Genebra, 25/01/2005 – O destaque do Fórum Econômico Mundial (FEM), que a partir desta quarta-feira reunirá na Suíça governantes, especialistas e executivos das maiores empresas multinacionais, é um tema de discussão com repercussões importantes que chama a "assumir a responsabilidade de decisões difíceis". O presidente do FEM, Klaus Schwab, explicou que essas decisões devem ser adotadas em "assuntos e problemas gerenciais, como o aquecimento global, África, os sistemas formais de seguridade social, a água como instrumento de segurança e outros".
Todas estas questões, que figuram entre os temas de maior atualidade e polêmicos dos programas políticos nacionais e internacionais, contêm interesses de lucro e também de estratégias globais, observaram no último fim de semana ativistas da sociedade civil suíça que manifestaram em Berna sua oposição a Davos. Os participantes da 23ª reunião, que têm novamente como sede a pequena localidade suíça de Davos, são os mesmos atores que em todo o mundo negam aos povos o acesso a bens vitais como, água, alimentação, saúde, ensino e direito à mobilidade, disse a filial suíça da Associação por uma Taxa sobre Transações Financeiras de Ajuda aos Cidadãos (Attac), o, grupo internacional nascido na França que critica os efeitos da globalização.
A lista de "temas duros" compreende o surgimento da China no cenário internacional e o significativo papel da Ásia. Outra questão é a mudança climática e a propriedade, que neste ano ganham importância especial porque figuram em um lugar de destaque da ordem do dia do Grupo dos Oito (G-8) países mais poderosos, comentou Schwab. Outros assuntos do debate serão a globalização eqüitativa, os temas da Europa e de seu papel no mundo, a economia mundial e os aspectos da governabilidade global.
O FEM também convida a se discutir o Islã, os desafios e debates internos nessa religião, sobre Oriente Médio e o desenvolvimento do problema na região, bem como as oportunidades para que avance o processo de paz. Os outros três assuntos são a liderança dos Estados Unidos e a compreensão das políticas a serem levadas adiante no segundo mandato do presidente George W. Bush, o comércio mundial, e as armas de destruição em massa.
A voz de ordem do também chamado Fórum de Davos, no sentido de assumir a responsabilidade de adotar decisões duras provém dos dirigentes que impõem suas políticas neoliberais e imperialistas cada vez mais agressivas, pela guerra e pela violência, disse Alessandro Pelizzari, da Attac Suíça. Em oposição, a resistência ao projeto simbolizado por Davos se reforça e se renova, como é demonstrado no Fórum Social Mundial, que acontece simultaneamente em Porto Alegre, e no Fórum Social Europeu, mencionou o ativista.
Schwab defende a amplitude de participação de Davos onde "temos uma voz potente" para os países em desenvolvimento, como demonstra a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários mandatários de nações africanas. Apesar de os países em desenvolvimento não estarem representados unicamente por governantes, pois também chegaram membros da sociedade civil e empresários sociais, todos têm atividade nesse campo, afirmou.
Mas entre Davos, que se reúne nesse centro turístico dos Alpes suíços entre 26 e 30 deste mês, e Porto Alegre existem diferenças, sentenciou o líder do Fórum Econômico Social Mundial. Davos não se baseia em uma ideologia específica, afirmou Schwab. Sua plataforma repousa em uma representação múltipla onde convivem muitas concepções diferentes, insistiu. Por outro lado, Porto Alegre se mantém muito preso a uma ideologia específica, afirmou.
Em Davos neste ano estarão mais de dois mil participantes, dos quais 50%, pelo menos, são empresários que pagam US$ 44 mil para assistir ou intervir nos debates e eventualmente manter algum contato com os governantes. Frédéric Sicre, um dos gerentes do FEM, disse que apenas 9% dos inscritos representam governos. Entretanto, o funcionário chamou a atenção para a grande representação do Grupo dos 20 (G-20), uma aliança de países em desenvolvimento liderada por Brasil, Índia, China e África do Sul, que atua nas negociações sobre agricultura da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O bloco envia a Davos 10 ministros de Finanças e outros 12 de Comércio, além de dois responsáveis das relações exteriores, detalhou Sicre. "Esse nível de representação do G-20 mostra a dimensão que este ano damos às sessões, mais enfocadas nos aspectos de desenvolvimento econômico e de comércio das questões propriamente políticas", explicou. Mas como sempre acontece em Davos, o exame de alguns assuntos fica restrito a figuras que ocupam lugares proeminentes em governos, empresas e centros acadêmicos.
Nesse círculo estreito se debaterá este ano a questão da natureza da luta contra o terrorismo, lançada pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Rick Asamans, outro gerente do FEM, estimou que os participantes avaliarão se se constitui uma guerra mundial, como alguns acreditam piamente, ou se trata de um esforço na área de política externa, segurança interna, direitos humanos, liberdades civis e de políticas.
Uma pesquisa de opinião divulgada pelo FEM entre os dirigentes de empresas, políticos e acadêmicos que participam este ano de Davos, mostrou que esse setor observa com maior pessimismo a segurança mundial. As maiores preocupações do grupo para 2005 estão centradas em um aumento do terrorismo, na expansão da guerra no Iraque para outras partes do mundo. (IPS/Envolverde)

