Lusaka, Zâmbia, 02/12/2010 – Uma nova caixa de primeiros socorros distribuída pelo Ministério da Saúde de Zâmbia para as mulheres grávidas, a fim de evitar a transmissão vertical do HIV/aids, é uma ferramenta eficaz neste país africano, embora falte distribuí-la por todo o país. Na África, cerca de 400 mil crianças são infectadas anualmente.
Zâmbia é um dos países africanos onde houve maior avanço na luta contra o vírus da deficiência imunológica humana (HIV), causadora da aids. Cerca de 70 mil mulheres entre 15 e 40 anos e 85 mil meninas e meninos são portadores do HIV neste país, segundo o ministério.
O Zimbábue tem de enfrentar vários obstáculos para prevenir a transmissão de mãe para filho, como a detecção do vírus, a disponibilidade e administração do tratamento, especialmente nas zonas rurais, onde há grande escassez de pessoal médico. As autoridades sanitárias podem resolver o problema instalando mais clínicas para fazer o exame para detectar o vírus.
A caixa de primeiros socorros, adotada por Zâmbia para prevenir infecções com o HIV, contém novos medicamentos, como antirretrovirais profiláticos, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os medicamentos estão dispostos em uma caixa com indicadores sobre como a mãe deve tomá-los e quando, e como, ministrá-los ao seus bebês durante o primeiro mês de vida.
O trabalho realizado por Zâmbia na luta contra o HIV/aids recebeu numerosos elogios pela atenção que dá às mulheres grávidas e às que amamentam, apesar dos poucos recursos disponíveis. A iniciativa é executada em oito dos 76 distritos do país. “A ativa posição do Ministério da Saúde no cumprimento das normas da OMS contribuiu muito para o sucesso obtido”, disse Susan Stressor, diretora da Fundação Elizabeth Glazer para a Aids Pediátrica.
Os primeiros socorros mãe-filho têm efetividade de 95% na prevenção da transmissão do vírus, muito mais do que o regime anterior, ressaltou Susan. “Com as caixas de primeiros socorros, ajudamos as mães para que possam amamentar seus filhos sem medo. A ferramenta permite controlar a saúde dela e do bebê”, acrescentou.
Ruth Chisonga, que tem aids há cinco anos e recebe tratamento com antirretrovirais, é uma mãe solteira que compra e vende roupa de segunda mão em Lusaka para manter seus dois filhos. Ruth aplaude a iniciativa da caixa de primeiros socorros, porque permitirá que tenha filhos sem o vírus e evitará que tenha de caminhar longas distâncias em busca do remédio necessário. “É muito difícil para mim caminhar tanto em busca de remédios. Será fácil de usar e diminuirá muito a possibilidade de deixar de tomar algum”, acrescentou.
“A caixa de primeiros socorros oferece às mães com HIV medicamentos que elas precisam tomar antes, durante e depois do parto. Isso ajudará a construir uma geração sem o vírus”, afirmou Susan. Ruth gostaria que o programa se espalhasse por todo o país. Em Zâmbia, 63% das mulheres grávidas com HIV recebem tratamento com antirretrovirais para evitar a transmissão vertical, segundo o Ministério da Saúde. Envolverde/IPS

