Agricultor dos camarões não se deixa derrotar pela draca precipitação

SANTA, Camarões, 17/05/2012 – Olivier Forgha Koumbou lava num pequeno ribeiro algumas cenouras acabadas de colher e consome-as com satisfação. A sua próspera exploração em Santa, na região do Noroeste dos Camarões, parece um milagre no meio das explorações agrícolas vizinhas onde cenouras, alfaces, batatas e alho-porro murcharam e morreram. Caiu alguma chuva aqui no início de Março, mas não foi suficiente para evitar que o sol destruísse as colheitas depois dos métodos tradicionais de irrigação terem fracassado devido à baixa precipitação. Na região do Noroeste, a precipitação anual média é pouco mais de 380 mm, quando deveria situar-se entre os 1.000 e os 2.000 mm.

"As explorações agrícolas falharam este ano," disse à IPS Tembene Tangwan, agricultor de 43 anos.

Explicou que, devido à baixa precipitação, não pode usar o método tradicionnal de irrigação de colheitas.

"Costumávamos trazer água canalizada de uma altitude mais elevada para as nossas explorações agrícolas e usar aspersores de água para a irrigação. Mas, agora, as fontes de água estão a secar e a baixa pressão no sistema não consegue transportar a água pelos canos," disse.

"Só nos resta rezar para que as chuvas regressem," acrescentou.

Mas o seu vizinho Koumbou, de 32 anos, não está inactivo a rezar para que as chuvas regressem. Conforme vai passando pela sua colheita de cenouras, afirma com orgulho: "Desenvolvemos novas estratégias quando temos de enfrentar um desafio adicional."

Em vez de ficar parado e ver as colheitas murchar, Koumbou começou a recolher água.

"Descobri que, durante a noite, aumentava o volume de água num riacho aqui próximo. Portanto, comprei recipientes para armazenar a água e durante a noite envio os trabalhadores da minha exploração agrícola para a recolher. A água é depois usada durante o dia para irrigar as colheitas," explicou à IPS.

Koumbou já está a estabelecer um padrão e os outros agricultores começam agora a copiar os seus métodos. "É a única forma de ultrapassarmos a situação," declarou Christopher Neba, que também começou a recolher a água.

Koumbou cultiva cenouras, batatas, couves, alfaces e alho-porro há 25 anos. Conta que a mãe o apresentou ao mundo da agricultura quando tinha uma tenra idade.

"Quando fiz sete anos, comecei a acompanhar os meus pais à exploração agrícola. Desde então continuei a ser agricultor."

Hoje em dia, obtém um lucro médio de quase 5.000 dólares por ano. Mas este ano acredita que vai fazer mais dinheiro.

"O facto de muitos agricultores terem perdido a esperança e abandonado as suas explorações agrícolas quer dizer que este ano os preços vão aumentar de forma significativa, e isso vai traduzir-se em mais lucros para mim. Tenho pena dos meus vizinhos, mas a situação é mesmo esta," disse.

Embora não existam dados concretos sobre o número de agricultores que abandonaram a agricultura, não é uma situação que é bem recebida num país que está, em larga medida, dependente da importação de alimentos.

Os Camarões gastam uma média de 122 milhões de dólares por ano na importação de arroz, sorgo e milho-míudo. No ano passado, a redução da produção de arroz levou à importação de 80.000 toneladas, que custaram 240 milhões de dólares.

Isto aconteceu numa altura em que existe insegurança alimentar no país. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas afirma que 400.000 pessoas no norte dos Camarões necessitam de 40.000 toneladas de ajuda alimentar para evitar a fome.

Entretanto, o delegado regional do Noroeste responsável pela agricultura, Cletus Awah, culpa a escassez de água nas práticas agrícolas irresponsáveis.

"Já dissemos aos agricultores que limitem as suas explorações de modo a situarem-se a pelo menos 15 metros da fonte de água. Mas, muitas vezes, eles praticam a agricultura mesmo em cima das margens do rio, destruindo a vegetação que protege as fontes de água e, por isso, é de esperar que os níveis de água baixem," disse Awah à IPS.

Awah acredita que a solução para o abastecimento de água, que está a diminuir, aparecerá quando os agricultores começarem a proteger as fontes de água. "Os agricultores devem parar imediatamente a agricultura realizada demasiado perto dos riachos, ribeiros e zonas húmidas," acrescentou.

Koumbou atendeu ao pedido.

"É nossa culpa que as fontes de água estejam a secar," disse. "Descobrimos que as terras húmidas aqui eram tão férteis que as cultivámos sem pensar nas consequências. Gradualmente a água recuou e agora estamos a pagar o preço. Este ano não plantei colheitas nas terras húmidas na minha exploração agrícola e é por esse motivo que ainda tenho alguma água."

Entretanto, o departamento regional de agricultura também acredita que a recolha de água é uma solução a curto prazo para os agricultores.

"Planeamos construir, com urgência, instalações para o armazenamento de água para que a pouca água disponível possa ser recolhida e armazenada para eventual utilização por parte dos agricultores na irrigação das suas colheitas," disse Awah. Adiantou que a estratégia a longo prazo é plantar árvores que ajudem a proteger as fontes de água.

Ngala Killian Chimtom

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