Desenvolvimento: Ambíguo aumento da ajuda dos EUA ao exterior

Washington, 10/02/2005 – O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu ao Congresso que aumente em 17% o orçamento de ajuda ao exterior, mas, enfrenta uma firme resistência por parte de seus próprios correligionários republicanos. A maior parte do aumento corresponde a um grande impulso ao financiamento da campanha mundial contra a aids e aos US$ 3 bilhões solicitados para a Conta de Desafio do Milênio (MCA), programa iniciado há dois anos e dirigido a uma dúzia de países pobres. A MCA incentiva o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas para o Milênio estabelecidos em 2000 pela comunidade internacional. A ajuda está condicionada a reformas políticas e econômicas de longo alcance.

Fontes do Congresso consideraram que a MCA será particularmente vulnerável a cortes durante o processo legislativo. Os Congressistas destinaram US$ 1,5 bilhão à iniciativa para este ano, US$ 1 bilhão a menos do que a quantia solicitada por Bush. "Foram destinados US$ 2,5 bilhões à MCA nos últimos dois anos, mas, não se desembolsou nem um centavo", disse um funcionário do Congresso à IPS. "Então, com todos os cortes de programas sociais dentro do país, não será fácil ao presidente convencer os congressistas de que agora são necessários mais US$ 3 bilhões", acrescentou.

E, mesmo no caso de conseguir o aumento pedido para os fundos de luta contra a aids e para a MCA, Bush ficará muito abaixo da promessa feita na cúpula mundial sobre financiamento para o desenvolvimento, em Monterrey, no México. Nessa ocasião, o presidente anunciou que os Estados Unidos elevariam em 50% a ajuda ao desenvolvimento até 2006. "O presidente disse que financiaria estas novas iniciativas sem reduzir os programas existentes. Infelizmente, não cumpriu o prometido. Há cortes significativos", disse Stephen Radelet, do não-governamental Centro para O Desenvolvimento Global. O orçamento para ajuda ao desenvolvimento pedido ao Congresso soma US$ 22,9 bilhões em um orçamento fiscal total de US$ 2,57 trilhões para 2006.

A iniciativa prevê cortes em programas nacionais de educação, saúde e meio ambiente, bem como aumento nos da defesa e segurança interna. Este projeto não inclui várias normas de caráter orçamentário que serão apresentadas depois, como a destinação de US$ 80 bilhões ao financiamento de operações militares no Iraque e Afeganistão, assim como centenas de milhares de milhões necessários para a privatização parcial do seguro social. O orçamento da defesa do projeto original para 2006 chega a quase US$ 420 bilhões, 5% a mais do que o atual e 15% superior do que a média dos anos de guerra fria, segundo Steven Kosiak, do Centro de Avaliações Estratégicas e Orçamentárias.

Mas, se a essa quantia forem acrescentados os US$ 80 bilhões que serão solicitados para o Iraque e Afeganistão, resultará em meio trilhão de dólares, quase a metade dos gastos militares de todos os países do mundo. Diante destes números, o que Bush pede para ajuda ao exterior parece muito pouco. Os US$ 3 bilhões solicitados para a MCA supõem duplicar a verba do presente ano fiscal, mas, programas de ajuda ao desenvolvimento e de caráter humanitário continuarão sufocados, segundo o projeto apresentado no Congresso. A contribuição para os programas de sobrevivência infantil cairá dos US$ 1,8 bilhão em 2004 para US$ 1,530 bilhão este ano, chegando a US$ 1,250 bilhão no próximo.

Ao mesmo tempo, a ajuda ao desenvolvimento de longo prazo – programas de educação, meio ambiente, água potável e saneamento – sofrerão cortes de US$ 1,150 bilhão, a pedido de Bush. "Estamos preocupados. Estes programas não só ajudam as nações pobres como, também, constituem um elemento estabilizador do mundo chegando à segurança dos Estados Unidos", disse Mary McClymont, coordenadora da InterAction, coalizão que reúne 160 organizações humanitárias deste país. Ao mesmo tempo, o governo pede que se aumente de zero para US$ 270 milhões o financiamento de programas voltados a refugiados, migrantes e ajuda em casão de desastres, bem como a "iniciativas de transição" para "Estados frágeis" com Afeganistão, Etiópia, Haiti, e Sudão.

A contribuição para organizações internacionais será reduzida em um total de aproximadamente US$ 47 milhões. A contribuição para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) cairá de US$ 124 milhões para US$ 114 milhões, apesar de a secretária da Agricultura do governo Bush, Ann Veneman, ser a sucessora de Carol Bellamy à frente da agência. Os fundos destinados ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência tradicionalmente encabeçada por um cidadão norte-americano, cairão de US$ 108 milhões para US$ 95 milhões, de acordo com a iniciativa do governo. Ao mesmo tempo, a contribuição norte-americana para as missões de paz da ONU aumentaria 113%, chegando a U$ 1,030 bilhão. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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