DESENVOLVIMENTO-ÁFRICA: Obrigados a Escolher “Qual Direito a Violar

JOHANNESBURGO, 23/03/2007 – As imagens de crianças africanas pequenas e famintas, algumas delas lutando para migalhas de comida, continuam a ornar as portadas de muitos folhetos, cartazes e videos das agencias da assistência humanitária, desde a fome devastadora que matou mais de um milhão de pessoas na Etiópia há 22 anos. Desde aquela fome que é vista como uma das piores na história recente, a África deveria ter atinjida a auto suficiência na produção alimentar. Não é auto suficiente. De todos os recursos que a Programa Mundial para a Alimentação (PMA) está a mobilizar para alimentar 80 milhões de pessoas em todo o mundo este ano, 73 por cento são destinados a África, indicou a agência das Nações Unidas (NU).

Uma parte das doações do PMA de cerca de 3.2 bilhões de dólares americanos para as suas operações globais, irá a África Austral onde 4.3 milhões de pessoas presisam da assistência alimentar. Esta falta de comida é devida aos padrões climáticos eráticos, a pobreza crónica e a alta prevalência do VIH/SIDA na sub região.

Segundo o Programa Conjunta das Nações Unidas sobre of VIH/SIDA (Onusida), uma 1.1 milhão de pessoas morreram da pandemia na África Austral em 2005 – que foi um terço de todas as mortes globais ligadas a pandemia.

Uma grande parte da alimentação hipotecada irá ao Sudão onde o PMA tem a maior operação que exige um total de mais de 685 milhões de dólares americanos para este ano (2007).

Quanto tempo há de passar com a África dependendo da assistência humanitária? Cada vez mais propagandistas estão a recusar aceitar a lógica de que a seca e as inundações são responsáveis para as escassezes alimentares na África.

"Da mesma maneira que nós na África experimentamos a seca todo o ano, os Estados Unidos também o experimentam. A única diferença é a existência nos Estados Unidos de instituições que mobilizam a alimentação e que obrigam os governos a ajudar os agricultores.," disse o Tajudeen Abdul-Raheem, o subdireitor da Campanha do Milénio, baseada na Quenia, numa entrevista com IPS.

"O (Presidente George) Bush, por exemplo, agirá rapidamente a ajudar aos agricultures por que receia que ele ou o seu partido pode perder nas próximas eleições. Este tipo de pressão falta muito na África," constatou o Abdul-Raheem.

"Na África, nós não temos as instituicões eficazes, e, por isso, os líderes ignoram os agricultores,"indicou o Abdul-Raheem, que participou na conferência dos líderes da igreja anglicana (Março 7-14) em Johannesburgo, na África do Sul.

A conferência que contou com a participação de mais de 400 líderes da Igreja Anglicana, entre eles o Rowan Williams, o líder de 77 mihões de anglicanos, procurava estratégias para a implementação rápida dos Objetivos de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Milénio, pelo ano 2015. A segurança alimentar faz parte integrante de muitos dos oito objetivos elaborados pelos países no ano 2000.

"A metade das 850 milhões de pessoas que estão a morrer de fome no mundo agora são crianças. Os objetivos exigem que a pobreza seja reduzida a metade pelo ano 2015, más a realidade não é assim tão prometedora," disse a Sheila Sisulu, a subdireitora executiva do PMA, beseada em Roma, falando com os cleros anglicanos. "Há os estudos que mostram que o número de pessoas famintos vai aumentando."

Ela disse que se trata do problema do ‘dumping’ e de gastar a alimentação. O Japão é um exemplo de como as sociedades ricas gastam a comida.

Quando estava a passer pelo Japão no seu caminho a África do Sul para participar na conferência anglicana, a Sisulu descobriu que a maioria dos restaurantes japoneses não deixa os clients dela levar a casa a comida que não acabaram a comer – uma prática muito comúm na África do Sul.

Receiam que a alimentação pode apodrecer causando o envenenamento alimentar, disse ela.

"O Japão importa 75 porcento da sua alimentação e gasta e deita fora 30 porcento desta alimentação," disse a Sisulu. "Há demasiado alimentação no mundo. Todavia, as pessoas continuam de morrer de fome todos os dias."

Para além do problema do desgaste da alimentação, a política também toca na segurança alimentar de um país. O Zimbabwe, uma vez considerado como o cesto de pão da África, é um exemplo clássico. O programa da ‘reforma agrária’ introduzido pelo Presidente Robert Mugabe 2000-2002 noqual se expropriou a terra de mais de 4,000 agricultores comerciais brancos acabou por destruir a economia zimabaweana que é baseada na agricultura.

A inflação está a mais de 1,600 porcento, a mais alta no mundo, segundo as últimas cifras do Escritório Central da Estatistíca, dirigido pelo estado em Harare, o capital de Zimbabwe.

O Tapera Kapuya, que dirige a seção sul Africana da Assembleia Constitucional Nacional (NCA), um grupo de pressão baseado em Harare que está a advogar para uma nova constituição para Zimbabwe, disse a IPS que 3.2 milhões de pessoas precisam da comida em Matabeleland, no sul de Zimbabwe.

"Preocupa se muito de certas partes do Zimbabwe que já estão a mostrar que as colheitas na maioria da parte sul do país já foram decimadas por um periódo seco entre Janeiro e a primeira parte de fevereiro," afirmou o PMA numa declaração no dia 8 deste mês.

Quando estava a dirigir uns zimbabweanos com fome a uma reunião para orar em Harare no dia 10 de março, o chefe do Kapuya o Lovemore Madhuku e o Morgan Tswangirayi, o líder do partido principal da oposição – o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) foram brutalmente assaltados pela polícia.

Segundo a Polícia o MDC e a NCA estavam a realisar um encontro ilegal que pretendia forçar uma mudança de governo no Zimbabwe. "A situação no Zimbabwe está má. As pessoas vivem de um dia a um outro. Não há gasolina e medicamentos," disse o Jerry Mashamba, baseado no Johannesburgo, que é um representante da fação do MDC liderado pelo Arthur Mutambara, numa entrevista com IPS.

Os conflítos prejudicam a segurança alimentar como já vimos dos exemplos do Sudão, da Somália, da Sierra Leão, da Liberia, da Costa de Marfim e do norte da Uganda.

"O conflíto de 20 anos tornou os ugandenses do norte do país nas pessoas mais pobres do país. As 1.4 mihões de pessoas que vivem nos mais de 70 campos para as pessoas desplacadas internamente (IDP) também dependem de doações das agências e das instituições religiosas, com uma contribuição mínima do governo," disse a Jessica Nalwoga da Igreja de Uganda, falando com os participantes na conferência.

"A maioria dos pais não pode forneecer nem a roupa para as crianças usarem a escola ni os materiais escolares adequados. Cada dia, os pais têm que enfrentar a tarefa de escolher quais os direitos humanos a violar, os da deducação, os sanitários ou os alimentares? Não podem satisfazer nenhum destes direitos por que eles próprios sobrevivem de doações," disse ela.

As discussões a acabar com o conflíto no norte da Uganda, uma região com um dos terrenos mais fertíis do país, falharam depois dos rebeldes da Lord’s Resistance Army (LRA), notório para curtar os lábios, os narizes, as orelhas e membros dos suspeitados, quis mudar o sítio e o mediador. As discussões estavam a ser realisadas no capital da parte austral do Sudão, Juba.

Igualmente preocupados com esta falta de alimentação, o Salil Shetty, o direotor da Campanha do Milénio, insistiu que os líderes religiosos ajudam os países pobres a realisar os objetivos deles do milénio.

"Os Líderes da igreja percebem o papel deles na sociedade. Têm uma influência enorme ao nível popular. As igrejas encontram se uma vez por semana com as congregações delas, enquanto que os políticos se ecnotram com os votantes uma vez em cada quatro a cinco anos.Os líderes religiosos ficam mais intimos com a comunidade dos políticos," disse ele.

Moyiga Nduru

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