GABERONE, 14/04/2011 – “O Grupo das Mulheres Na Política do Botswana (BCWP) não conseguiu atingir os objectivos que pretendia, mas não vai desistir deles,” afirma Margaret Nasha. O BCWP é uma plataforma criada para permitir às mulheres de todos os partidos políticos reunirem-se e apoiarem-se mutuamente na tentativa de imprimir a sua marca num campo dominado por homens.
Quando foi criado há 1ano, os seus membros estavam inicialmente limitados às mulheres no Parlamento. Nasha, a primeira mulher a desempenhar o cargo de Presidente do Parlamento do Botswana, explicou que, após quatro anos, as mulheres chegaram à conclusão que apenas as mulheres do Partido Democrático do Botswana é que estavam a beneficiar dessa situação e, por isso, decidiram abrir o Grupo a todas as mulheres que fossem membros de um partido político.
O Grupo foi estabelecido para oferecer educação política às mulheres com a ambição de concorrerem a um cargo político.
“Realizámos bastantes seminários sobre essa matéria antes das mulheres contestarem as eleições primárias e, mais tarde, aquelas que ganharam ficaram habilitadas a fazer as campanhas e a deixar a sua marca nas suas diferentes áreas de interesse,” disse.
O Grupo também trabalhou no sentido de educar os eleitores. “Para simplificar, dissemos-lhes que era aceitável votar numa mulher que assumisse depois um cargo político, porque ela representaria as suas necessidades e aspirações como mães,” explicouNasha.
Sem sucesso
Nasha, que desempenhou funções durante algum tempo como presidente do Grupo, disse à IPS que os seus esforços não tinham produzido resultados após 14 anos de existência. “Não alcançámos nenhum progresso relativamente ao aumento do número de deputadas mas, pelo contrário, retrocedemos. Nos municípios locais, os números estão lá, mas ainda não são aquilo que queremos,” declarou, acrescentando ser necessário uma investigação cuidadosa sobre as razões deste fracasso.
Respondendo à sua própria pergunta, afirmou que a educação e a autonomização não tinham vencido os obstáculos materiais que as mulheres políticas eram obrigadas a enfrentar. As campanhas políticas era uma actividade dispendiosa e, segundo Nasha, as mulheres não dispunham de recursos suficientes para as fazer.
Talvez o BCWP tenha sofrido por estar associado ao Partido Democrático do Botswana (PDB) no poder, já que as mulheres nos partidos de oposição se mostram relutantes em participar – uma desconfiança encorajada pelos seus homólogos masculinos.
“Os homens que consultaram nos seus respectivos partidos disseram-lhes que o ingresso no BCWP significaria venderem os seus partidos ao PDB. Quando elas se aperceberam que precisavam dessa formação política e decidiram juntar-se ao Grupo, o partido no poder já tinha estabelecido uma maioria,” disse Nasha –ela própria membro do PDB.
Rhodah Sekgororoane, activista militante da Frente Nacional do Botswana, ocupou o cargo de vice-presidente do BCWP nos últimos 11 anos. “Antes de fazer parte do Grupo não conseguia levantar-me para falar no pódio como um verdadeiro político. Tinha falta de confiança e não acreditava em mim própria,” disse.
“Para dizer a verdade, o Grupo seria uma boa ferramenta para as mulheres políticas, mas está a ser destruioa pelas próprias mulheres,” acrescentou.
Embora ela própria ter desempenhado funções no Grupo, alega que os membros do PDB querem ocupar todos os cargos superiores e usar o seu número para votarem apenas nas mulheres dos partidos da oposição que pensam poderem ser manipuladas.
“Isto é apenas uma espécie de uma extensão da Liga das Mulheres do PDB,” concluíu.
É preciso uma participação mais alargada
Mas Pinkie Mekgwe, professora da Universidade do Botsuana e conceituada especialista em assuntos de género, afirma que o Grupo é uma estrutura útil. “Tem menos a ver com a orientação a favor de alguns partidos políticos, e muito a ver com as mulheres que estão activamente envolvidas na política e que não são ainda suficientes no importante patamar de tomada de decisões ou formulação de políticas.”
Mekgwe disse à IPS que, mesmo que haja problemas entre as mulheres no Grupo, só se houver um número suficiente de mulheres que apoiam a estrutura é que se poderá dizer definitivamente se ela é benéfica ou não.
Disse ainda que havia muitas mulheres visíveis durante as campanhas e conferências partidárias, mas que não participavam no Grupo.
“Precisamos de ver as mulheres que cantam a apoiar-nos e a votar a favor de outras mulheres para posições-chave onde podem ficar mais envolvidas no processo de transformação de políticas e de tomada de decisões,” afirmou.
Moggie Mbaakanyi, presidente do Grupo eleita no final do ano passado, disse que os partidos políticos não estão empenhados no processo de autonomização das mulheres. “Noutros partidos há quotas de 30 por cento mas, na prática, não é isso que vemos.”
“Não há nenhum sistema de quotas para que as mulheres ingressem nos Comités Centrais,” disse, acrescentando que o partido no poder não acredita em quotas e que, enquanto não estabelecer esse sistema, a situação não pode mudar para que um maior número de mulheres entre no Parlamento ou municípios.
Mbaakanyi, que também pertence ao PDB, afirmou que, durante o seu mandato, irá procurar alterar as leis eleitorais. Explicou que o sistema mioritário uninominal não funciona a favor das mulheres. “Temos de ver como é que as leis podem ser alteradas,” prometeu.
Resta saber se as mulheres dos diferentes partidos políticos, que vivem os mesmos desafios, conseguirão falar com uma só voz com o objectivo de se imporem na política do Botswana.
Um jovem estudante de estudos políticos na Universidade do Botswana, Mpho Elliot, afirmou ser necessário que os políticos se envolvam com a juventude em estruturas semelhantes por forma a mudar mentalidades e atitudes desde jovens.
“Mudar atitudes não é um acontecimento mas um processo, e é aqui que a frase ‘apanhem-nos novos’ entra em jogo.”

