SOMÁLIA: EUA apóiam luta contra islâmicos

Washington, 29/06/2009 – Os Estados Unidos confirmaram que fornecem armas e munições ao governo de transição da Somália para enfrentar a ampla coalizão de milícias islâmicas que, segundo analistas, estão vinculadas com a Al Qaeda. Esta ajuda, que segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, foi autorizada por resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, segue a esteira de um crescente apoio de Washington à presidência do xeque Sharif Sheid Ahmed.

“A pedido desse governo, o Departamento de Estado colaborou fornecendo armas e munições de forma urgente”, disse Kelly aos jornalistas. “É em apoio aos esforços do governo federal de transição para repelir o ataque das forças extremistas que tentam destruir o processo de paz de Djibuti”. Os Estados Unidos também fornecem treinamento a funcionários governamentais somalianos e a recrutas no vizinho Djibuti, onde centenas de soldados norte-americanos estão postados desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.

O governo somaliano de transição, liderado por Sharif, ex-presidente da União de Cortes Islâmicas (UCI), luta para se defender de uma grande ofensiva lançada no começo do mês passado por Al Shabaab, grupo islâmico radical que controla grande parte do centro e sul da Somália, bem como algumas zonas da capital, Mogadíscio. Al Shabaab (A Juventude, em árabe), que integra a lista dos Estados Unidos de organizações terroristas, procura derrubar o governo de transição apoiado pela ONU e instalar uma rígida forma de lei islâmica semelhante à imposta pelo movimento Talibã no Afeganistão. Estão aliados com Hizbul Islam, coalizão liderada pelo xeque Hassan Dahir Aweys, ex-camarada de Sharif nas UCI.

Altos funcionários norte-americanos expressaram seu temor de que, se vencer, a coalizão radical ofereça um abrigo seguro para extremistas muçulmanos de outras nações, incluindo a Al Qaeda. Aweys, entretanto, assegura não ter ligações com a rede liderada por Osama bin Laden. Além de usar morteiros e outras armas indiscriminadas em sua atual ofensiva, os rebeldes, que receberiam apoio da Eritréia, cometeram ataques suicidas e assassinatos coletivos contra figuras-chave associadas com o governo. Quase metade dos membros do parlamento teria fugido do país nas últimas semanas. Entre as vítimas contra-se o ministro do Interior e um ex-vice-primeiro-ministro.

“A possibilidade de um colapso do governo envia sinais de alerta às capitais ocidentais, e ainda falta ver se terá êxito este último movimento”, dos Estados Unidos, afirmou o analista Rashid Abdi, do Grupo Internacional de Crise, centro de estudos com sede em Bruxelas. Após afirmar seu poder na capital, Al Shabaab teria realizado amputações de mãos e pés em quatro jovens acusados de roubar armas e telefones celulares de moradores de Mogasdíscio. Foi o que informou a rede britânica BBC, após eles terem sido condenados na semana passada por um tribunal ad hoc da shariá (lei islâmica).

“A horrenda natureza desses atos cometidos diante de uma multidão acrescenta mais injustiça e falta de humanidade a esses adolescentes”, afirmou a organização Anistia Internacional, com sede em Londres. A Somália não tem um governo efetivo desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre. Em 206, milícias sob o comando da UCI conseguiram criar algo semelhante a uma situação de estabilidade na maior parte do país, mas que desmoronou depois que tropas da Etiópia, apoiadas por Washington, sufocaram as forças islâmicas e tomaram o controle de Mogadíscio em dezembro desse ano.

Sob a forte pressão de Al Shabaab e de Hizbul Islam a Etiópia se retirou em janeiro passado, ao mesmo tempo em que o xeque Sharif substituiu como presidente o impopular Abdullahi Yusuf Ahmed, incapaz de se aproximar dos elementos mais moderados na coalizão rebelde. O novo mandatário iniciou conversações com líderes insurgentes, incluindo Aweys, que retornou do exílio na Eritreia, mas “julgou mal a profunda antipatia pessoal e desconfiança que anima seus oponentes”, segundo Daniela Kroslak e Andrew Stroehlein, do Grupo Internacional de Crise.

Em uma fita de áudio divulgada em março, bin Laden declara o xeque Sharif inimigo e conclama os insurgentes a derrubarem seu governo. Várias centenas de combatentes islâmicos estrangeiros teriam chegado desde países como Arábia Saudita, Paquistão e Iêmen, e inclusive da América do Norte, para unirem-se aos rebeldes. Desde que começou a campanha contra o governo de Sharif, cerca de 159 mil pessoas fugiram de suas casas. Aproximadamente 3,2 milhões de somalianos, isto é, metade da população, dependem de ajuda humanitária estrangeira. IPS/Envolverde

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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