POLITÍCA-ZIMBÁBUE: “Este Ditador Deve Ir “

JOHANNESBURGO, 28/03/2007 – – O arcdebispo católico franco de Zimbábue, o Pius Ncube, ofereceu dirigir as protestações de massa para tirar o Presdente Robert Mugabe do poder, como fez o Cardeal Jaime Sin como ditador Ferdinand Marcos nas Filipinas há duas décadas. Sin apareceu nos titulares em todo o mundo em 1986 quando lançou um apelo para milhões de pessoas formarem barricadas a proteger os 300 soldados rebeldes dos tanques avançandos do Marcos.

“Se conseguimos ter 30,000 pessoas nas ruas, o Mugabe caírá,” disse o Ncube numa conferência de imprensa sobre o Zimbábue, no centro comercial sulafricano de Johannesburgo sexta feira (23 deste mês). “Eu estou preparado a liderar as pessoas contra o Mugabe. Como foi o caso nas Filipinas, as nossas forças de Segurança hão de ficar connosco se somos corajosos.”

O líder zimbabueáno que tem 83 anos está no poder desde a indepenência do seu país da Grande Bretanha em 1980.

Os grupos de direitos humanos no Zimbábue responsabiliam-no para a morte de quase 20,000 paisanos pelas mãos das forces de segurança em Matabeleland, no sul de Zimbábue, nos anos 1980s – uma campanha dirigida pelo governo sob o preteixto de abafar uma revolta.

Mais recentemente o Mugabe tem estado em conflíto com o partido principal da oposição do país o Movimento para a Mudança democrática (MDC). As eleições parlamentares e presidenciais realizadas nos últimos cinco anos foram caraterizadas pelas irregularidades e violações dos direitos humanos, com as próprias autoridades severamente se opondo a liberdade da imprensa.

O programa controversial da redistribuição da terra contribuiu a depressão económica no Zimbábue, que atualmente tem a maior taxa de inflação do mundo ( as cifras oficiais poem-na a cerca de 1,700 porcento). A fome geral já é normal no país.

“Agora, umas 2,000 pessoas estão a morrer cada dia no zimbábue. Estão a morrer do SIDA e da subalimentação,” disse o Tendai Biti, um membro da oposição no parlamento de Zimbábue, respondeno a uma pergunta da IPS numa conferência de imprensa.

O Programa Conjunta das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA estima que a taxa de prevalência nos adultos no Zimbábue é a mais de 20 porcento. Os medicametos antiretrovirrais que prolongam a vida das pessoas seropositivas não são disponiveis.

“O Índice de vida no Zimbábue está a 35 anos…Oitenta porcento dos zimbabueanos vivem por debaixo da linha de pobreza de um dólar por dia. Uma família média só pode ter uma refeição por dia,” disse o Biti, enquanto o Ncube acrescentou que: “As nossas igrejas dizem que muitas pessoas morrem de subalimentação. Não há medicos e as enfermeiras abandonaram o serviço (a busca do emprego no estrangeiro).”

Diz se que centenas de pessoas foram mortos na violência política que desatou no país em 2000, quando o partido governador A União Nacional Africana de Zimbábwe – Frente Patriótica (ZANU – PF) enfrentou a oposiçào credível pela primeira vez na forma do MDC. O último vítima desta violência é o Gift Tandare, um ativista pro democrático que faleceu no dia 11 de março dos tiros da polícia durante uma oração organizada pela oposição no capital — Harare.

O líder do MDC o Morgan Tsvangirai foi pancado pela polícia durante a qual se acusa a polícia de o fracturar o crânio. O abuso do líder da oposição e dos outros ativistas foi globalmente condenado.

“Eu fui lá quando o Tsvangirai e os outros líderes da oposição estavam a ser batidos durante uma hora e meia na estação de polícia de Machipisa em Harare. Eu já vi muita coisa nos filmes, más nada me preparou para a tal brutalidade que vi. Não parecia real,” raconta o Biti.

A Polícia não quer dar o corpo do Tandare aos parentes dele. Até tiraram munições reais num grupo de doridos ferindo dois deles – um severamente, no seu tornozelo esquerda.Mostrou se imagens de vídeo dos dois pacentes no hospital, durante a conferência de imprensa, e notou se que se estava a discutir sobre a amputação do dorido ferido no tornozelo.

Depois do abuso do líder da oposição e os seus partidários, o Mugabe disse aos seus críticos de se “irem de lá”. Ele também apontou que “a polícia tem o direito de golpear” a oposição, um comentário que zangou o Ncube.

“A polícia não tem direito nenhum de ‘golpear’ ninguém sob nenhuma lei no Zimbábue, ou em termos de quaisqueres convenções internacios asquais somos signatórios. Apontamos que o estado da cultara de impunidade dos escritórios superiores no país, está a criar uma cultura de violência,” disse o clerigo.

“Quando um governo permite a impunidade nas suas forces enfadadas—quando os policias que torturam e assassinam não são submetidos a justiça, e ao contrário têm o direito de fazer tudo isto—é tragicamente prognosticável que a paciência do povo há de acabar. E, como a ira e o desespero aumentam, a violência ao estilo dos vigilantes há de seguir,” acrescentou o Ncube.

“Já se fez as represálias com um autocarro de doridos sendo vandalizado, e três policias (mulheres) sendo queimadas nas camas delas com bombas de petróleo. Em Bulawayo (a segunda maior cidade de Zimbábue) um atentado alegado a descarrilar um comboio de passageiros felizmente não teve sucesso.”

O Ncube lançou um apelo as autoridades zimbabueanas de acabar imediatemente com a impunidade entre as forças armadas, e prosseguir aqueles que violam os direitos dos cidadãos.

Para além disso, “O governo deve permitir aos cidadãos de Zimbábue de realisar reuniões pacíficas e deve reinstarar os direitos constitucionais destes de fazê-las. O governo , como todo o cidadão zimbabueano, deve abster se de incitar os partidários dele a violência,” disse ele.

“Os zimbabueanos ficam mais zangados agora do que em qualquer outra altura. E eu estou pronto a dirigí-los, numa ação de massa não-violenta para se desembaraçar do Mugabe. Este ditador deve ser deitado abaixo.”

O Nicholas Karonda, um ministro numa igreja no Zimbábue e um ativista de direitos humanos baseado na África do Sul, criticou o silêncio ensurdecedor na maior parte da África para com os abusos no Zimbábue.

”Ouvimos algumas vozes da Áfricado Sul, da Gana, da Botswana e da Zâmbia. Embora surgiram tarde, mais vale tarde de que nunca”, disse ele a IPS.

A África do Sul– uma potença económica, vista como desempenhando um papel importante nas fortunas do seu vizinho do norte—não se deixa ver muito da crise no Zimbábue.

Contudo, a política de Pretoria da “diplomacia silenciosa ” para com o ZImbábue foi muito criticado esta semana.

“A diplomacia silenciosa obviamente falhou,” disse o bispo sul africano o Kevin Dowling, que presidiu a conferência de imprensa.

O Ncube disse que “A África do Sul não pode ser hipócrita quando está a hospedar cerca de três milhões de zimbabueanos que fugiram da tirania do reino do Mugabe. As pessoas morreram; outras foram comidas pelos crocodilos tentando atravessar a fronteira para ir a África do Sul.”

“Alguns jovens vêm aqui e não encontram ninguém que conhecem, e se vendem. Apanham o SIDA e morrem. Eu pessoalmente já enterrei muitos cujos cadáveres foram devolvidos ao Zimbábue.”

A Joyce Dube do Instituto das Questões Migratórias da Mulher, uma organização não governamental baseada no Johannesburgo, disse a IPS que o grupo recebe entre 50 e 200 Zimbabueanos recém chegados todos os dias.

“Estas cifras refletam só os que vêm ter connosco a busa de ajuda. As outras organizações também recebem os outros refugiados do Zimbábue todos os dias,” disse ela.

Moyiga Nduru

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