A universidade do arroz

Bhubaneswar, Índia, 05/01/2011 – Um método para tornar mais efetivo o cultivo do arroz, criado pelo jesuíta Frances Henri de Laulanie especificamente para produtores pobres de Madagascar, hoje é usado em todo o mundo.

Os próprios agricultores desenvolveram ferramentas para facilitar o trabalho nos arrozais, e hoje são vendidas em grande escala. - Manipadma Jena/IPS

Os próprios agricultores desenvolveram ferramentas para facilitar o trabalho nos arrozais, e hoje são vendidas em grande escala. - Manipadma Jena/IPS

O Sistema de Intensificação do Arroz (SRI) é aplicado em 40 países. Agricultores pobres da Índia também propagam seu uso e acrescentam todo tipo de inovação. Desde novas ferramentas até o uso de fertilizantes orgânicos, estas invenções locais permitem maiores cultivos com custos menores.

“O SRI, em geral, é possível na Índia graças a pequenas redes de inovadores que se animaram a experimentar com práticas nunca antes testadas”, disse C. Sambu Prasad, professor associado do Instituto Xavier de Administração, em Bhubaneswar. “Os agricultores experimentam e seus êxitos convencem outros a adotar as inovações”, acrescentou. Como em outros países asiáticos, o arroz continua sendo o alimento básico na Índia, onde o grão é plantado em 44 milhões de hectares.

Os arrozais convencionais são terras inundadas 30 dias antes de receberem as mudas. Não há espaço regular entre as plantas e, no geral, a capina é manual. Por outro lado, no método SRI, as mudas são plantadas com apenas 12 dias em espaços precisos de 25 centímetros quadrados. O solo nas raízes se mantém seco e bem aerado, e são acrescentados nutrientes orgânicos. A terra é arada com implementos que movimentam o solo e permitem que receba mais ar. Segundo especialistas em agricultura, isto permite usar um mínimo de água.

Procura-se deixar entre as raízes espaço suficiente para crescerem e desenvolverem todo seu potencial. O SRI, portanto, exige menos sementes, menos água e menos fertilizantes, e permite maiores cultivos. De fato, segundo estudo comparativo feito pela Rede de Serviço de Apoio e Atividades na Bacia (Wassan), organização sem fins lucrativos que trabalha com agricultores no Estado de Andhra Pradesh, a produção por meio do SRI é 52% maior do que a obtida nos cultivos convencionais, e os custos de insumos são 32% menores.

S. Bhagya Laxmi, pesquisador da Wassan, disse que o novo método também reduziu em 37% os custos de mão-de-obra. Mais da metade desses custos se refere ao trabalho de preparo e limpeza da área, explicou, mas com as inovações do SRI muitas mulheres recuperaram quase o dobro de tempo livre, quando antes se dedicavam quase inteiramente a um trabalho manual que prejudicava suas costas.

Em Andhra Pradesh, o SRI também inspirou a criação de pelo menos dois tipos de instrumentos para arar, que facilitam a tarefa e evitam que o trabalhador permaneça agachado. Um foi desenvolvido por especialistas da Universidade Agrícola Acharya N. G. Ranga. O outro foi criado por um grupo de agricultores na aldeia de Mandava e hoje é fabricado em grande escala e vendido a 800 rúpias (US$ 18).

A agricultora Prabhavathamma Reddy, do distrito de Mahabubnagar, disse que agora colhe o dobro do que colhia em seus quatro hectares, e atribui isso ao SRI, embora o motivo também possa ser o fato de alimentar seu arrozal com fertilizante orgânico de cinco ingredientes que ela mesma faz em casa. Não é a única que utiliza inovações locais. No Estado de Karnataka, o produtor Narayana Reddy emprega folhas de nim para afugentar as pragas e usa variedades tradicionais de sementes antes mergulhadas em leite de vaca.

“Por razões estranhas, o SRI evoluiu mais dentro do domínio do conhecimento popular e por meio das redes de agricultores do que nos centros formais de pesquisa científica”, disse o diretor da Wassan, K. Suresh. Envolverde/IPS

Manipadma Jena

Manipadma Jena is an independent development journalist and communications consultant who works out of Bhubaneswar in eastern India. She specialises in environment, climate change, biodiversity, indigenous people and the MDG themes broadly.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *