Malaui perde apoio na luta contra a aids

Blantyre, Malaui, 06/01/2011 – Ativistas no Malaui expressaram preocupação pelo fato de o Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária rejeitar o pedido deste país de US$ 600 milhões para o período 2011-2016 Contudo, o governo insiste que não há necessidade de se preocupar. A secretária-executiva para o Comitê Coordenador do Malaui junto ao Fundo Mundial, Edith Mkawa, anunciou, no dia 28 de dezembro, que a proposta do país novamente fora rechaçada.

O pedido de apoio financeiro tinha o objetivo específico de enfrentar a transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV (vírus da deficiência imunológica humana), causador da aids, dando tratamento a todas as grávidas infectadas. O Malaui esperava estender seus tratamentos com antirretrovirais de 287 mil para 537 mil pacientes até o final deste ano fiscal.

Este país da África austral também queria continuar promovendo a circuncisão masculina voluntária para reduzir a prevalência da doença, que permanece em 12% desde 2007. Cerca de um milhão de homens foram circuncidados no período de execução do último programa. Edith informou que não foram dadas razões para a rejeição ao pedido de ajuda. “Esperamos para saber o motivo da rejeição”, disse aos jornalistas.

Para alguns médicos, a negativa não foi uma surpresa. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) já alertara, em um artigo em seu site no dia 8 de dezembro, que, devido a déficits orçamentais dos organismos internacionais, vários países africanos “poderiam ser desqualificados do financiamento contra o HIV/aids no futuro próximo”. O “MSF está seriamente preocupado porque vários países de baixa renda e com alta prevalência de HIV, como Malaui, Zimbábue, Moçambique, Suazilândia e Lesoto, correm o risco de terem negado financiamento contra o HIV e a tuberculose”, dissera o MSF.

A diretora-executiva da Rede pela Igualdade em Saúde do Malaui, Martha Kwataine, qualificou a notícia de decepcionante. “O impacto é enorme. Cerca de 90% das atividades contra o HIV no país são financiados por doadores. Isto significa que será interrompida” a luta contra a doença, alertou.

Martha disse que isto deveria servir de advertência ao governo para que deixasse de depender excessivamente do financiamento de doadores. “Não podemos continuar dependendo de doadores. É nossa gente que precisa de antirretrovirais. Sempre disse que o povo do Malaui não é povo do Fundo Mundial. O Estado é o responsável por oferecer cuidados médicos aos seus cidadãos”, acrescentou.

São atribuídas à aids, 59% das mortes de pessoas entre 15 e 59 anos de idade no Malaui, país com 13 milhões de habitantes. Segundo Martha, a rejeição do Fundo Mundial coloca em risco a vida de muitas pessoas. “Isto é muito perigoso, porque as pessoas que deixam de tomar os antirretrovirais por dois ou três meses desenvolvem uma resistência e acabam morrendo”, afirmou.

A diretora-executiva da Associação Nacional para Pessoas que Vivem com HIV/aids no Malaui, Amanda Manjolo, alertou que a negativa do Fundo terá consequências perniciosas. “Já que o principal objetivo da proposta eram os medicamentos antirretrovirais, isto definitivamente significará sua escassez no futuro próximo”, afirmou. Porém, a secretária principal no Escritório do Presidente e encarregada do gabinete para programas de nutrição e aids, Mary Shawa, disse que a situação não é dramática.

“Embora seja uma notícia triste, a rejeição não terá efeitos imediatos, pois atualmente temos recursos suficientes para chegar a 2012. Entretanto, consideramos isto um alerta, já que devemos continuar fornecendo antirretrovirais a quem tem HIV”, ressaltou Mary, informando que o governo busca doadores não tradicionais.

Como outros países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, o Malaui começou a tratar grávidas com HIV seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. “Seguiremos as diretrizes da OMS. Temos suficiente financiamento com o dinheiro que recebemos de outros doadores, como Banco Mundial e DEID (Departamento para o Desenvolvimento Internacional)” da Grã-Bretanha, assegurou.

O Fundo Mundial informou que apenas 79 das 150 propostas de subvenções foram aceitas este ano. Outros países que não receberam financiamento são Suazilândia, Moçambique, República Democrática do Congo e Zimbábue. Este último, como o Malaui, recebe assistência do Fundo Mundial desde 2002. Amanda pediu uma nova consideração dos pedidos. Envolverde/IPS

Lameck Masina

Lameck Masina is a journalist based in Blantyre, Malawi. He has been in the field since 1995 working in both print and electronic media. Besides IPS, he files for several international media organisations. He is currently working as an online editor for privately-owned Capital Radio in Blantyre, Malawi.

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