QUÉNIA: Esforço para salvar as culturas de Macadamia

NAIROBI, 30/08/2010 – Joseph Ndirangu Muriithi é um homem preocupado. Depois de assistir ao declínio das plantações de café no Quénia há uma década, receia agora que a sua outra cultura de rendimento também diminua visto que uma nova doença está agora a afectar as suas árvores de macadamia. O agricultor, de 55 anos, proveniente da aldeia de Karia, no centro do distrito de Katanga, no Quénia Central, assistiu ao rápido crescimento da plantação de café nas décadas de 70 e 80, tendo visto depois a outrora cultura `dourada´ reduzir o seu valor para quase zero nos anos 90.

E agora Muriithi, um antigo produtor de café, está preocupado que uma doença causada por um fungo possa transformar a macadamia numa outra cultura irrelevante.

“A minha maior preocupação neste momento é o aparecimento de doenças que provaram ser fatais para esta cultura de rendimento,” disse.

Até agora, perdeu três árvores e está preocupado que mais possam secar num futuro próximo.

Mas Muriithi não devia ter receio, porque a investigadora Jesca Mbaka vela pelos interesses dos agricultores da macadamia.

“Com o apoio de outros cientistas e organizações, esperamos conseguir controlar totalmente a doença o mais rapidamente possível. Os agricultores nunca devem perder a esperança nesta grande cultura de rendimento,” disse Mbaka, que trabalha no Instituto de Investigação Agrícola do Quénia (KARI).

Um estudo efectuado no Quénia e publicado na Revista de Ciências Aplicadas em Agosto de 2009, onde Mbaka foi a investigadora principal, descobriu as duas principais doenças causadas por fungos que têm causado angústia aos agricultores de macadamia no Quénia.

“Há um predomínio crescente das duas principais doenças, a podridão de raízes e o cancro do caule, ambos causados pelo fungo Phytophthora cinnamomi,” disse Mbaka.

Embora o agente patogénico não seja novo no Quénia, é a primeira vez que teve um grande impacto na macadamia. É uma doença que causa o apodrecimento da raiz. Também seca a casca da árvore, causando a sua morte nalguns meses.

De acordo com o KARI, Mbaka é a primeira cientista a realizar uma extensa investigação sobre este específico fungo que agora afecta a macadamia no Quénia.

Com base na sua investigação, o programa de Pesquisa e Desenvolvimento Agrícolas das Mulheres Africanas ofereceu a Mbaka uma bolsa de estudo de dois anos em 2009, com vista a desenvolver técnicas sobre a forma de levar a cabo as suas descobertas sem poluir o meio ambiente. A bolsa de estudo é oferecida ao abrigo do programa para o Género e Diversidade do Grupo Consultivo sobre Investigação Agrícola Internacional.

O objectivo de Mbaka é descobrir que tipos de agentes patogénicos existem de modo a identificar os melhores químicos fungicidas apropriados.

Ela concluíu o estudo e descobriu que só existe um tipo de agente patogénico que afecta a macadamia e outras árvores no Quénia. “Isto quer dizer que podemos facilmente lidar com ele com base nos conhecimentos existentes,” asseverou.

Mbaka está agora a procurar uma forma de orientar a sua investigação sobre doenças fungais para benefício dos pequenos agricultores em África.

Calcula-se que mais de 10.000 agricultores quenianos estejam envolvidos na exploração agrícola de macadamia como cultura de rendimento principalmente destinada ao mercado da exportação.

Esta cultura proporcionou indubitavelmente um rendimento regular a Muriithi ao longo dos anos. “Quando plantei as minhas árvores de macadamia há 26 anos, não sabia que esta cultura de rendimento iria pagar a educação dos meus filhos,” afirmou.

Apesar de afirmar que o preço da macadamia continua baixo devido à limitada concorrência entre as companhias transformadoras e aquelas viradas para a exportação, Muriithi ganha em média 1.300 dólares cada vez que tem uma colheita. “Tudo o que precisamos é que os cientistas criem um remédio para as doenças existentes e alguns de nós podem ter a certeza que não vão morrer pobres,” declarou.

Isaiah Esipisu

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