Johannesburg, 26/01/2007 – Espera se a participação de cerca de 150.000 delegados de mais de 100 países na sétima sessão do Foro Social Mundial (FSM), que se realizará do 20 ao 25 deste mês em Nairobi. As expectativas para a reunião parecem tão variadas como as nacionalidades que passam pelo Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta no caminho ao Centro Deportivo Internacional Moi. A Bárbara Kalima-Phiri, analista política para as estratégias da redução da pobreza preocupa se que o foro pode se mostrar inefectivo. Ela disse que no FSM é possivel “passer de uma sessão a uma outra, escutando todo o tipo de queixa, sem esperar nenhuma ação. Para já as nossas vozes estão dispersas.”
Parece que haja mais otimismo entre certos quenianos. “Nós no FSM não temos uma agenda, senão os ditados que dissemos. O foro tem muitas redes boas mas sem um ponto de convergência “, disse ao IPS este membro do pessoal de Southern African Trust, uma organização não governamental baseada no Johanesburgo. “Há muitas expectativas, particularmente na parte do cidadão comum “, disse o Thomas Deve, de Mwalekeo wa NGO (MWENGO), uma ONG sedeada no Zimbabué cujo nome significa “Visão para as organizações não governamentais “ em swahili. MWENGO opera na África oriental e austral.
“Os Quenianos estão ansiosos, por exemplo, a saber como as organizações da sociedade civil assistindo na conferência podem contribuir a democracia nos países delas”, disse ele a IPS.
“Pusemos questões que enfrentam a Africa na agenda…No último dia queremos apresentar propostas para um plano de ação “, acrescentou Deve, que já está em Nairobi para o FSM.
Os organizadores do foro identificaram 12 temas centrais sobre os quais se debaterá: o VIH/SIDA, as questões da mulher, a privatização de bens comuns, os trabalhadores sem terra, a paz e o conflíto, a migração e a diáspora, a história do povo e a sua luta , a juventude, a dívida, acordos do comércio livre, o trabalho e a a habitação.
A questão do VIH/SIDA é talvez a mais urgente agora, dado que a África subsahariana é de longe a região mais afectada pelo vírus. Como repara a ‘Actualização do Epidémico de SIDA”, publicada em dezembro pelo Programa conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/Sida e a Organização Mundial da Saúde (OMS), “dois terceiros dos adultos e crianças portadores no mundo vivem na África subsahariana, e 34% de todas as mortes devidas ao SIDA em 2006 foram na África austral”.
Os participantes africanos também compartilharão as suas experiênças de paz e conflíto com as outras regiões. Apesar da violência ser sufocada am certas partes do continente, ainda há pontos agitados; particularmente na Somalia, República Democrática do Congo, Costa de Marfim e Sudão.
Apesar de tudo, é muito improvável que as percepções do FSM ser apenas um espaço de debate vão desvanecer. Pois já estimularam um debate sobre se já está na altura do encontro adoptar um programa político.
“Esta pergunta muito disputada merece a consideração de todos os participantes no FSM, dado que já estamos agora no sétimo ano”, disse Patrick Bond, o direitor do Centro para a Sociedade Civil, sedeada na cidade portuária sulafriacana de Durban.
Contudo, o peso político exige um apoio de base âmplia, o que pode levantar alguns problemas.
“Não conseguimos assegurar que o Foro Social Mundial seja animada e pertinente ao cidadão comum. Se se fala dele (o FSM) com alguém na rua, por exemplo, é provável que não fará a mínima ideia do encontro mundial em Nairobi, disse Kalima-Phiri.
“A Copa Mundial (de futetbol), que tomará lugar na África do Sul no ano 2010, ja está na boca de todos: a gente fala nisso nos bares, nos taxis e nas casas. E nós não estamos a assegurar que a mensagem da conferência do FSM, lançada na cidade brazileira de Porto Alegre em 2001, chegue a todos.” Fundada em oposição ao Foro Económico Mundial, uma reunião anual na localidade suiça de Davos e que reune governos e a flor e nata financeira e empresarial, o FSM reune grupos e indivíduos, principalmente da sociedade civil que, entre outras coisas, se opõem a dominação global pelo capital.
O FSM ficou no Brazil até 2004, quando se deslocou a cidade indiana de Mumbai – e depois voltou de novo ao Porto Alegre. No ano passado o dito ‘foro policéntrico’ repartiu se em Bamako, Caracas y o centro financeiro paquistão de Karachi. O FSM de 2007 assinalará a primeira vez que um país africano serve de único hospede deste encontro.

