mais de 20 milhões de pessoas em África e em todo o mundo tropical), grão-de-bico, milho, algodão, banana e banana-pão.
“África precisa agora de uma posição firme para se manter a diversidade das sementes e culturas e defender os alimentos base,” disse Mariann Bassey, dos Amigos da Terra Nigéria.
Bassey, a coordenadora do Programa Agro-Energia e Soberania Alimentar, acredita que a indústria da biotecnologia concentra os seus esforços nos alimentos base das populações, mesmo quando não são precisas variedades de OGM. “Acreditamos que este caso (de modificação genética das bananas no Uganda) é, sem dúvida, uma forma subtil de colonizar os alimentos locais no Uganda,” afirmou.
Or promotores das colheitas OGM não devem ser autorizados a usar os ugandeses como cobaias. “Não queremos OMG sob qualquer forma ou aspecto. A África consegue alimentar-se a si própria.”
Mas Tripathi, o principal autor de um artigo sobre a investigação publicado na Revista de Patologia Molecular Vegetal, afirmou que, apesar de estarmos longe da entrada das bananas transgénicas nos campos dos agricultores, a descoberta constituía um passo importante na luta contra a doença mortal da banana.
Se não for travado, segundo os cientistas, o BXW pressagia o fim da produção de banana e ameaça a segurança alimentar em áreas onde é um alimento base e um potencial alimento de exportação de elevado rendimento.
Apesar da oposição à engenharia genética, a banana transgénica pode ser o que África precisa. A investigação científica constatou que o prejuízo causado pela infecção do BXW na produção total da banana é entre 30 a 52 por cento, o que significa uma enorme redução da quantidade de bananas colhidas a nível familiar.
A doença espalhou-se em áreas-chave de produção de banana como o Uganda, o leste da República Democrática do Congo, o Ruanda e a Tanzânia. Os sinais da doença incluem o definhamento e o amarelecimento das folhas, com as plantas a produzirem um líquido bacteriano amarelo, o amadurecimento prematuro dos cachos e a decomposição da fruta.
De acordo com o IIAT, actualmente não há produtos químicos comerciais, agentes biológicos ou variedades resistentes para ajudar a controlar a propagação do BXW. Neste momento, a remoção do botão masculino tem sido eficaz para impedir a ocorrência da doença, visto que o botão masculino da banana tem sido o local principal da infecção. Mas essa remoção implica o uso de mão-de-obra intensiva e alguns agricultores não têm meios para o fazer.
Tripathi realçou que, mesmo se uma fonte de resistência fosse identificada, o desenvolvimento de uma banana verdadeiramente resistente seria extremamente difícil devido à natureza estéril do fruto e do seu longo período de gestação.

