Mulheres, essenciais na Agenda Pós-2015

Milhões de mulheres no mundo não têm acesso aos serviços de planejamento familiar. Foto: Zofeen Ebrahim/IPS

Milhões de mulheres no mundo não têm acesso aos serviços de planejamento familiar. Foto: Zofeen Ebrahim/IPS

Por Thalif Deen, da IPS – 

Nações Unidas, 4/1/2016 – A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são indispensáveis para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados por governantes de todo o mundo em setembro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu em sua mensagem política que o mundo jamais conseguirá 100% de seus objetivos de desenvolvimento enquanto as mulheres – isto é, pelo menos 50% de seus habitantes– sejam tratadas “como participantes plenas e iguais em todos os setores”.

Reafirmando essa mensagem, Lakshmi Puri, diretora executiva adjunta da ONU Mulheres, afirmou à IPS que a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são indispensáveis para a realização do desenvolvimento sustentável. Isso se reflete nos resultados da Agenda de Ação de Adis Abeba sobre Financiamento para o Desenvolvimento, aprovada em julho de 2015 na capital da Etiópia, e nos ODS, que deverão ser cumpridos até 2030 em substituição aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Puri afirmou que tanto a Agenda de Ação quanto os ODS se comprometem a conseguir a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas, inclusive mediante maior investimento para fechar a brecha de gênero. “Vamos conseguir a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres”, afirma o primeiro parágrafo da Agenda de Adis Abeba.

Segundo Puri, os ODS reconhecem que a desigualdade de gênero é a mãe de todas as desigualdades, dentro dos países e entre eles, e também incluem um objetivo individual sobre a igualdade de gênero. Os 17 ODS propõem acabar com a fome e a pobreza e garantir uma vida saudável, alcançar a igualdade de gênero, proteger o ambiente mundial e garantir energia sustentável, entre outros, até 2030.

Em uma reunião de alto nível sobre as mulheres no poder e a tomada de decisões, realizada no início de 2015, Ban Ki-moon reconheceu que hoje em dia há muito mais mulheres na política em todo o mundo do que no passado. “Mas o progresso é extremamente lento e desigual”, ressaltou.

As mulheres não têm igualdade plena em nenhum país, afirmou o secretário-geral, acrescentando que, em média, ocupam apenas 20% das cadeiras legislativas nacionais. Em todo o mundo, há 20 mulheres chefes de governo ou de Estado. Porém, cinco países não possuem legisladoras em seus parlamentos e oito governos carecem de ministras no gabinete, pontuou Ban.

O secretário-geral lembrou que em muitos países as mulheres sofrem violência doméstica, mutilação genital e outras formas de violência. “Esses atos traumatizam as pessoas e prejudicam nossas sociedades. Não podemos defender os direitos humanos nem avançar no desenvolvimento se não pusermos fim à epidemia mundial de violência contra as mulheres e as meninas”, ressaltou Ban.

Segundo Puri, “temos uma oportunidade única em um século – a maior da história – para nos darmos conta da verdadeira promessa e do potencial da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres e da realização de seus direitos humanos”. Pela primeira vez – prosseguiu a diretora da ONU Mulheres –, a essência da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres são reconhecidos e reafirmados, e a Agenda 2030 afirma que “o desenvolvimento sustentável não é possível enquanto se continuar negando a metade da humanidade a plenitude de seus direitos humanos e de suas oportunidades”.

“A igualdade de gênero é vista cada vez mais como uma missão possível. O ODS 5 (dedicado, global e transformador) tem a ver com a realização e não apenas com a promoção da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres e meninas, e sem deixar ninguém para trás”, afirmou Puri. Existe o compromisso de aumentar significativamente o investimento para fechar a brecha de gênero, fortalecer as instituições de igualdade de gênero e integrar sistematicamente a igualdade de gênero e o empoderamento da mulher em todos os aspectos da execução do programa 2030, acrescentou.

De acordo com Puri, acabar com todas as formas de discriminação contra as mulheres e meninas na legislação e na prática e pôr fim à violência contra as mulheres são metas de desenvolvimento sustentável, assim como a valorização do trabalho de cuidados não remunerado que as mulheres realizam e sua participação e liderança na vida econômica, política e pública.

Entre essas metas também estão o acesso universal à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos, e a igualdade no acesso aos mesmos, à propriedade e ao controle sobre os recursos e o empoderamento econômico, destacou Puri. E também existe o compromisso de acelerar o ritmo de execução e a mudança para que a igualdade de gênero e o empoderamento sejam alcançados nesta geração, enfatizou. Envolverde/IPS

*Este artigo integra um projeto de mídia da IPS América do Norte, Global Cooperation Council e Devnet Tokio.

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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