Irã: Atento à Coréia do Norte e à ONU

Teerã, 13/10/2006 – Em sua primeira reação ao teste atômico pela Coréia do Norte, o Irã advertiu que a melhor maneira de deter a proliferação é que as grandes potencias desarmem a si mesmas. “A melhor solução para combater as armas nucleares é que as grandes potencias comecem a destruir seus arsenais”, disse o porta-voz do governo iraniano, Gholam Hossein Elham, à agência governamental de notícias Irna. Mas o Conselho Supremo de Segurança Nacional, principal órgão em Teerã encarregado de assuntos nucleares, ainda não se pronunciou sobre o teste norte-coreano. “Os funcionários falarão sobre generalidades. Esperarão para ver quais medidas o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas tomará contra a Coréia do Norte”, disse à IPS um analista da capital iraniana que pediu para não ser identificado.

O teste de uma bomba atômica por parte da Coréia do Norte aconteceu em uma semana na qual os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha previam discutir sanções contra o Irã por manter em funcionamento seu programa de desenvolvimento nuclear. Teerã rechaçou as acusações, e assegura não ter intenções de fabricar armas nucleares, mas no uso pacífico dessa tecnologia. “A República Islâmica do Irã está contra qualquer uso de armas de destruição em massa, e das armas nucleares, em particular”, disse Elham à Agência de Notícias de Estudantes Iranianos. Mas tais declarações não são surpresa, segundo o analista ouvido pela IPS. “No momento, o mais provável é que se ouça condenações pelo uso não-pacífico da energia nuclear em geral e acusações ao Ocidente por levar a Coréia do Norte a testar uma bomba atômica para melhorar sua posição negociadora”, afirmou.

A rede de televisão estatal Irib deu ampla cobertura ao teste nuclear norte-coreana e transmitiu um comentário a respeito, na segunda-feira. “A Coréia do Norte procura por fim às sanções”, da ONU “e às ameaças norte-americanas que não levaram a parte alguma, por isso não teve outra opção a não ser avançar no uso não-pacífico da energia nuclear”, afirmou a emissora. “O teste norte-coreano é uma advertência ao Conselho de Segurança Nacional para que enfrente com sabedoria os problemas internacionais, para que ponha fim às sanções contra a Coréia do Norte e para que prepare o caminho para o desarmamento universal através da implementação do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares” (TNP), acrescentou.

O Irã é signatário desse tratado e sempre insistiu que seu programa de desenvolvimento nuclear se restringe a esse contexto, sob plena supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica. De todo modo, anunciou que não tem intenções de suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Teerã anunciou reiteradamente sua posição, segundo Elham: se as grandes potências avançarem para o desamamento, outros países, particularmente os islâmicos, os aplaudirão. “Para deter as armas nucleares, as grandes potências devem começar por elas mesmas. As conseqüências do uso destas armas afetará toda a humanidade e não beneficiará ninguém”, afirmou.

“O Ocidente deve incentivar os membros do TNP a trabalharem pelo uso pacífico da tecnologia nuclear e ampliar sua cooperação para fortalecer o tratado”, disse à Irna o presidente do Comitê de Segurança Nacional do parlamento, Alaedin Boroujerdi. “A razão pela qual países como Paquistão, Índia, Coréia do Norte e Israel realizaram seus testes nucleares é que não fazem parte do TNP e não estão sob as regulamentações internacionais”, afirmou Boroujerdi. “Portanto, o Ocidente deveria incentivar países como o Irã a desenvolverem seus programas nucleares sob a supervisão da AIEA e no contexto das convenções internacionais”, acrescentou.

Além disso, recordou Boroujerdi, “o Irã é o único país que se opõe às armas nucleares com base em uma proibição religiosa” aos meios de destruição em massa, que foi emitida “pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. “O único meio de por fim a esta situação é uma decisão internacional que erradique as armas nucleares e ponha fim à sua proliferação. Mas enquanto os Estados Unidos, primeiro país a usar estas armas contra inocentes, continuar construindo esse tipo de armamento contrariando o TNP, o mundo continuará sendo testemunha destes testes nucleares”, acrescentou.

Por sua vez, o diretor do Centro de Estudos Estratégicos, dirigido pelo ex-chefe de negociadores iranianos em matéria de desenvolvimento nuclear, Hasan Rohani, considerou que “a ameaça da Coréia do Norte pode ser uma grande oportunidade para o Irã”. O jornal reformista Etemad Meli acusou o Ocidente de exercer demasiada pressão sobre a Coréia do Norte, obrigando este país a seguir o caminho já percorrido por Índia, Paquistão e outras nações. (IPS/Envolverde)

Kimia Sanati

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