MUDANÇA CLIMÁTICA: Otimismo em Bonn

Bonn, 03/06/2009 – Os governos do mundo vão no rumo de alcançar em dezembro um acordo sólido para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, disse segunda-feira à imprensa Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática. “É o momento político correto para chegar a um acordo. Não tenho dívidas de que a conferência climática de Copenhague levará a um bom resultado”, afirmou, na primeira jornada de uma conferência preliminar que terminará no próximo dia 12 em Bonn. Se o mundo aprendeu algo com a crise financeira “é que as questões globais requerem uma resposta global”, ressaltou de Boer.

Entretanto, o secretário-executivo acrescentou que restam “algumas nozes duras a serem quebradas”. Para alcançar o êxito em Copenhague é preciso “o cumprimento de quatro elementos políticos essenciais”. Segundo de Boer, é imprescindível que o acordo inclua claramente a porcentagem de redução de emissões no Norte industrial até 2020 e o que deverão fazer a respeito os países em desenvolvimento. Também é fundamental – acrescento – que as nações industrializadas financiam mecanismos para mitigar os efeitos da mudança climática e adaptação ao fenômeno, bem como “um regime de gerenciamento” para implementar o acordo.

A governamental Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China pediu em seu site aos países industriais que reduzam em no mínimo 40% suas emissões de gás estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990. A China também pede aos países ricos que entreguem pelo menos entre 0,5% e 1% de seu produto interno bruto para ajudar as nações pobres a lidarem com a mudança climática. O gigante asiático considera que suas propostas permitiriam implementar o mapa do caminho que surgiu da conferência climática realizada em 2007 na ilha de Bali, na Indonésia.

As nações em desenvolvimento querem estar “adequadamente representadas” nos organismos que combatem o aquecimento global, disse de Boer. Seus compromissos para atuar contra a mudança climática foram “animadores”, acrescentou. “Deixaram claro que precisam saber “que tipo de apoio financeiro estará disponível”, afirmou. Seus comentários estiveram em sintonia com as declarações da secretaria da Convenção antes da reunião em curso e desde a última, realizada em dezembro na cidade polonesa de Poznan.

De Boer afirmou no dia 20 passado, em comunicado de imprensa, que o mundo “não ficou quieto em relação à mudança climática”, pois houve “resultados animadores” em mais de cem dias de negociações. O secretário-executivo garantiu ter “uma lista quase completa de países industrializados comprometidos a reduzir suas emissões depois de 2012”, quando concluirá a vigência do Protocolo de Kyoto, primeiro convênio internacional que fixou metas nesse sentido. Portanto, “os governos podem ver agora com mais clareza onde está cada um, de modo a construir ambições mais elevadas sobre esta base”, acrescentou.

Até os Estados Unidos se comprometeram a um acordo em Copenhague e a um futuro de energia limpa, disse de Boer. Este país, que emite a quarta parte dos gases estufa, havia retirado sua assinatura do Protocolo de Kyoto tão logo o presidente George W. Bush iniciou seu primeiro mandato, em 2001. O secretário-executivo também mencionou o reconhecimento dos países industrializados às nações em desenvolvimento pelas estratégias contra a mudança climática que implementaram. “Em resposta à crise financeira mundial, muitos pacotes nacionais de estímulo econômico lançados incluem objetivos em matéria ambiental. Com apenas 200 dias até a conferência de Copenhague, o mundo não está quieto”, ressaltou.

De Boer anunciou que já está pronto o documento central, de 53 páginas, que será negociado no contexto da Convenção e que, segundo disse, constitui a base de uma resposta ambiciosa e efetiva à mudança climática a ser acordada em dezembro. Porém, ainda está longe da redação final a norma que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, e que deve ser aprovado na conferência de Copenhague. O documento já aprovado “é o ponto de partida”, disse o ex-secretário-executivo da Convenção Marco, Michael Zammit Cuttajar.

De acordo com o Protocolo de Kyoto, 37 países industrializados estão obrigados a reduzir suas emissões no período de 2008 e 2012 em 5% com relação aos níveis de 1990. Este documento foi aprovado na cidade japonesa que lhe dá nome no dia 11 de dezembro de 1997, tendo entrado em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005, e ratificado por 184 partes. IPS/Envolverde

Ramesh Jaura

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