Manila, 19/11/2010 – Cada vez mais agências humanitárias e voluntários utilizam as redes sociais da Internet quando ocorrem desastres nas Filipinas, um dos países mais vulneráveis aos efeitos da mudança climática.
As atualizações em tempo real, que foram reenviadas pelos seguidores e informadas pelas principais rádios e emissoras de televisão, garantiram que o público soubesse quando e onde se esperava que o tufão fosse mais severo. Milhares puderam fugir para lugares mais seguros ou tomaram medidas de precaução antes da chegada do tufão.
Apenas um mês depois de criada, a conta da Pagasa no Twuitter agora tem cerca de 28 mil seguidores que recebem as mensagens com informação meteorológica e atualizações sobre tempestades. “As redes sociais são muito populares por estes dias. Muitos jovens e os diferentes setores já usam este meio, por isso decidimos que também poderíamos aproveitá-lo”, disse Venus Valdemoro, encarregado da Unidade de Informação Pública da Pagasa.
Este estado de alerta diante da destruição que o país costuma experimentar, com uma média de 20 tufões por ano, tem origem nas dolorosas lições aprendidas a partir da fúria do tufão Ketsana, de 2009. Embora as Filipinas estejam acostumadas a enfrentar estes eventos climáticos na segunda metade do ano, padrões meteorológicos erráticos têm cobrado mais vítimas fatais e propriedades nos últimos anos.
Se esta vulnerabilidade foi combinada com o enorme interesse dos filipinos pelas novas tecnologias, o fato de estas serem usadas para atender necessidades sociais se torna bastante natural. Frequentemente se diz que Manila é a capital mundial das mensagens de texto. Segundo a empresa norte-americana Gartner, dedicada a realizar pesquisas sobre as tecnologias da informação, as Filipinas, com 94 milhões de habitantes, tem uma penetração da Internet de 29,7% e é líder na Ásia em matéria de adoção de redes sociais.
Atualmente, é o sexto país no mundo no uso de Facebook e Twuitter. No primeiro tem mais de 18 milhões de usuários, por exemplo, segundo a consultoria comScore. As agências humanitárias também pegaram o trem das redes sociais. A Cruz Vermelha das Filipinas as usa para divulgar notícias sobre suas atividades.
A conta dessa organização no Twitter conseguiu cerca de três mil seguidores nos dias posteriores ao seu lançamento, no pior momento do tufão Ketsana. Depois, os seguidores aumentaram para 42.364, e continuam crescendo. “O amplo alcance das redes faz com que sejam meios muito efetivos para comunicação com o público em geral”, disse à IPS a secretária-geral da Cruz Vermelha das Filipinas, Gwendolyn Pang.
A quantidade de seguidores dessa entidade no Facebook também aumentou durante a passagem do Ketsana, e o site ajudou a mobilizar voluntários para as operações de resgate, acrescentou Pang. Agora, há cerca 100 mil pessoas seguindo a organização nessa rede social. Esta tecnologia permite que todos possam se expressar, o que a torna indispensável na hora de divulgar anúncios, disse Pang.
Rubens Canlas Jr., assessor para temas de tecnologia da informação, disse que o uso das redes sociais da internete eliminou o “intermediário” na contaminação, permitindo obter a informação pública diretamente da fonte. “No passado não tínhamos outra opção a não ser depender do rádio e da televisão para recebermos atualizações sobre emergências e meteorologias, que não são maneiras eficientes de disseminar informação urgente”, disse Canlas.
Os canais de TV que competem entre si também criam um “gargalo tecnológico” quando entrevistam um porta-voz e, portanto, impedem que outro canal, ou emissora de rádio, tenha acesso a essa fonte durante certo tempo, explicou Canlas. “Agora, Pagasa pode transmitir por si mesmo a informação por mensagem no Twitter e a mídia pode, simplesmente, informar usando essa mensagem”, acrescentou. Embora o Twitter seja a única conta oficial da Pagasa, seus funcionários dizem que chove pedidos para abrirem outras no Facebook e no Friendster.
As Filipinas estão catalogadas como o país mais propenso aos desastres, segundo estudo do Centro para a Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres, com sede em Bruxelas. O Banco Mundial lista o país entre os mais afetados pela mudança climática, e o que corre maior perigo de enfrentar tempestades frequentes e intensas.
Em média, anualmente 20 tufões atingem o país. Megi foi o décimo deste ano. Em setembro e outubro do ano passado, os tufões Ketsana e Parma atingiram a ilha filipina de Luzón cmo diferença de uma semana entre um e outro, desatando as piores inundações em quatro décadas e matando mais de mil pessoas neste e em outros países da Ásia oriental. IPS/Envolverde


