DESTAQUES: Manejo hídrico transcende o debate “público ou privado”

QUITO, Equador, 22/03/2011 – (Tierramérica).- Um fundo alimentado com recursos públicos e privados busca criar em Quito um modelo participativo e transparente para administrar a água.

Floresta de polylepis no Parque Nacional de El Cajas, Equador - Gonzalo Ortiz/IPS

Floresta de polylepis no Parque Nacional de El Cajas, Equador - Gonzalo Ortiz/IPS

Os funcionários públicos trocaram por um dia seus escritórios pelos frios terrenos de uma comunidade rural a 3.500 metros de altitude, nos arredores da capital do Equador, para plantar árvores autóctones. São empregados da Empresa Elétrica Quito, que desde novembro participam, em turnos, do plantio de dez mil árvores do gênero Polylepis, como parte de um convênio com o Fundo Ambiental para a Proteção de Bacias e Água (Fonag).

O Polylepis, nativo da Cordilheira dos Andes e com um tronco de múltiplas camadas finas semelhantes a papel, é o único gênero de árvore fornecedora de madeira que cresce neste lugar a mais de 3.500 metros de altitude. Plantá-la ajuda a restaurar a captação de água de uma bacia vital. Além de plantar, “buscamos conscientizar os funcionários e mostrar aos indígenas da área que verdadeiramente estamos trabalhando juntos, as pessoas da cidade e eles, para preservar as fontes de água”, disse ao Terramérica o diretor do Fonag, Pablo Lloret.

Esses objetivos contribuem para o êxito do Fonag, um fundo fiduciário com contribuições públicas e privadas, que tem entre suas tarefas a gestão participativa do recurso, a sensibilização pública e um modelo matemático para conhecer os fatores que incidem na bacia do Rio Guayallabamba, que desce dos Andes para o Oceano Pacífico. A bacia alta do Guayllabamba, entre mil metros e 5.893 metros de altitude, fornece água a dois milhões de habitantes de Quito e outras 570 mil pessoas na província de Pichincha, além de irrigação para pequenos proprietários e exportadores de flores e hortaliças.

É uma das áreas mais povoadas do Equador e enfrenta o maior problema nacional de competição por usos da água e a grave contaminação hídrica direta ou por efeito da escassez, afirma o site do Fonag. Menos de 1% do esgoto de Quito é tratado antes de ser lançado nos rios Machángara, Monjas e San Pedro, nome do Guayllabamba em seu primeiro trecho. “O coração do Fonag é o programa de gestão da água, e seus dois braços são o político e o técnico”, disse Pablo.

Para isso foi criado o Conselho da Bacia do Guayllabamba, que pretende ser um sistema de governança que inclua todos os usuários. Nos últimos quatro anos, com a cooperação do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, foi criado um modelo matemático da Bacia. “Hoje, pode-se simular o que ocorre no balanço hídrico com a mudança de qualquer componente na oferta ou na demanda”, disse ao Terramérica o representante do IRD, Bernard Francou.

A preocupação pelo impacto da desmatadora urbanização mundial levou as Nações Unidas a dedicar este 22 de março, Dia Mundial da Água, ao tema “Água para as cidades: respondendo ao desafio urbano”, O Fonag foi criado em 2000 com US$ 21 mil e hoje conta com US$ 9,5 milhões. Para suas operações usa apenas o rendimento do fundo fiduciário e os custos administrativos não podem passar de 20% dos projetos que financia.

Seu principal doador é a Empresa Pública Metropolitana de Água Potável e Saneamento (EPMAPS) de Quito, que entrega 1% de sua arrecadação, cerca de US$ 190 mil mensais. Também contribuem a empresa elétrica da capital, a organização conservacionista norte-americana The Nature Conservancy, a engarrafadora equatoriana de água mineral Tesalia Springs e a Cervejaria Nacional, propriedade da corporação britânica SABMiller.

O modelo do Fonag foi replicado em outros nove fundos em várias províncias equatorianas, bem como na Colômbia e no Peru, enquanto iniciativas semelhantes estão sendo criadas na Bolívia e na República Dominicana. Quando foi criado, “não passava de uma conta corrente onde era depositado algum dinheiro”, e quase desaparece, lembrou Juan Neira, gerente-geral da atual EPMAPS entre 2000 e 2009.

Só em 2004, quando se juntaram vários organismos “e a empresa de água potável decidiu doar ao fundo 1% de seu faturamento, o Fonag conseguiu se organizar, contratar pessoal e empreender projetos”, disse Juan ao Terramérica. Em sua função educativa, o Fonag associou-se, no ano passado, ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para executar a “Estratégia de difusão e sensibilização para o cuidado e a proteção dos ecossistemas aquáticos de água doce e marinha – Entre o páramo e o mangue”, que inclui inserções em rádio, cartazes em ônibus e oficinas educativas.

* * O autor é correspondente da IPS.

Gonzalo Ortiz

Escritor ecuatoriano, se ha destacado también en los campos la docencia universitaria y el servicio público. Nació en Quito el 18 de octubre de 1944, hijo de Luis Alfonso Ortiz Bilbao (Quito, 1903-1988) y Lola Crespo Toral (Cuenca, 1927). Está casado, tiene una hija y dos nietas. Vicealcade de Quito (2009), fue Concejal de la ciudad por elección popular por siete años (2003-2009), siendo el candidato más votado en las dos elecciones que participó. Años antes, fue uno de los más estrechos colaboradores del Presidente Rodrigo Borja, en cuyo gobierno fue Secretario General de la Administración (1990-92), Secretario Nacional de Comunicación Social (1988-1989) y Secretario de la Presidencia (1989- 1990). Como periodista es actualmente, y desde hace 16 años, Editor General de la revista Gestión; y desde inicios de 2010 corresponsal en el Ecuador de la agencia Inter Press Service (IPS). Se inició en la carrera periodística como cronista del diario El Tiempo, a los 22 años de edad, y ha ocupado todos los cargos de medios escritos y audiovisuales desde reportero hasta director. Fue editor cultural de la revista Mensajero (1968-1975); fundador, columnista, editor económico y subdirector del diario Hoy (1981-1988); director para América Latina de la agencia de noticias Inter Pres Service (1992-1996); gerente nacional de noticias de Ecuavisa (1997-1998); director de noticias de Telesistema (1988-2000); panelista semanal de Gamavisión (2000-2001); columnista de El Comercio (1996-2001). Ha colaborado en las estrategias de comunicación de las campañas presidenciales de Rodrigo Borja (1984, 1988, 2002) y Freddy Ehlers (1998) y en las campañas para alcalde de Quito de Paco Moncayo (2000, 2004) y para alcalde de Cuenca de Fernando Cordero (1998). Ha elaborado estrategias de comunicación para organizaciones no gubernamentales y entidades privadas. Ortiz suma más de un cuarto de siglo de docencia universitaria, como profesor de pregrado de las universidades Católica del Ecuador y de las Américas y de posgrado en la Andina Simón Bolívar. Es autor de ocho libros, en temas de historia y crónica periodística, coautor de 20 libros, editor de otros seis y traductor de dos. Entre sus obras se incluye una novela, Los hijos de Daisy (Alfaguara, 2009) y un libro de ensayos Quito, historia y destino (Trama, 2006). Es Miembro Correspondiente de la Academia Nacional de Historia del Ecuador y ha recibido premios y distinciones nacionales e internacionales.

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