ÁFRICA DO SUL: Carvão – Uma Nova Solução Para os Problemas de Combustível?

JOANESBURGO, 30/09/2010 – Uma nova solução para o problema da energia e combustível em todo o mundo pode ser desenvolvida com a utilização de um recurso há muito caracterizado como sujo e não renovável: o carvão. A professora Diane Hildebrandt é a co-directora do Centro de Materiais e Síntese de Processos (COMPS) na Universidade de Witswatersrand, que desenvolveu uma nova técnica designada Qualquer Fonte de Carbono Para Líquidos (XTL).

“Podemos pegar em quase qualquer fonte de carbono e transformá-la em combustível líquido,” disse Hildebrandt, numa alocução proferida numa conferência de dois dias sobre ciência e desenvolvimento de capacidades especializadas intitulada Da Evolução à Revolução, que teve lugar na Universidade de Witswatersrand nos dias 21 e 22 de Setembro.

Uma das possibilidades, disse Hildebrandt, é converter o carvão sólido em combustível líquido usando o processo Fischer-Tropsch, segundo o qual o carvão é convertido em hidrogénio e monóxido de carbono antes de ser exposto a um catalisador, como ferro ou cobalto, e depois finalmente condensado em gasóleo, lubrificantes sintéticos e gasolina.

A desvantagem deste processo é a quantidade de dióxido de carbono libertado durante a transformação do carvão, referiu Hildebrandt. Para resolver este problema, Hildebrandt disse que as refinarias podem capturar as respectivas emissões e usá-las para produzir algas.

O professor David Glasser, que dirige o COMPS juntamente com Hildebrandt, afirmou que esta técnica fora desenvolvida especificamente para resolver as necessidades energéticas de África empregando os recursos disponíveis.

“Uma lixeira na África do Sul é uma fonte, não é um problema,” disse Glasser.

Os materiais orgânicos, desde o carvão ao estrume, são fontes de energia que podem ser convertidas em combustível líquido, declarou Glasser. A captura do dióxido de carbono e o seu uso na produção de algas pode criar empregos e desenvolver as pescas, aumentando desse modo as fontes locais de alimentos.

“Embora outros investigadores em todo o mundo realizem pesquisa semelhante com super algas, tentando modificá-las geneticamente”, disse Hilderbrandt, “acreditamos que quaisquer algas locais que existam na zona são as algas que devem ser usadas.” O objectivo é manter o equilíbrio do ecossistema na zona.

Finalmente, ao aumentar-se a quantidade de peixe disponível, Glasser aponta que se trata de uma outra fonte de proteína a ser introduzida na dieta africana. Actualmente, afirmou Glasser, a maior parte dos africanos obtém as suas proteínas alimentares do frango, podendo este fonte alimentar ser ameaçada por uma erupção de gripe das aves.

“Não vale a pena construir instalações da mesma forma que no mundo desenvolvido quando as pessoas aqui não têm dinheiro. Temos de encontrar um caminho melhor,” disse Glasser. “A equação africana afirma que uma vida melhor depende do acesso à energia.”

Disponibilização controlada

Actualmente, duas pequenas instalações piloto na China refinam combustível a partir de gases residuais emitidos por fogões de cozinha, disse Hildebrandt. Até agora o empreendimento é uma iniciativa privada, desenvolvida em parceria com a companhia de construção sul africana Golden Nest, acrescentou.

Para evitar a criação de grandes concentrações de dióxido de carbono, o COMPS concentra a sua atenção em pequenas refinarias, que Hildebrandt caracterizou como sendo aquelas que produzem 1.000 barris de combustível por dia por comparação com os 50.000 barris produzidos diariamente nas grandes refinarias.

Os sul africanos dependem do carvão para 93 por cento da sua electricidade, o que não apenas é poluente mas também ineficiente, segundo Glasser.

“Queimar carvão para produzir electricidade é muito ineficiente,” disse Glasser. “Menos de metade do potencial químico do carvão é usado quando se queima carvão.”

Glasser afirmou ainda que espera criar uma série de pequenas refinarias de XTL por todo o país, cada uma delas tirando proveito dos recursos locais, sejam eles carvão, resíduos biólogicos ou qualquer outro tipo de material.

“O nosso objectivo é usarmos os nossos conhecimentos tecnológicos e a nossa visão em benefício da África do Sul,” afirmou Glasser.

O próximo passo é assegurar que a tecnologia receba apoio governamental de modo a construirem-se mais refinarias, disse Hildebrandt.

“Gostaríamos de trabalhar com o governo para termos acesso aos seus recursos,” afirmou.

Chris Stein

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