ASIA: Sem dados não se combate a mudança climática

Guwahati, Índia, 14/01/2011 – Um esforço concentrado para documentar o impacto do aquecimento global no leste do Himalaia é fundamental para criar políticas de adaptação adequadas. No Nepal, a geleira Imja diminui 70 metros por ano. No Butão, onde o derretimento é menos perceptível, 25 de 677 geleiras são consideradas em perigo, com um “alarmante” retrocesso entre 20 e 30 metros ao ano, disse G. Karma Chhopel, da Comissão Nacional do Meio Ambiente butanesa.

É mais importante reunir estatísticas sobre os efeitos do aquecimento global do que se preocupar com as represas que a China constroi na região, disse o professor Jayanta Bandyopadhyay, do Centro para Políticas de Desenvolvimento e Meio Ambiente na cidade indiana de Kolkata, um ramo do Instituto Indiano de Administração.

“Construir mais represas quando as águas em todos os lados estão ameaçadas pela mudança climática é acelerar o problema da perda de água”, disse, por sua vez, à IPS Himanshu Thakkar, da Rede da Ásia Meridional sobre Represas, Rios e População. Compartilhar água é um tema importante, e “a Índia precisa impulsionar seus grandes negócios comerciais com a China para chegar a um acordo sobre compartilhar a água”, acrescentou.

Por sua vez, Jayanta reconheceu que um pacto para resolver o conflito é “boa ideia, mas ainda não sabemos a natureza das mudanças na região. Em que se basearia o tratado?”, perguntou. “Devo destacar novamente a necessidade de desenvolver modelos climáticos locais para a região. De outra forma, as estratégias de adaptação serão muito difíceis. A questão do desenvolvimento asiático depende disto”, acrescentou.

As montanhas orientais do Himalaia, que incluem 1.600 quilômetros no Nepal, Butão, norte da Birmânia, nordeste do Tibete e parte da Índia, são chamadas “as torres de água da Ásia” e consideradas “o terceiro polo”, devido à sua grande capacidade de geleiras. Na região, há três grandes bacias, a do Indus a oeste, do Ganges no centro e de Brahmaputra no leste, e incluem importantes rios como Ganges, Indus, Brahmaputra, Yangtze, Mekong, Salween, Xingjian, Chao, Phraya, Irrawaddy, Amu Darya, Syr Sarya e Tarim. As montanhas são fonte direta de recursos hídricos para Bangladesh, Butão, China, Índia e Nepal, e fornecem água para mais de 1,3 bilhão de pessoas.

As represas da China na bacia do Mekong causam preocupação quanto à redução de água no Camboja, Laos, Tailândia e Vietnã. Além disso, o início das obras de construção da central chinesa de Yarlung Tsangpo, em novembro do ano passado, gerou temor na Índia. Jayanta disse que a parte chinesa da água do Yarlung Tsangpo era apenas 20% do total. Para este especialista, enfrentar a mudança climática no Himalaia, que nutre as bacias, deve ser considerado um tema prioritário.

“Agora temos uma urgente necessidade de fortalecer as ciências específicas da água no Himalaia. Há 1,3 bilhão de pessoas na região. Só isto deve impulsionar o governo indiano à ação”, disse Jayanta a cientistas e estudantes do Instituto Indiano de Tecnologia em Guwahati. A região leste do Himalaia carece de estatísticas sobre padrões climáticos, derretimento de geleiras e variações da temperatura. Jayanta afirmou que falta até informação básica sobre precipitações.

Shresth Tayal, especialista em geleiras do Instituto de Recursos de Energia, com sede em Nova Délhi, disse que o aquecimento nas áreas mais altas da cordilheira é maior do que nas partes baixas, segundo o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, com sede no Nepal. A geleira de Rathong oriental, no Estado indiano de Sikkim, diminuiu aproximadamente 7.125 quilômetros quadrados em 1966 para 0,46 quilômetros quadrados em 2009, uma perda de 93,54%.

R. Krishnan, do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical, destacou que o organismo agora conta com equipamentos avançados para criar modelos climáticos regionais. “Estamos prontos para compartilhar informação e colaborar em investigações interdisciplinares”, afirmou. Como parte de esforços para reunir as nações do Himalaia para agirem contra o aquecimento global, o Butão iniciou uma série de consultas de alto nível com Bangladesh, Índia e Nepal, e organizará a conferência ministerial Cúpula Climática para a Vida no Himalaia, que acontecerá em outubro com vistas a preparar um acordo regional. Envolverde/IPS

Keya Acharya

A journalist with over 20 years of experience in in-depth writing and researching environment and development issues in Asia, Africa, Europe and Latin America. Keya has travelled widely, covering assignments in various areas of the world. Her research has included climate change, urban solid waste management, rural alternative energy systems, implementation of laws on industrial hazardous wastes, human rights, ecotourism, wildlife issues, transgenic cotton, corruption and environment, population and gender, e-governance, agribiotech and forests and encroachments, among other topics. Keya is vice chair of the Forum of Environmental Journalists of India, and has organised several media-training workshops, convened international media meetings and undertaken media study tours. Keya has won several research and media fellowships and is the recipient of the Press Institute’s award for Excellence in Human Development Reporting; the Prem Bhatia Award for Environmental Reporting, and the Green Globe Foundation award for Outstanding Media Contribution by a Media Individual. Keya has also conducted development journalism studies as visiting faculty, chaired media and international conference panels, and edited ‘The Green Pen’, an anthology of essays on environmental journalism, the first of its kind in South Asia, featuring the region's most prominent and respected environmental journalists.

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