Jornalismo:: Iraque monopoliza a atenção americana em 2006

Washington, 04/01/2007 – Pelo quarto ano consecutivo o Iraque dominou a cobertura de assuntos internacionais em três dos principais noticiários da televisão dos Estados Unidos em 2006, de acordo com o anual Informe Tyndall. O conflito entre Israel e o movimento xiita libanês Hezbolá (Partido de Deus) ficou em segundo lugar, apenas à frente dos fatos relacionados com a “guerra mundial contra o terror”, incluindo a controvérsia interna sobre as táticas de interrogatório dos Estados Unidos contra suspeitos de terrorismo.

As notícias relacionadas ao Iraque representaram cerca de 15% dos 14.512 minutos de transmissão de notícias das redes de televisão aberta ABC, CBS e NBC durante o ano, quase a mesma porcentagem de 2005. A cobertura sobre o Iraque somou 2009 minutos. Os demais assuntos internacionais que integraram a lista de 20 notícias com maior cobertura do ano receberam uma atenção consideravelmente menor.

O conflito palestino-israelense e a luta de poder entre o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e o partido Al Fatah na Palestina receberam um total de 121 minutos, enquanto o ressurgimento do movimento Talibã no Afeganistão apenas 83 minutos, diz o informe. “Os assuntos internacionais foram vistos no ano passado exclusivamente através do prisma da guerra e do terrorismo. As notícias sobre desenvolvimento não o conseguiram. Tudo foi violência”, disse Andrew Tyndall, criador e editor do Informe.

Aproximadamente 23 milhões de norte-americanos vêem os 22 minutos diários de notícias vespertinas transmitidos pelas três redes de segunda a sexta-feira. Embora os canais a cabo como CNN, Fox News e MSNBC tenham uma importante audiência. Pesquisas demonstram que a maior parte do público norte-americano prefere ligar a televisão em lugar do rádio ou comprar jornais e revistas para ser informar sobre assuntos internacionais.

Das 20 principais notícias, quatro estiveram diretamente relacionadas com o Iraque. As que tiveram maior cobertura, de longe, foram os combates das forças norte-americanas, que passaram de 879 minutos em 2005 para 1.131 no ano passado, ou seja, mais da metade de toda a cobertura sobre o Iraque. Outras importantes notícias ligadas ao Iraque foram aumento da violência sectária desde fevereiro (187 minutos), os ataques a jornalistas em zona de guerra (170) e o julgamento e a execução de Saddam Hussein (92). A maioria das notícias relacionadas com o Iraque partiram de Washington, em particular a Casa Branca e o Departamento de Defesa, mais do que do próprio território iraquiano.

De fato, apenas 15% de toda a cobertura de notícias internacionais pelas redes foram feitos de fora dos Estados Unidos. “Quando as notícias têm origem em Washington, geralmente são de fontes oficiais”, disse William Dorman, professor de jornalismo na Universidade do Estado da Califórnia, na cidade de Sacramento. “Isso pode explicar porque os principais meios de comunicação demoraram tanto em reconhecer que o conflito no Iraque deixou de ser uma insurgência contra a ocupação para se transformar em guerra civil”, acrescentou.

A segunda notícia que mais atraiu a atenção em 2006 foi a guerra entre Israel e o Hezbolá, que supôs um grande aumento para temas israelenses em comparação com anos anteriores. A última vez que Israel esteve no topo das notícias foi no momento mais grave da segunda intifada (insurreição palestina contra a ocupação), quando o conflito teve mil minutos de cobertura nas três redes. Em 2005 foram 145 minutos, em 2004 chegaram a 120 e em 2003 contabilizaram 284 minutos. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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