Netanyahu entre o statu quo e o vazio de poder

Jerusalém, Israel, 30/03/2011 – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode se orgulhar, por agora, da estabilidade de seu governo, quando o Oriente Médio balança em um vazio de poder. Muitos israelenses começam a duvidar se no médio prazo seu próprio líder não perderá o rumo. Os israelenses se viram, de repente, envolvidos em uma violenta agitação, após um prolongado período de calma, ao estourarem as revoltas populares nos países árabes, serem interrompidas as conversações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e a incessante construção dos assentamentos na Cisjordânia.

O primeiro atentado à bomba em Jerusalém após três anos custou a vida de um cidadão britânico e deixou vários israelenses feridos. Depois, cinco membros de uma família judia foram assassinados em uma das colônias. Além disso, morreram em um só dia quatro integrantes de uma família palestina e vários combatentes durante um bombardeio israelense em represália ao lançamento de foguetes feito pelo Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) contra várias cidades do sul de Israel, o que não acontecia desde o ataque de Israel contra Gaza em 2009. Muitos israelenses lembram da época em que Hosni Mubarak era presidente do Egito, o principal aliado árabe de Israel na região, pois está claro que o novo governo no Cairo está mais preocupado com sua própria transição democrática do que com a paz entre seus vizinhos. Autoridades israelenses alertaram que o Irã exerce influência sobre seus vizinhos por meio da Síria, especialmente sobre o Líbano e o território palestino de Gaza.

A República Islâmica, suspeitam eles, coloca à prova o vazio de poder que ficou na região após a revolta popular do Egito. O argumento dos israelenses se baseia em episódios como a passagem de uma fragata iraniana pelo canal de Suez rumo à Síria e o envio de mísseis terra-ar e outras armas de contrabando do Irã para Gaza, interceptados há duas semanas por comandos israelenses.

Ao completar dois anos de seu mandato, Netanyahu é a antítese de um dirigente exaltado em franco contraste com seu antecessor, o centrista Ehud Omert, mais favorável à paz e que deixou sua marca com duas guerras sem verdadeiros resultados, uma contra o libanês e xiita Hezbolá (Partido de Deus), em 2006, e outra em Gaza, com negociações de paz inconclusas.

O primeiro governo de Netanyahu (1977-1999) se caracterizou por sua reticência em embarcar tanto em iniciativas de paz quanto em operações militares. A principal marca de seu atual mandato é o comedimento que mostra diante das pressões dos extremistas de sua coalizão direitista para que Israel “invada” Gaza e “elimine o Hamás”.

Antes de se reunir com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, no dia 25, Netanyahu declarou que Israel estava disposto a responder com força aos ataques com mísseis lançados desde Gaza, mas seu escritório divulgou um comunicado esclarecendo que no encontro o primeiro-ministro se referiu a uma reação “medida”. Netanyahu tem uma limitada margem de manobra devido ao crescente isolamento diplomático em que vive, produto do fracasso das negociações de paz com os palestinos que, segundo a comunidade internacional, obedece à sua política nos assentamentos. Dificilmente o primeiro-ministro poderia justificar uma invasão em Gaza quando a Organização das Nações Unidas impõe uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, contra o regime do coronel Muammar Gadafi, que exclui a participação de forças terrestres.

Pierre Klochendler

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