Petróleo: Preço do petróleo elevado reduz o desenvolvimento

Bangkok, 26/10/2007 – Um novo mecanismo para medir o impacto do elevado preço do petróleo sobre os pobres da Ásia deixa em evidencia grandes ameaças. O Índice de Vulnerabilidade do Preço do Petróleo, que incorpora 18 indicadores diferentes, sugere que os países analisados foram prejudicados com o aumento do barril de US$ 22 em 2003 para cerca de US$ 80 atualmente. Na semana passada, o petróleo atingiu o recorde de US$ 90,07 o barril, levando a especulações sobre a possibilidade de ultrapassar a barreira psicológica dos US$ 100.

Os países mais vulneráveis são os que têm “baixa fortaleza, pobre desempenho econômico e elevada dependência do petróleo”, alerta um informe divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Este estudo apela ao Índice de Vulnerabilidade para confirmar sua avaliação regional sobre a maneira como os pobres do continente enfrentam o aumento nos preços do combustível. Na Ásia austral, os países em pior situação são Afeganistão, Bangladesh, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka. No sudeste da Ásia a lista inclui Camboja, Laos e Filipinas. No pacífico, as nações insulares de Fiji, Ilhas Salomão, Samoa e Vanuatu. Os países moderadamente vulneráveis são Butao, Birmânia, Índia, Indonésia, Mongólia, Papua-Nova Guiné, Tailândia e Vietnã.

O que salvou estes países de chegar ao fundo do barril foi sua capacidade para “absorver o choque” do aumento do petróleo, pois “têm melhor desempenho, com um produto interno bruto alto ou médio”, diz o informe do Pnud intitulado “Superando a vulnerabilidade dos preços em alta do petróleo”. Mas, se esses preços continuarem elevados aumentarão os desafios imprevistos para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio na região. Especialmente, segundo o informe, contra “o objetivo central de erradicar a pobreza extrema e a fome”. “A ameaça dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio depende da duração dos altos preços do petróleo. Se continuarem aumentando nos próximos três a cinco anos, teremos um grande problema”, disse à IPS Nandita Mongia, principal autora do informe.

Os oito objetivos, definidos em 2000 pela Assembléia Geral da ONU, incluem reduzir à metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome (em relação a 1990), garantir a educação primária universal e promover a igualdade de gênero. Os demais são reduzir a mortalidade infantil e materna; combater a aids, a malária e outras doenças; assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento, tudo isto até 2015.

A área Ásia-Pacífico foi objeto de elogios por seus progressos em matéria de redução da pobreza, de 32% para 17% da população. No total, 641 milhões de pessoas viviam na pobreza extrema nessa região em 2004. Existe igual preocupação quanto ao cumprimento de outro objetivo: assegurar que até 2015 meninos e meninas de todos os países possam completar a educação primária. O aumento dos custos do transporte pode se interpor no caminho das crianças de comunidades rurais rumo à escola, diz o estudo do Pnud, de 149 páginas.

Em 2000, quando foram concebidos esses objetivos, a perspectiva de que os elevados preços do petróleo constituíram um obstáculo importante parecia remota. “Uma eventual alta nos preços do petróleo nunca foi discutida há sete anos como um possível estorvo. Vivíamos em um mundo feliz quando o preço do barril rondava os US$ 25”, disse Mongia. A nova realidade que o aumento dos preços do petróleo impõe aos planos de desenvolvimento região é dura.

“A região Ásia-Pacífico precisou somar US$ 400 bilhões à sua fatura anual de petróleo desde 2003. Isto é 20 vezes o fluxo de ajuda anual à região”, disse Hafiz Pasha, secretário-geral adjunto da Organização das Nações Unidas, na apresentação do informe. Isto forçou uma mudança. Muitos lares, tanto em comunidades rurais quanto nas cidades, recorreram a “combustíveis mais tradicionais, mais sujos e de acesso mais difícil. Isto também dificultou seus esforços para sair da pobreza”, acrescentou.

Entrevistas feitas por pesquisadores do Pnud em casas pobres de zonas rurais e urbanas de China, Índia Indonésia e Laos transmitiram essa tendência. “Entre 2002 e 2005, as famílias entrevistadas sofreram alguns drásticos aumentos de preços, pagando no total 74% mais pela energia”, diz o informe. O pagamento adicional inclui 171% mais para compra combustível usado para cozinhar, 120% mais para transporte, 67% mais para eletricidade e 55% mais para iluminação. Estes milhões de lares ficaram com opções limitadas. Muitos permanecem às escuras.

Embora a população urbana “tende a ser pior, já que não tem a alternativa de recolher lenha ou biomassa”, os pobres de zonas rurais não são mais ricos, já que são “mais vulneráveis aos preços mais altos do combustível usado para iluminação, especialmente em aldeias não eletrificadas”. Para países pobres como o Nepal, a pressão teve impacto na qualidade de vida. “Houve aumento da desigualdade entre ricos e pobres. Isto criou uma ameaça crítica para o êxito dos Objetivos do Milênio”, disse Posh Raj Pandey, membro da comissão nacional de planejamento desse país. (IPS/Envolverde)

Marwaan Macan-Markar

Marwaan Macan-Markar is a Sri Lankan journalist who covered the South Asian nation's ethnic conflict for local newspapers before joining IPS in 1999. He was first posted as a correspondent at the agency's world desk in Mexico City and has since been based in Bangkok, covering Southeast Asia. He has reported from over 15 countries, writing from the frontlines of insurgencies, political upheavals, human rights violations, peace talks, natural disasters, climate change, economic development, new diseases such as bird flu and emerging trends in Islam, among other current issues.

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