COPENHAGUE, 22/12/2009 – (Tierramérica).- Mais além do resultado da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), organizações sociais latino-americanas discutiram suas estratégias com vistas à próxima cúpula climática, que acontecerá em 2010 no México.
O Jubileu Sul é uma rede de movimentos sociais e organizações populares da América Latina e do Caribe, África e Ásia, nascida há dez anos para lutar “contra a dominação da dívida financeira” nos países em desenvolvimento.
Keene falou em uma das sessões do Klimaforum, o encontro da sociedade civil paralelo à COP-15, na qual se discutiu o caminho a seguir para a COP-16, em dezembro de 2010 na capital mexicana. “Sinceramente, não esperava nada (da COP-15). Fomos bem claros em dizer que é melhor nenhum acordo do que um que somente reforce as falsas soluções contra as quais já vínhamos lutando”, disse ao TerraViva em outra sessão do Klimaforum a brasileira Camila Moreno, integrante da rede Amigos da Terra Internacional.
Muitos ativistas coincidem ao dizer que no último ano o movimento internacional pela justiça climática se fortaleceu. Um de seus principais êxitos foi a primeira audiência do Tribunal Internacional de Justiça Climática, realizada em outubro em Cochabamba, na Bolívia, do qual participaram organizações não governamentais de todo o mundo. “O convite é caminhar rumo ao México 2010. Desta vez a COP estará em nossa casa (América Latina) e devemos começar a mobilização”, disse Lyda Fernanda Forero, do secretariado da Aliança Social Continental, que reúne mais de 60 redes da América, incluindo Canadá e Estados Unidos.
Para Nicola Bullard, da Climate Justice Now (CJN), uma rede de organizações e movimentos mundiais, chegou a hora de vincular com mais força as lutas da sociedade civil, contra a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outras instituições multilaterais, e a mudança climática. “A destruição do meio ambiente está unida à desigualdade social”, afirmou na mesma sessão da qual participou Keene.
É preciso transformar a mudança climática em um problema político, que questione o modelo de desenvolvimento capitalista, e não deixar que os governos e as corporações multinacionais preparem o caminho para um “capitalismo verde”, baixo em emissões de gases-estufa, mas com a mesma arquitetura financeira, afirmam os ativistas.
Amparo Miciano, da Marcha Mundial das Mulheres, destacou o fato de que, durante as duas semanas da COP-15 e do Klimaforum, pessoas do Norte industrializado e do Sul tenham se unido para enfrentar a crise climática. “Vi a sociedade civil bastante mobilizada. Venho de Porto Alegre, onde nasceu o Fórum Social Mundial (FSM), e o que ocorreu aqui me lembra muito o primeiro FSM realizado lá. É como um grande evento de educação pública”, disse Moreno. “Há um antes e um depois de Copenhague”, afirmou. Segundo Bullard, da CJN, a opinião pública mundial está majoritariamente a favor da concepção de “Justiça Climática”, e é preciso aproveitar esse apoio.
O brasileiro Diego Azzi, responsável pelo projeto de integração regional da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas, disse que os sindicalistas latino-americanos terão maior presença no México. “Trabalhamos para abrir as mentes dos sindicalistas da região sobre estes temas ambientais, por meio do que chamamos de autorreforma sindical, que tem a ver com a visão dos sindicalistas sobre o modelo de desenvolvimento, produtivo e de consumo”, afirmou ao TerraViva.
Nos próximos dias, as organizações reunidas em Copenhague definirão um calendário de ações para 2010, mas já estão claras algumas prioridades: trabalho de base, sensibilização pública e pressão sobre os governantes. Uma das propostas mais concretas até agora é multiplicar sessões, audiências e tribunais de justiça climática para apresentar no México os casos abordados nessas instâncias.
* A autora é correspondente da IPS.


