POLÍTICA-SOMALIA:: Desdobramento de tropas da ONU programado para a Somália

NAÇÕES UNIDAS, 05/07/2007 – A ONU está a preparar enviar uma força internacional de mantenimiento de paz de 20.000 militares e polícias a um dos piores pontos de tensão do mundo: a Somália. “Contudo, é evidente que, mesmo no melhor dos casos, abordar os problemas de Somália será uma tarefa arduosa, perigosa e massiva”, disse o Secretário Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) o Ban Ki-moon, num relatório que ele apresentou ao Conselho de Segurança no dia 28 deste mês.

Nos anos em que não tinha um governo central,a Somália “sofreu da destrução e do descuido tremendos “, indicou o relatório. “As fundações das instituições e da sociedade foram quase completamente destruidas “, acrescentou ele.

Golpeada pela Guerra civil de mais de 15 anos, a Somália agora está administrada por um Governo Federal de Transição (TFG) interino, respaldado pelo país vizinho da Etiópia e pelos Estados Unidos.

O Primeiro Minístro deste governo o Alí Mohamed Ghedi disse aos jornalistas no dia 28 deste mês que depois de dois atentados frustrados, um “congresso da reconciliação nacional” que poderia “conduzir a paz duradoura na Somália” está programado pelo dia 15 de julho.

O Ghedi disse que em parte, as falhas políticas da Somáli tem sido os conflítos constantes de “uma clã contra uma outra” e de “uma sub-clã contra uma outra”, que devastaram o país.

“Temos que começar o processo da reconciliação do início “, disse o Primeiro Ministro. “Ainda enfrentamos muitos desafios e dificuldades. Mas temos sobrevivido tudo até agora.”

Os dois últimos congressos não conseguiram se reunir devido “a falta de recursos da parte da comunidade internacional”.

O custo previsto de 32 milhões de dólares do congresso que se realizará no próximo mês foi parcialmente coberto pela Comissão Europeia, o ramo executivo da União Europeia, e pelos Estados Unidos.

No seu relatório, o secretário geral avisou que uma missão da ONU na Somália “seria enfrentada pelas grandes ameaças, principalmente dos grupos radicais (…) e de alguns líderes de clãs que, segundo o que se crê, se opõem a qualquer normalização e á presença das tropas do mantimento da paz”.

Para além disso, há também entre 50.000 e 70.000 miícias armadas que são controladas pelas clãs.

“Embora sejam discordantes, estas milícias podem ser uma ameaça as forças de paz, tornando o que devia ser uma transição rápida numa situação de segurança”, avisou o relatório.

Mas qualquer operação de paz da ONU teriá que ser aceitada por todas as clãs e subclãs, “preferivelmente exprimida num cessar ou na cessação de todas as hostilidades “.

A Missão actual da União Africana na Somália (Amison) se transformaria numa força da ONU.

Segundo o Ghedi, ao menos cinco países africanos –Benín, Burundi, Gana, Nigéria e Uganda—ofereceram os soldados para a Amison.

Mas para já apenas a Uganda desdobrou 1.700 soldados. Ao menos cinco destes soldados foram assassinados, quatro deles num ataque com uma mina escondida aolado da estrada.

“A União Africana ainda está a espera do desdobramento das tropas prometidas pelos mebros dela “, lamenta o relatório da ONU.

O Ghedi aviso que a comunidade internacional deve prestar fundos e dar o apoio logístico á Amison.

O Bill Fletcher Jr., um ex presidente e o chefe executivo da organização não governamental TransAfrica Forum, disse a IPS que uma força da ONU seria “um passo excelente, mas não para apoiar o governo de transição mas sim para ajudar a estabilizar a situação e promover a reconciliação nacional”.

“Deve se aceitar que haja uma oposição significante ao governo de transição e que esta oposição não pode ser eliminada pelos meios militares”, acrescentou o Fletcher.

A situação foi complicada pela invasão etiópe do dezembro passado e piorou a inestabilidade somalí.

“A força da ONU deveria preferivelmente consistir de tropas africanas. De qualquer das maneiras, não deveria ter os etiópes nela”, declarou o Fletcher.

O conflíto de dezembro desatou por causa de uma disputa entre o governo de transição baseado em Baidoia, e uma força islâmica sedeada em Mogadishu.

Os Estados Unidos apoiaram o governo de transição por que a força islâmica estava ligada a rede terrorista Al Qaeda. O governo da Etiópia decidiu então atacar Mogadishu, e o conflíto ameaçou a se tornar numa guerra aberta.

Depois da invasão o Primeiro Ministro da Etiopia, o Meles Zenawi, assegurou o então secretário geral da ONU o Kofi Annan que o ataque era “uma operação limitada”.

Entre 3.000 e 4.000 soldados da Etiópia tinham derrotado as forças islâmicas, disse o Zenawi, sem dar nenhuma indicação de quando ia retirar as tropas dele.

O Ghedi descreveu a situação na Somália como sendo inspirada pelo terrorismo internacional, com as operações como os bombardeamentos suicídas, o uso de combatentes estrangeiros e explosivos improvisados, e com as táticas até agora desconhecidas na região.

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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