Política: Bush não convence o mundo árabe

Washington, 09/12/2005 – A opinião pública de seis países do Oriente Médio sobre o governo de George W. Bush endureceu no último ano, segundo recente estudo do Instituto Árabe-norte-americano (AAI). Isto é atribuído pelo instituto Zogby Internacional de opinião pública, que realizou o estudo para a AAI, à guerra do Iraque e ao tratamento dados pelos Estados Unidos aos muçulmanos em geral. Os esforços do presidente Bush para convencer o mundo árabe de que promove a democracia não rendeu frutos na vasta maioria dos árabes, com exceção dos cristãos do Líbano, segundo o coordenador do estudo e presidente da AAI, James Zogby.

Além desse país, a pesquisa foi realizada na Arábia Saudita, no Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Marrocos. "No Egito e na Arábia Saudita, os dois países nos quais Washington concentrou sua mensagem democratizadora, os esforços foram um tiro pela culatra", disse Zogby. "Quatro por cento dos entrevistados no Egito e 9% dos ouvidos na Arábia Saudita disseram que o fomento da democracia e as reformas impulsionadas por Bush eram o fator mais importante para determinar sua atitude em relação aos Estados Unidos", acrescentou. "Mais de 80% dos que assim respondiam disseram que esse esforço piorava sua visão de Washington", ressaltou Zogby.

O estudo também detecta um crescente pessimismo, particularmente na Jordânia e no Egito, sobre a "possibilidade de paz" no Oriente Médio, comparado com os resultados da primeira pesquisa feita pela AAI, em 2002. A última, com um total de 3.900 entrevistas de pessoas escolhidas ao acaso em diferentes setores sociais urbanos e rurais, foi realizada de forma paralela a outra coordenada pelo Departamento de Paz e Desenvolvimento da Universidade de Maryland. A pesquisa deste centro de ensino, cujos resultados foram divulgados em Washington na semana passada, concentrou-se na visão dos árabes sobre a política internacional.

Por outro lado, o estudo da AAI incluiu um gama maior de perguntas destinadas a conhecer detalhes da visão política em nível nacional e da vida pessoal dos entrevistados. O estudo constatou que as principais preocupações da vasta maioria dos árabes não se relacionam com a política internacional, mas com assuntos mais domésticos, como suas famílias, a qualidade do trabalho, a religião e o casamento. Entretanto, a religião caiu sensivelmente na lista das nove preocupações principais, em relação à pesquisa de 2002, sobretudo na Jordânia e no Egito. Consultados sobre a importância que dão aos problemas de seus próprios países, a maioria privilegiou o emprego, os serviços médicos, a corrupção e o nepotismo e o sistema educacional, nessa ordem.

Por outro lado, "combater o extremismo e o terrorismo", "avançar na democracia", a "falta de debate político" e a "proteção dos direitos pessoais e civis" – assuntos prioritários na agenda do presidente Bush – figuravam na ponta final da lista. "Resolver o conflito palestino-isralense", a segunda prioridade da pesquisa do ano passado, caiu para o sétimo lugar. As maiores quedas foram registradas no Líbano e nos Emirados Árabes Unidos. Apesar do pessimismo predominante em torno da paz no Oriente Médio, o estudo revela que cada vez mais árabes acreditam que seus filhos estarão "melhor", especialmente na Arábia Saudita, em relação à pesquisa de 2001. A única exceção nesse sentido foi o Egito.

A pesquisa também conclui que importantes maiorias dos árabes dos seis países aceitam o trabalho das mulheres, especialmente se é para ajudar economicamente suas famílias, embora, também – mas em menor medida – para "encontrar uma carreira" ou "porque elas querem". A brecha de gênero foi evidente nestas respostas, pois as mulheres defenderam suas possibilidades de trabalhar mais do que os homens, particularmente no Egito, Marrocos e Arábia Saudita. A identidade nacional se tornou mais importante do que em 2002, segundo o estudo. A maioria dos entrevistados no Egito e Líbano, e grande quantidade dos que foram ouvidos na Jordânia, no Marrocos e na Arábia Saudita optaram por manifestar que se sentiam mais identificados com seus respectivos países do que com a família, a religião e o "ser árabe". Estas duas últimas categorias haviam dominado a pesquisa de 2002.

Em sua última edição, o estudo de Zogby detectou ligeira melhora na perspectiva do público árabe em relação aos Estados Unidos, em comparação com 2004, quando o sentimento estava dominado pela guerra no Iraque. Manifestaram opinião desfavorável 89% dos entrevistados na Arábia Saudita, 85% dos egípcios, três em cada quatro nos Emirados e dois em cada três jordanianos, marroquinos e libaneses. As opiniões em relação à China foram muito mais favoráveis, especialmente no Egito, na Jordânia e no Marrocos. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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