Luapula, Zâmbia, 06/01/2011 – Uma luz de esperança surgiu em meio à fome e à pobreza em Zâmbia, graças a uma pesquisa agrícola local.
Especialistas asseguram que os cultivos de laboratório, testados com êxito no terreno, têm potencial para mudar significativamente o panorama socioeconômico de Zâmbia. Martin Chiona é o líder da equipe do RTIP, com sede no estatal Instituto de Pesquisa Agrícola de Zâmbia (Zari), na cidade de Mansa, capital da província de Luapula. Com 20 anos de experiência no Zari, Martin é o único que continua trabalhando no RTIP dos 13 cientistas originais, que lançaram o programa no começo da década de 1990.
“É um grande êxito, não só para nós, como para todo o país. Os benefícios das novas variedades falam por si mesmos se for considerado que há muitas coisas que podem ser feitas com a mandioca e não com outros cultivos, como milho ou trigo”, afirmou Martin. E explicou que em certas comunidades rurais de Luapula, a mandioca é usada para fabricar cera de assoalho, produtos para o cabelo, alimento para peixes e outros animais, e lenha. Muitos agricultores pobres estão adotando as novas variedades com a esperança de sair da pobreza.
Rose Mwelwa e Elias Mwila, de Mansa, têm muitas coisas em comum. Cada um tem cinco filhos e subsistem cultivando mandioca. Depois de participarem dos testes do RTIP com as novas variedades, agora promovem o programa em suas comunidades. Ambos têm esperanças. “Sou uma viúva encarregada de uma grande família, e as novas variedades me permitirão alimentá-la, e poderei vender o excedente e conseguir algum dinheiro para outros usos, como saúde e educação”, disse Rose, de 41 anos.
Para o desempregado Elias, de 40 anos, os novos cultivos deram renovado ímpeto. “Usei antigas variedades de mandioca desde 1992 apenas para cobrir as necessidades alimentícias básicas de minha família. Agora as coisas estão mudando e pretendo vender o excedente”, disse. Os pesquisadores e as autoridades atrasam a colheita das variedades melhoradas para facilitar a fase de multiplicação e distribuição gratuita de sementes entre os interessados. Mas isso não detém o entusiasmo de Rose, Elias e outros dois mil integrantes da Associação de Agricultores do Distrito de Mansa (MDFA), um dos principais atores na implementação do RTIP.
O coordenador do MDFA, Joseph Chanda, disse que os camponeses estão eufóricos com a inovação. “Apoiamos plenamente este programa porque permitirá o acesso de mais agricultores às novas variedades. A mandioca é um alimento básico aqui em Luapula, e quase todas as famílias participam de seu cultivo”, disse Joseph, com 21 anos de trabalho em Mansa.
O Escritório Central de Estatísticas (CSO) calcula que 1,5 milhão de toneladas métricas de mandioca foram colhidas em 2010 em Luapula, superando as 1,3 milhão do ano passado. Este cultivo é uma efetiva arma não só para combater a fome e a pobreza, como também para impulsionar o crescimento socioeconômico em todos os níveis, afirmam cientistas.
Enquanto crescem os temores de que a colheita recorde de milho de Zâmbia no ano passado se perca pela carência do sistema de armazenagem, distribuição e comercialização, a história é diferente para a mandioca. Em colaboração com doadores, o governo acaba de produzir um documento intitulado “Mandioca, uma Estratégia para Zâmbia”, com pautas para desenvolver o setor a partir deste ano. Envolverde/IPS


