Capacitação de parteiras para reduzir mortalidade materna

Kigali, Ruanda, 04/10/2010 – Ruanda conseguiu diminuir a mortalidade materna graças a um programa de capacitação de parteiras tradicionais, informou o Ministério da Saúde. Neste país, quase metade das mulheres dá à luz em casa. A maioria com ajuda de parteiras sem formação profissional, que recorrem a conhecimentos aprendidos com as mulheres mais velhas da comunidade. Muitas delas usam equipamentos sem esterilização, o que pode causar mais mal do que bem. As mulheres pobres costumam recorrer a elas, pois não têm como ir até os serviços de saúde pública porque não possuem dinheiro para viajar até o hospital ou a clínica mais próximo. Laetitia Mureshyankwano, do distrito montanhoso de Gisagara, tem dois filhos. Essa mãe de 42 anos teve cinco partos com ajuda dessas parteiras, e apenas dois sobreviveram. Como ela. Numerosas mulheres de zonas rurais sofrem muito quando têm gravidez ou partos complicados.

Também temem se infectar com o vírus da deficiência imunológica humana (HIV), causador da aids, por falta de higiene. “Usam luvas e avental, mas não nos sentimos seguras porque não sabemos o quanto seus instrumentos estão limpos”, disse Laetitia. O programa de capacitação é uma iniciativa para melhorar a saúde materna em regiões afastadas, segundo ela.

Em 2008, a mortalidade materna foi de 750 mortes em cada cem mil nascidos vivos, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O Ministério da Saúde acredita que o próximo relatório, previsto para 2011, mostre uma melhora da situação. Ruanda foi aplaudida na Cúpula sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), realizada no mês passado na sede da ONU em Nova York, pelo “significativo avanço” que conseguiu no sentido de alcançar a meta de número cinco, de reduzir as mortes maternas em três quartos, entre 1990 e 2015.

Os oito ODM são reduzir pela metade o número de pessoas que sofrem pobreza e fome, com relação a 1990; garantir a educação primária universal; promover a igualdade de gênero e reduzir a mortalidade infantil e a materna; combater a aids, a malária e outras enfermidades; assegurar a sustentabilidade ambiental; e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul.

“O governo pretende que não morra nenhuma mulher porque não há razões para isso”, afirmou Agnes Binagwaho, secretária permanente do Ministério da Saúde. O programa de formação de parteiras, lançado em agosto de 2008, fornece informação sobre cuidados básicos e conhecimentos relacionados à atividade. A iniciativa também permite minimizar a escassez de pessoas, em especial em áreas rurais. Ruanda tem menos de uma parteira para cada dez mil pessoas, segundo fontes oficiais.

As parteiras que não fizeram o curso de capacitação são proibidas de fazer parto, mas ajudam a controlar a gravidez, incentivam as mulheres a fazerem exames periódicos e fornecem informações. O Ministério entregou ainda telefones celulares a 432 trabalhadores comunitários, também responsáveis pela saúde materna nos distritos. Através deles, as parteiras podem comunicar casos difíceis, complicações e situações de emergência à clínica ou hospital mais próximo.

O Ministério também comprou 67 ambulâncias, uma para cada hospital de distrito, para poder levar as mulheres de locais distantes aos hospitais em casos de emergência. Para que o programa de formação se sustente no longo prazo, é importante que as parteiras recebam uma remuneração que as motive a trabalhar em áreas rurais, em lugar de buscar trabalho em clínicas e hospitais.

Marie Rose Mujawamariya, do distrito de Kamonyi, ao sul de Kigali, participou de um dos programas de formação de parteiras. Ainda não recebe nenhuma remuneração, mas espera melhorar sua renda graças ao curso. Marie agora prevê cobrar US$ 10 por parto por causa dos conhecimentos adquiridos. Antes, baseava seu trabalho nos conhecimentos herdados de sua avó, mas agora fala com orgulho de suas novas habilidades de parteira, como controlar a posição do feto, garantir que o parto possa ser natural e avaliar a necessidade de recorrer ao médico. Envolverde/IPS

Aimable Twahirwa

Aimable Twahirwa is a senior reporter and science journalist based in Kigali, Rwanda with 10 years of experience. Aimable holds a bachelor's degree in computer science studies with a diploma is science journalism.

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