Desenvolvimento: Criar um novo paradigma com outro fórum

Rio Grande, Porto Rico, 09/12/2005 – Nem o encontro empresarial de Davos nem o Fórum Social Mundial são caminhos que incentivam a um mundo melhor, pois um só busca formas de criar mais riquezas, e outro como reparti-la melhor, afirmou um dos líderes do Fórum Humano, que nesta quinta-feira iniciou sua reunião anual. Neste encontro "nos religamos com o verdadeiramente humano e caminhamos para a meta de integrar o amor às nossas ações", disse à IPS Arsenio Rodríguez, diretor da Aliança para a Nova Humanidade, que reúne uma variedade de organizações e líderes sociais do mundo empresarial, dos direitos humanos, da filantropia, do meio ambiente e dos meios de comunicação, entre outros. Amor, paz e conectividade são algumas das palavras mais ouvidas entre as centenas de participantes, que estarão reunidos até o próximo sábado em um luxuoso hotel do município de Rio Grande, em Porto Rico, a cerca de 22 quilômetros de San José, sob o lema "O poder da unicidade, conectando as sementes da nova humanidade".

"Os modelos atuais de desenvolvimento não servem, a distribuição da riqueza é ruim, a Organização das Nações Unidas está em bancarrota como instância negociadora e o unilateralismo dos Estados Unidos prevalece. Por isso é necessário criar novos modelos onde o homem e sua fidelidade estejam no centro", afirmou Rodríguez. Mas esse objetivo não parece disperso e até romântico no mundo atual?, pergunta-se a Rodríguez. "Estamos dando nossos primeiros passos e acreditamos que é possível fazê-lo, com os que apostamos em um mundo mais humano, harmônico e em paz nos juntando e nos conectando", responde.

Rodeados de praias, piscinas, um gigantesco campo de golfe e restaurantes que oferecem pratos da alta culinária, os participantes do Fórum Humano compartilham suas experiências, debatem sobre a situação internacional e traçam estratégias para impulsionar seu projeto. O fórum "promove o diálogo e a inspiração para demonstrar que o caminho é possível e que já está ocorrendo através da inspiração individual, da consciência do poder das comunidades, da ação coletiva e da colocação em prática de soluções no contexto de uma nova consciência", segundo a convocação para a reunião. Os organizadores dizem, ainda, que "estamos diante de um estado de emergência humana sem precedentes", pois, apesar dos avanços registrados na ciência e na tecnologia, "há uma exacerbação da desigualdade" e os avanços científicos são usados para desenvolver armas cada vez mais destrutivas.

"Mais de US$ 900 bilhões são gastos anualmente na indústria militar e não aparecem os US$ 40 bilhões ou US$ 50 bilhões necessários para solucionar de vez a crise alimentar, a saúde e a educação que afeta metade da humanidade", lamentam os presentes ao encontro. Esta reunião de Rio Grande é a terceira de seu tipo desde 2003, quando a convite do Senado do Estado livre associado norte-americano de Porto Rico foi realizada a Conferência de Paz na Paz, instância onde foi criada a Aliança para a Nova Humanidade.

Entre seus fundadores estão Oscar Arias, que foi presidente da Costa Rica de 1986 a 1990 e ganhou o prêmio Nobel da Paz; o escritor e médico indiano-norte-americano Deepak Chopra; o juiz espanhol Baltazar Garzón; a defensora dos direitos humanos, Kerry Kennedy, dos Estados Unidos, e a ativista israelense, Sara Ozacky-Lazar, co-diretora do Centro Árabe-israelense para a Paz. Também integram o grupo o empresário e filantropo norte-americano, Raymond Chambers, e o cantor porto-riquenho Ricky Martin.

Para o Fórum Humano de Porto Rico, cujo programa inclui jornadas de meditação guiadas por Chopra, e cujos livros sobre desenvolvimento espiritual são vendidos aos milhões, os organizadores construíram em um salão do hotel uma praça na qual, em um cenário pintado de branco existem pequenos cubículos onde os participantes expõem suas experiências através de slides, vídeos e livros. Pode-se encontrar delegados da Fundação Arias para a Paz e o Progresso Humano, criada pelo ex-presidente costarriquenho; do programa de televisão Chat de Planet (Conversando com o Planeta); do Centro Chopra para o Bem-Estar; do Instituto pela Justiça e Democracia no Haiti; de Kiej das Florestas da Guatemala; da Fundação Ricky Martin, e do Instituto de Imaginação Mítica.

Entre os temas que abordam estão "o poder da paz restaurando o sagrado da vida", "o poder da natureza, buscando a harmonia", "o poder do coração, o despertar da nova consciência", e "o poder da Aliança, mostra, inspira, conecta". O Fórum Humano não é um sonho ingênuo, mas um caminho adequado para somar esforços por um mundo melhor. É preciso buscar a justiça, considerando a conexão com a natureza, com o espírito e o amor", disse Rodríguez.

O dirigente considera que isso não é feito pelos demais fóruns mundiais, como o empresarial, que no começo de cada ano reúne líderes de corporações e governantes no centro turístico de Davos, nem sua contraparte nascida em Porto Alegre para congregar ativistas sociais e grupos altermundistas sob o lema "Outro mundo é possível". O Fórum de Davos busca, em essência, o modo de multiplicar o dinheiro e o lucro, e o de Porto Alegre com reparti-los melhor, mas nenhum inclui a dimensão humana", afirmou. O fórum Humano e a Aliança para a Nova Humanidade operam como um "serviço de encontros", explicou Rodríguez. "Nós facilitamos para que aqui se reúnam e se conectem pessoas e grupos que trabalham por uma nova humanidade, somos um espaço de pensamento", acrescentou. (IPS/Envolverde)

Diego Cevallos

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