Ban Ki-moon desmente planos para derrubar Gadafi

Nações Unidas, 28/03/2011 – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, desconsiderou as intensas especulações sobre o suposto propósito oculto dos ataques militares conduzidos por Estados Unidos na Líbia, de derrubar o líder Muammar Gadafi. “Temos um objetivo muito claro: fornecer proteção aos civis e salvar vidas”, disse Ban no dia 24 aos jornalistas, apenas terminada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU. Entretanto, Ban foi inequívoco ao afirmar que Gadafi “está matando seu próprio povo”. O que a ONU tenta fazer, sob os termos da Resolução 1973 adotada pelo Conselho de Segurança, é prevenir mais mortes, acrescentou.

A resolução não foi concebida para “substituir o regime” líbio, disse Ban, destacando o papel das Nações Unidas em resolver uma crise humanitária que já fez fugirem da África do Norte 330 mil pessoas. Essa Resolução foi criada com o declarado objetivo de frear a ofensiva de Gadafi contra civis rebeldes, que começaram no mês passado a reclamar o fim de seu governo e que, graças a uma importante deserção de militares, tomaram o controle de algumas cidades e de uma parte do armamento do Exército.

Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, repetiu uma e outra vez que Gadafi perdeu legitimidade como governante e deve abandonar o cargo, enquanto os bombardeios incluíram em seus alvos o complexo de edifícios onde vive o governante, no poder desde 1969. Quando o Conselho de Segurança adotou a resolução 1970, que impõe sanções econômicas e militares à Líbia, ordenou aos 192 Estados-membros da ONU que “notificassem” ao secretário-geral sobre a forma como tentavam executar as medidas punitivas contra a Líbia.

Contudo, até o dia 24, apenas dois dos 11 países, os árabes Catar e Emirados Árabes Unidos, informaram Ban que estavam participando da ação contra a Líbia. Os outros nove envolvidos na operação para aplicar as resoluções da ONU (Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Noruega) são nações ocidentais que também formam a aliança militar Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A Otan informou a Ban sobre sua decisão de continuar uma operação coletiva para fazer cumprir o embargo de armas à Líbia, além de seu papel nos ataques para cumprimento da zona de exclusão de voos. Os Estados Unidos estão preocupados porque várias nações, como Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita, não aderiram aos países dispostos a agir contra Gadafi.

Kuwait e Arábia Saudita, históricos aliados de Washington, parecem estar descontentes porque o governo de Obama não demonstrou apoio ao Bahrein, outro regime árabe em apuros, que enfrenta maciças manifestações pró-democracia. Washington criticou o Bahrein, sobretudo porque decidiu reprimir manifestantes civis usando força militar.

O porta-voz de Ban, Martin Nesirky, disse aos jornalistas que os Estados-membros estão procedendo à notificação ao secretário-geral sobre seu cumprimento da Resolução. Mas as notificações “não necessariamente significam que estão tomando parte em uma ação militar”, explicou. Na sessão do Conselho de Segurança do dia 24 Ban exortou a comunidade internacional a atuar de forma coletiva para evitar uma crise maior.

“Espero que a comunidade internacional continue agindo com total diligência para evitar mortes de civis e danos colaterais”, disse Ban ao Conselho, enquanto continuavam as informações de ataques aéreos e com mísseis na Líbia. Ban criticou o governo líbio, pois insiste em estar aplicando um cessar-fogo que nunca colocou em prática. Ao contrário, disse o secretário-geral, houve duras batalhas dentro ou nos arredores das cidades de Ajdabiya, Misurata e Zitan, entre outras. “Em resumo, não há evidência de que as autoridades da Líbia tomaram medidas para cumprir as obrigações emanadas das resoluções 1970 e 1973”, afirmou.

As duas resoluções adotadas recentemente determinam um cessar-fogo e a total proteção dos civis. Ban disse estar muito preocupado pela situação da população civil, pela violação de direitos humanos e do direito humanitário internacional, e pela falta de acesso a serviços e produtos básicos nas zonas sitiadas. Além disso, acrescentou, as ameaças de Gadafi são reiteradas uma e outra vez pela televisão nacional.

“Continuam as prisões de jornalistas. Os correspondentes estrangeiros em Trípoli descreveram à missão da ONU o estado de medo geral em que vive a população, o rígido controle exercido pelas forças de segurança e casos de prisões e desaparecimento”, afirmou Ban. Envolverde/IPS

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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