Londres, 11/04/2006 – A globalização também chegou às organizações não-governamentais, que necessitam cada vez mais de mão-de-obra especializada em qualquer parte do mundo. Para atender essa demanda, acaba de surgir a primeira agência internacional de seleção de "pessoal humanitário". A Global Charity Jobs (Trabalhos Humanitários Globais) pretende fornecer soluções em matéria de seleção de pessoal pela Internet para o setor que trabalha sem fins lucrativos: organizações beneficentes, fundações, institutos de educação superior e do setor cultural, e até agências da Organização das Nações Unidas.
A entidade espera ajudar quem necessita cobrir postos nas áreas de liderança, desenvolvimento, arrecadação de fundos, finanças, administração, técnicas mercadológicas, recursos humanos, novos meios de comunicação e ativismo. Iniciativa conjunta das empresas de seleção de pessoal CR Search and Selection (CRSS) e Daryl Upsall Consulting Internationl (Duci), a Global Chartiy Jobs vai colocar as organizações humanitárias em contato com os postulantes, sem importar onde se encontrem. A companhia internacional a cargo da Global Charity Jobs se chamará Global Recruitment Ltd., e será propriedade das duas agências de seleção de pessoal.
"Como agência internacional de busca, estamos presenciando um maior movimento global de pessoas no setor não lucrativo", disse à IPS Olga Johnston, presidente da CR Search and Selection, com sede em Londres. "Há muito tempo se precisava deste novo e interessante serviço internacional", afirmou a presidente da Duci, Daryl Upsall. "Após ter trabalhado com ongs internacionais em cerca de 40 países durante os últimos anos, sempre busquei um lugar onde pudesse encontrar oportunidades de trabalho nesse tipo de organização, seja na Austrália, Índia, Argentina ou Itália. Agora, isso é possível", acrescentou.
Embora a CRSS e a Duci já se dediquem ao recrutamento internacional de pessoal, Upsall disse que a Global Charity Jobs estará "100% centrada" em um amplo setor do mundo não lucrativo. "A seu tempo, também esperamos nos estender para versões em francês, espanhol, alemão e, quem sabe, em poucos anos, mandarim", acrescentou. Upsall já dá aulas sobre como recrutar e manter pessoal dedicado a arrecadar fundos no Canadá, Holanda e Grã-Bretanha. Até agora, as organizações não-governamentais centraram a contratação principalmente no emprego local, ressaltou.
"Em certos mercados de ongs bem desenvolvidas, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Grã-Bretanha, existem as agências e os sites especializados, mas só têm valor para as entidades e as pessoas que buscam trabalho dentro desses países. Se uma ong internacional, ou uma agência da ONU com sede em Genebra, precisava contratar um diretor regional para arrecadar fundos para a África austral não tinha um lugar especial para anunciar a vaga perante uma audiência global. O mundo das ongs está se internacionalizando e globalizando, em boa parte como o setor corporativo", afirmou Upsall.
Pela primeira vez, ongs nacionais e internacionais terão um lugar para anunciar novas oportunidades de trabalho. Aos candidatos serão dados conselhos sobre como se apresentar e se preparar para entrevistas. Com escritórios em Londres e Madri, a Global Charity Jobs tem associados com sede em Genebra e na maioria dos principais centros mundiais das grandes ongs. Jaap Zeekant, diretor e editor da revista holandesa Funds, que cobre temas de desenvolvimento internacional, deu as boas-vindas à iniciativa, e disse que usaria e apoiaria o serviço.
Zeekant o considerou muito necessário, pois o conhecimento sobre os trabalhos de arrecadação de fundos, por exemplo, atualmente está limitado a umas poucas áreas. "Trabalhar para organizações humanitárias significa trabalhar para tornar o mundo um lugar melhor, já que se o mundo é o lugar onde trabalhamos, as vagas são essencialmente globais", explicou á IPS. A comunidade de ongs "está se tornando cada vez mais global, as pessoas de todo o mundo se reúnem, se conectam, trabalham juntas e trocam conhecimentos. Um site para trabalhos globais é parte desse desenvolvimento", acrescentou. (IPS/Envolverde)

