Lagos Nigéria, 18/01/2011 – A Nigéria está ficando para trás em relação aos seus pares da África na redução de mortes de menores de cinco anos, e a taxa de mortalidade continua sendo alta entre os neonatais: 700 bebês com menos de 28 dias morrem diariamente neste país. Apesar de alguns progressos, este país tem ainda um longo caminho para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A taxa de mortalidade entre meninos e meninas com menos de cinco anos caiu cerca de um quinto desde 1990. Entretanto, um informe do Ministério da Saúde reconhece que este êxito não se concretizou de forma igualitária em todo o país, algo que tem importantes consequências para a política de saúde.
O informe, intitulado “Salvando Recém-Nascidos na Nigéria”, conclui que a cada ano 241 mil bebês morrem em seu primeiro mês de vida. “Vários fatores são responsáveis por isto”, disse Abimbola Williams, da organização não governamental Save The Children, que colaborou na pesquisa. “A pobreza tem um papel importante. Muitas famílias não podem pagar os serviços nos postos de saúde, que às vezes nem estão tão perto. A qualidade do serviço é muito baixa”, acrescentou. A primeira edição do estudo foi publicada em 2009. O último informe atualiza significativamente as descobertas com novos dados nacionais que mostram uma grande diferença na taxa de mortalidade entre as áreas urbanas e rurais.
Azebi Korikiye, que passou vários anos trabalhando como médica em áreas rurais, disse que as grávidas fora das cidades sofrem muitas desvantagens. “Os moradores das áreas rurais estão muito longe das instalações de saúde, ao contrário dos que vivem nas áreas urbanas. As gestantes das zonas rurais têm menos possibilidades de realizar exame pré-natal e mais de acabarem sob cuidados de assistentes de partos tradicionais não capacitadas”, afirmou. Mais da metade das mortes diárias dos 700 recém-nascidos na Nigéria ocorre em casa. Quase dois terços das nigerianas dão à luz em casa, segundo um estudo de saúde e demografia de 2008.
Apesar destes riscos conhecidos, não houve um aumento significativo na proporção de nascimentos em centros de saúde. Abimbola é otimista e acredita que o novo informe pode ajudar a Nigéria a alcançar a meta de reduzir a mortalidade infantil. “É necessário esse tipo de informação para planejar. Também é preciso uma mudança na política. Vai ajudar a nos concentrarmos nas intervenções necessárias”, afirmou. A Nigéria está atrasada em relação a outros países africanos: Burkina Faso, Uganda e Tanzânia têm taxas de mortalidade entre recém-nascidos inferior a 35 por mil partos. A da Nigéria é de 157/1000. Quênia e Camarões reduziram as mortes neonatais em 40% na última década, enquanto a taxa da Nigéria caiu apenas 15%.
Segundo Abimbola, a primeira edição do informe provocou uma importante mudança na política de saúde em 2009, levando o governo a adotar um novo enfoque sobre os recém-nascidos. “O governo desenvolveu a Estratégia Integrada de Saúde Infantil e Materna. Foi a primeira vez que identificou os recém-nascidos como um setor importante”, acrescentou. Por sua vez, Azebi disse que, além de criar políticas em nível nacional, o governo nigeriano deve assegurar que as autoridades estaduais as executem. “Alguns dos hospitais administrados pelos governos estaduais não são melhores do que depósitos de cadáveres. O governo federal deveria supervisioná-los de forma efetiva”, acrescentou.
A Save the Children cobrou do governo o cumprimento de sua promessa de 2001 de destinar 15% do orçamento nacional à saúde. A organização também defende o uso de informação local para a tomada de decisões, melhoria das práticas comunitárias no parto e adoção de medidas contra as infecções nos recém-nascidos. Representantes de associações profissionais de obstetras, pediatras e parteiras responderam ao informe se comprometendo com a melhoria da comunicação e da colaboração entre eles, além de promover a reunião de dados e melhor uso do pessoal disponível.
O Ministério da Saúde, por seu lado, prometeu destinar um orçamento especial para cuidados dos recém-nascidos. Os recursos serão investidos na capacitação de pessoal em nível comunitário e na criação de seis centros regionais que promoverão a atenção dos neonatais, entre outras coisas. O Ministério também prometeu informar anualmente seus progressos. Envolverde/IPS

