Londres, 03/03/2005 – A designação de um general norte-americano à frente da reforma das forças de segurança palestinas e a coordenação destas com as de Israel é a última coisa que o falecido líder Yasser Arafat teria imaginado, e também a última coisa que os grupos radicais islâmicos estarão dispostos a tolerar. Entretanto, foi isso que ficou acertado na terça-feira, na Conferência de Londres para o Apoio à Autoridade Palestina, promovida pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair. O tenente-general William Ward, dos Estados Unidos, vai encabeçar m grupo coordenador da segurança para apoiar no novo governo palestino de Mahmoud Abbas em sua luta para controlar as organizações extremistas.
O grupo ajudará a Autoridade Nacional Palestina a organizar e controlar suas díspares forças de segurança. Além disso, fornecerá veículos, rádios e uniformes para a polícia palestina, e ajudará no estabelecimento de um fundo de pensão para o pessoal da segurança. Por sua vez, a ANP prometeu reduzir seus serviços de segurança e inteligência de 14 unidades para três, designar um chefe de polícia e aumentar a presença policial nas ruas da faixa de Gaza e Cisjordânia.
Os palestinos estiveram durante gerações no extremo receptor da força militar de Israel, abastecida, financiada e apoiada politicamente pelos Estados Unidos. A segunda "intifada", ou insurreição palestina contra a ocupação israelense já se encontra em seu quinto ano, e está longe de ter terminado. O acordo de Londres terá quase o peso de um tratado internacional, porque foi assinado pelo presidente palestino Abbas. Além disso, participaram da reunião a secretária de Estado norte-americana, Condoleeza Rice; o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan; o comissário de Relações Exteriores e alto representante da segurança comum da União Européia, Javier Solana, além de muitos outros líderes internacionais.
Entretanto, o destino do acordo ficará em mãos de atores fundamentais que estiveram ausentes: os grupos armados palestinos e o governo de Israel. Os grupos extremistas como Hamas e Jihad Islâmica não só deverão entregar as armas, mas, fazê-lo sob supervisão dos Estados Unidos através da ANP. Abbas acertou esta medida sabendo com quem deve tratar. "Deslocamos nossas forças no terreno e tomamos a decisão de unificar nossas forças de segurança, e estamos implementando esta decisão apesar das dificuldades que vocês conhecem bem", disse Abbas na reunião. Abbas decidiu que esta dificuldade pode ser superada com o visível apoio dos Estados Unidos contra grupos que milhares de palestinos consideram heróis e que Washington e Israel vêem como terroristas.
O general Ward tem o explícito mandato de ajudar a ANP a sufocar esses grupos. "Se não os detivermos, o caminho para a paz estará bloqueado", disse Condoleeza Rice na reunião. Os Estados Unidos contarão com ajuda árabe. Rice mencionou que o Egito e a Jordânia assumiram compromissos específicos para "ajudar os palestinos a criar serviços de segurança honestos e responsáveis". Além disso, exortou outros países árabes a "abandonarem sua incitação através da imprensa, cortar os fundos para o terrorismo, deixar de apoiar a educação extremista e estabelecer relações normais com Israel".
Por outro lado, exortou Israel a "se abster de tomar medidas que prejudiquem um acordo final e colaborar para torna viável um novo Estado palestino. Um Estado com territórios dispersos não funcionará", afirmou. O anfitrião Tony Blair anunciou que, além da segurança, o acordo também compreende assuntos de governabilidade e desenvolvimento econômico e social. O mandatário britânico informou que a União Européia ajudará a estabelecer novas instituições políticas e o Banco Mundial desempenhará um papel crucial no desenvolvimento econômico. (IPS/Envolverde)

