O paradoxo turístico da América Central

Cidade da Guatemala, Guatemala, 21/03/2011 – A maioria dos países da América Central continua sendo deixada de lado entre os destinos turísticos do continente, apesar de seus invejáveis tesouros naturais e arqueológicos.

 - Domínio público

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Para reverter a situação, a área aposta em alternativas como o turismo rural. “Aqui o turismo se converteu na fonte principal de renda para o sustento diário das famílias”, disse à IPS Olga Cholotío, da Associação de Guias Turísticos Rupalaj K’istalin de San Juan La Laguna, no departamento guatemalteco de Sololá.

Esta entidade, do povo tz’utuil, de tradição maia, trabalha nas proximidades do Lago de Atitlán, um dos principais pontos turísticos da região, e oferece trilhas rurais para observação a preparação de têxteis, pesca artesanal e esportiva, bem como apresentações de música e danças tradicionais.

Segundo o Informe Mundial de Competitividade Turística 2011, lançado este mês, há duas realidades quanto ao desenvolvimento turístico na América Central. Um grupo majoritário situado no fim da lista, formado por El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, e outro na liderança da América Latina, onde estão Costa Rica e Panamá. A Guatemala ocupa o posto 86 entre 139 países analisados, seguida por Honduras, no 88º lugar, El Salvador, no 96º, e Nicarágua, no 100º.

Deste grupo, a Nicarágua ganhou oito posições e El Salvador duas, em relação ao estudo anterior, que é elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), com sede na Suíça. No entanto, Honduras caiu nove postos e a Guatemala 13. Por outro lado, Costa Rica é o segundo país da América Latina de maior competitividade turística e ocupa o 44º lugar no ranking mundial, e Panamá, quarto regional, é o 56º mundial.

O país latino-americano melhor colocado é o México, no posto 43 do ranking, e o Brasil aparece em terceiro, no posto 52. Os três primeiros lugares da medição do FEM são ocupados por Suíça, França e Alemanha. A análise comparativa é feita desde 2001, a cada dois anos, e mede fatores e políticas que incidem no desenvolvimento da indústria turística, agrupados em três grandes áreas: contexto regulatório, clima de negócios e infraestrutura, e recursos humanos, culturais e naturais.

Olga não conhece este informe de competitividade. Contudo, está convencida de que a insegurança do país tem impacto negativo no turismo da Guatemala e impede sua consolidação como um motor de desenvolvimento para comunidades como a sua. De fato, em 2010, a renda proveniente do turismo, terceira fonte de divisas do país, caiu 14,5% em relação ao ano anterior, ficando em US$ 985,6 milhões, segundo o Banco da Guatemala (central).

O grupo de países centro-americanos atrasados na atividade turística se esforça para inovar sua oferta e fazer com que dentro dela se somem grupos da população desfavorecida que podem encontrar no setor a forma para melhorar sua qualidade de vida. Estes setores contam com facilidade para incorporar propostas exigidas crescentemente por um nicho de viajantes, como trilhas e diferentes formas de turismo comunitário e rural.

Edgardo Valenzuela, da não governamental Associação de Turismo Receptivo de El Salvador, disse à IPS que em seu país o turismo está levando recursos econômicos para o desenvolvimento, principalmente em nível de pequenos e médios empresários de áreas rurais. “O turismo oferece oportunidades a restaurantes, pequenos hotéis, pousadas ou pessoas com pequenas propriedades que as convertem em um produto agroturístico”, onde o visitante tem contato direto com as atividades agrícolas tradicionais do lugar, explicou.

“É um dinheiro fresco imediato, que gera progresso onde se desenvolve e cria pequenos ou grandes polos de desenvolvimento”, disse Edgardo. Entretanto, o especialista lamentou a falta de um plano estratégico para incentivar o turismo em El Salvador. “A região centro-americana é importantíssima em oportunidades turísticas. Temos tantos recursos: história, cultura, natureza, o mundo maia, dois oceanos em curtas distâncias entre si e vulcões”, enumerou Edgardo.

Em apenas 523 mil quilômetros quadrados de área, os sete países da América Central (Belize, Costa Rica. El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá) oferecem inúmeras possibilidades turísticas, entre as quais a rota maia com imponentes sítios arqueológicos rodeados por espessa vegetação. O istmo também possui uma cadeia montanhosa que inclui mais de cem vulcões, rios e lagos, junto com dois oceanos que banham seu território, Atlântico e Pacífico. Apesar de possuir estes tesouros turísticos, a chamada “indústria sem chaminés” não decola na maior parte da região por diversos obstáculos.

O caso hondurenho é peculiar. “O golpe de estado de junho de 2009 contra Manuel Zelaya nos atrasou muito em tudo, incluindo o turismo, porque a imagem do país no estrangeiro ficou prejudicada”, disse à IPS Iveth Lagos, da JM Tours de Honduras. O turismo é a segunda fonte de divisas do país, atrás do dinheiro enviado por seus emigrantes, destacou a empresária do setor. Em 2010, o Instituto Hondurenho de Turismo informou que a renda com essa atividade ficou em torno de US$ 660 milhões, 5% a mais do que no ano anterior.

Iveth destacou a importância do turismo, porque representa importante renda para a população rural em suas distintas variantes, como ecoturismo, trilhas e outras opções vinculadas a formas de vida tradicionais e à natureza. “Muitas culturas vivas recebem apoio para o desenvolvimento de suas comunidades com as visitas dos turistas, enquanto as visitas aos parques e às reservas ecológicas nos obrigam a cuidar melhor delas”, explicou. Envolverde/IPS

Danilo Valladares

Danilo Valladares, valladaresgt@gmail.com. Comunicador social con 10 años de experiencia en Guatemala, escribe para IPS sobre desarrollo y derechos humanos en su país y el resto de América Central. Ha trabajado en las secciones nacionales de los diarios guatemaltecos Prensa Libre y elPeriódico. Fue asesor de medios de comunicación de los ministerios de Educación y Comunicaciones del país y tiene experiencia en el campo de la comunicación estratégica en campañas sociales y en la elaboración de estrategias de comunicación municipales.

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