ÍNDIA: Elefantes e humanos lutam por um espaço

Bhubaneswar, Índia, 22/12/2010 – O camponês indiano Baidhar Singh ficou horrorizado ao chegar à sua cabana e encontrá-la destruída e pisoteada. A poucos metros estavam os grandes e cinzas culpados, uma manada de 65 elefantes. Três semanas depois, Baidhar e sua mulher continuam chamando de lar a cobertura de plástico que encontraram para se abrigar. O que aconteceu com o camponês, no distrito de Balasore, se tornou bastante comum nos últimos cinco anos no Estado indiano de Orissa.

Entre 1994 e março de 2004, os elefantes protagonizaram 2.888 incidentes de depredação, segundo o Departamento Florestal e Ambiental. E, nos últimos seis anos, o número de casos duplicou. Morreram 402 pessoas e quase 8.900 hectares de plantações foram destruídos. O aumento de episódios com elefantes não se deve ao aumento de sua população em Orissa. São 1.886 destes animais, segundo o censo deste ano, um ligeiro aumento em relação aos 1.862 registrados em 2007.

“Há cinco ou sete anos, as manadas de elefantes se concentravam em 18 dos 30 distritos de Orissa. Mas nesse período passaram a ocupar 28”, disse Debabrata Swain, chefe de conservação do Departamento de Florestas e Meio Ambiente. Os seres humanos invadiram o hábitat dos elefantes. As principais atividades que comprometem as áreas onde esses animais habitam em Orissa são as monoculturas e a mineração. Este Estado tem dez mil quilômetros quadrados, ou 57% do hábitat dos elefantes no centro da Índia, uma das dez áreas onde eles se concentram nestes país. As florestas de Orissa possuem 127 espécies de plantas, das quais 75 servem de alimento aos elefantes.

“Os elefantes não passam fome, mas sua dieta tem cada vez menos nutrientes devido à perda de espécies vegetais no que um dia foi seu denso hábitat, e por isso ampliam sua área de movimento e são atraídos pelas plantações”, disse Sheo Sharan Srivastava, chefe de conservação do governo de Orissa. Uma das monoculturas favoritas é o shorea robusta, conhecida como “sal”, cuja madeira é muito boa para a construção. Além disso, serve de abrigo aos elefantes, que reduzem a casca da árvore lambendo sua umidade no verão. Mas não se alimentam dela. Um elefante adulto necessita de 150 quilos de forragem úmida por dia.

A mineração do norte de Orissa, rico em depósitos de ferro, manganês e cromo, também ajudou a ampliar a mobilidade dos elefantes. A atividade a céu aberto nas florestas cresceu na última década e obrigou os animais a se deslocarem. Os distritos de Keonjhar e Sundargarh, onde mais cresceu a mineração nos últimos anos, registram a maior quantidade de incidentes com elefantes. “Não é dada a devida atenção ao impacto social e ecológico do projeto industrial”, diz o informe da Força de Trabalho sobre o Elefante, do Ministério Federal de Meio Ambiente e Florestas, divulgado em agosto passado. “Na maioria dos casos, a avaliação de impacto ambiental obrigatória é feita ignorando as consequências do projeto sobre o movimento de animais e a sensibilidade ecológica da área”, acrescenta.

As pesquisadoras chamam a saída dos elefantes de seu hábitat em busca de alimentos de “assalto forçado de plantações”. Quando a degradação ambiental reduz severamente o tamanho do hábitat ou a qualidade dos nutrientes, as manadas de elefantes avançam sobre as plantações, explicou Sudhakar Kar, pesquisador do governo de Orissa. A falta de recursos ou de nutrientes deixa os animais famintos, reduz a fecundidade e a sobrevivência dos filhotes, o que leva à extinção do clã afetado, acrescentou.

O governo federal priorizou cinco dos dez hábitats de elefantes do país para uma estratégia de conservação integral. Entre eles está o Centro-Leste, que ocupa mais de 17 mil quilômetros quadrados em Orissa, Jharkhand e sul de Bengala Ocidental. Dentro do Plano de Gestão de Elefantes, Orissa recebeu o equivalente a US$ 882 mil este ano. O Estado formou 51 brigadas contra a depredação de elefantes, que incluem 98 rastreadores de animais que informam à população sobre o movimento das manadas e lhes ensinam quais medidas tomar para evitar problemas. Costumam ser empregados seis elefantes treinados para mudar a direção das manadas, fazendo-as voltar à floresta.

A Índia possui 29 mil elefantes. Este mamífero é considerado uma espécie-chave na selva asiática, capaz de contribuir para conservar a biodiversidade. Envolverde/IPS

Manipadma Jena

Manipadma Jena is an independent development journalist and communications consultant who works out of Bhubaneswar in eastern India. She specialises in environment, climate change, biodiversity, indigenous people and the MDG themes broadly.

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