SAÚDE: Quando um vírus açoita a aldeia global

México, 07/07/2009 – A atual pandemia da gripe A/H1N1, que se propaga rapidamente por várias regiões do planeta, apresenta desafios científicos, médicos e especialmente financeiros para que as populações do mundo em desenvolvimento possam ter acesso ao tratamento de maneira igualitária. Assim ficou manifesto na reunião de alto nível “Lições Aprendidas da Gripe A/H1N1”, que terminou sexta-feira (03/07) na cidade mexicana de Cancun e que reuniu ministros da Saúde e delegados de 43 países e das organizações Mundial da Saúde e Pan-americana de Saúde.

“Dois desafios importantes são como resolver a iniquidade do acesso ao tratamento quando a doença se espalha pelo mundo e a vigilância do que ocorre para saber como o vírus se modifica”, disse à IPS Samuel Ponce, um dos especialistas em vírus mais destacados neste país e diretor do estatal Laboratórios de Biológicos e Reativos do México (Birmex). A gripe humana tipo A/H1N1, equivocadamente chamada febre suína e surgida em abril passado no México, já causou 382 mortes e mais de 89.921 casos de contágio em 121 países, segundo os últimos dados da OMS.

Os Estados Unidos lideram essa lista, com 33.902 casos e 170 mortes, enquanto o México registrou 10.984 infecções e 119 mortes. Mas na semana passada a doença, que a OMS declarou pandemia no dia 11 de junho. Se expandiu com força na América do Sul, potencializada pelo inverno austral. El Salvador registrou na última sexta-feira sua primeira vítima morta, um menino de 9 anos.

Durante os dois dias de trabalhos em Cancun, os presentes à conferência debateram temas como o estado da pandemia, a vigilância epidemiológica em pessoas e animais, a capacidade hospitalar para enfrentar a enfermidade, acesso a uma possível vacina e regulamentações sanitárias internacionais.

“O isolamento é importante, as medidas de higiene, a educação, saber como e quando ir ao médico e como os serviços de saúdem precisam se reorganizar diante de um aumento da demanda”, disse Ponce, que assistiu a cúpula internacional. O acesso a uma eventual vacina, que deve estar pronta no último trimestre deste ano, concentrou os debates da conferência. A OMS conseguiu o compromisso de empresas farmacêuticas de obter 250 milhões de doses da vacina para os países em desenvolvimento, mas, como reconheceu sai diretora, Margaret Chan, serão insuficientes. O ministro mexicano da Saúde, Angel Córdova, pediu “solidariedade para que o dinheiro não seja o fator e levar os produtores a tomarem decisões sobre a distribuição da vacina”.

Outro tema que preocupa, especialmente as nações em desenvolvimento, é como financiar o combate à pandemia, quando a economia global está afetada por uma crise generalizada. O governo mexicano gastou US$ 850 milhões em remédios e material médico para a luta contra o que então ainda era uma epidemia, segundo dados oficiais. Além disso, Córdova estimou em US$ 4 bilhões o impacto econômico da enfermidade.

Há algumas semanas o México entregou à OMS os dados clínicos e científicos e cepas do vírus A/N1H1 para a busca de uma vacina, que foram repassados aos laboratórios para seu desenvolvimento. Por isso, o México reclama uma compensação financeira. Dessa conta, um comitê da OPS avalia essa quantificação para sugerir o valor que esta nação receberia. A comunidade internacional continuará a análise da doença nos próximos meses. Em agosto próximo a China organizará o Fórum Científico sobre a Pandemia da Gripe A/H1N1. IPS/Envolverde

Emilio Godoy

Emilio Godoy es corresponsal de IPS en México, desde donde escribe sobre ambiente, derechos humanos y desarrollo sustentable. En el oficio desde 1996 y radicado en Ciudad de México, ha escrito para medios mexicanos, de América Central y de España.

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