Religião: Cresce o temor ao extremismo islâmico

Washington, 18/07/2005 – A rejeição ao extremismo islâmico e à violência aumenta nos países muçulmanos, ao mesmo tempo em que cai a popularidade de Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda. Entretanto, Bin Laden continua gozando de certo apoio na Jordânia e no Paquistão, segundo pesquisa internacional feita pelo Projeto Pew de Atitudes Mundiais (PGAP, sigla em inglês). O estudo indica que uma crescente maioria de pessoas em nações predominantemente muçulmanas – em especial Marrocos, Líbano, Jordânia e Indonésia – acredita que a democracia pode funcionar bem em seus países e que – com exceção de Líbano e Turquia – é bom que haja uma grande influência do Islã na vida pública.

A pesquisa, feita antes dos ataques terroristas em Londres, nos quais mais de 50 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, indica ainda que a maioria dos habitantes da América do Norte e da Europa – menos Alemanha e Holanda – tem uma visão positiva dos muçulmanos. Entretanto, há uma crescente preocupação quanto ao extremismo islâmico, sobretudo na Alemanha, Espanha, França, Holanda, Índia e Rússia. O estudo divulgado na quinta-feira com o título "Extremismo islâmico: preocupação comum para a população muçulmana e ocidental" foi feito com 17 mil pessoas na Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Índia, Indonésia, Jordânia, Líbano, Marrocos, Polônia, Rússia e Turquia.

O PGAP tem sede em Washington e é co-presidido pela ex-secretária de Estado norte-americano Madeleine Albright e pelo ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas John Danforth. Este mesmo instituto divulgou em junho um estudo de atitudes em relação aos Estados Unidos. Segundo este trabalho, com exceção de Índia, Indonésia e Rússia, a imagem de Washington caiu em todo o mundo, especialmente depois da reeleição do presidente George W. Bush, em novembro.

A pesquisa divulgada na quinta-feira revelou que nos países de maioria muçulmana crescem os temores de que o extremismo islâmico derive em violência, na redução das liberdades pessoais, em divisões internas e no fracasso econômico. Entretanto, a maioria concorda que o Islã deve ter um papel mais influente em seus países. Nas nações de maioria cristã, por outro lado, em geral se associa o extremismo islâmico com os muçulmanos que vivem no Ocidente e não se integram à sociedade mas que, ao contrário, adquirem um sentido mais forte de sua identidade islâmica. Isto causou especial preocupação na Alemanha, França e Holanda.

O estudo também constatou diferenças de apreciação entre os muçulmanos sobre o significado de extremismo islâmico. Alguns o definiram como uma "atitude violenta de influências não-muçulmanas" enquanto outros consideram que deriva de uma aplicação rígida da "sharia", ou lei islâmica. A preocupação com o extremismo islâmico é maior no Marrocos, Paquistão e na Turquia. Também entre os cristãos do Líbano, mas não entre os mulçumanos do mesmo país. A maioria dos libaneses e jordanianos entrevistados disse que "as políticas e a influência dos Estados Unidos" são as principais causas do extremismo islâmico em seus países, enquanto marroquinos e paquistaneses atribuíram o fenômeno à "pobreza e à falta de empregos".

O último estudo do PGAP constatou que o apoio ao terrorismo e a outras formas de violência diminuiu no mundo islâmico desde 2002, quando foi realizada a primeira pesquisa. Por exemplo, a proporção de entrevistados para os quais "a violência contra civis está justificada em certos casos" caiu de 73% para 38% entre os libaneses muçulmanos, de 33% para 25% entre os paquistaneses e de 27% para 15% entre os indonésios. Entretanto, na Turquia este índice se manteve em 14% dos consultados e na Jordânia aumentou de 43% para 57%.

Em relação a Osama bin Laden, 60% dos jordanianos ouvidos disseram ter "alguma" ou "muita" confiança no máximo chefe da Al Qaeda como líder mundial, contra 55% da última pesquisa. No Paquistão, o apoio ao homem mais procurado por todos os serviços de inteligência norte-americanos passou de 45% para 51%. Entretanto, nos demais países predominantemente muçulmanos estudados, a imagem de Bin Laden caiu drasticamente. Na Indonésia, por exemplo, passou de 58% para 35%, e no Marrocos caiu de 49% para 26%.

A pesquisa também constatou que no Ocidente se tem uma opinião melhor sobre os muçulmanos do que habitantes de países islâmicos têm de cristãos e judeus. A porcentagem de ocidentais que disseram ter uma opinião "muito" ou "bastante" favorável dos muçulmanos variou entre 40%, na Alemanha, e 72%, na Grã-Bretanha. Cinqüenta e oito por cento dos jordanianos e indonésios entrevistados disseram ter uma visão favorável dos cristãos, visão esta compartilhada por um terço dos marroquinos e mais de um quinto dos turcos e paquistaneses. A exceção foram os libaneses, pois 91% deles disseram ter opinião positiva sobre os que professam a fé cristã.

Mais de 85% dos consultados em países ocidentais disseram ter uma opinião "muito" ou "bastante" favorável aos judeus. Somente 18% dos turcos ouvidos compartilham desta visão, a maior porcentagem entre os países de maioria muçulmana. Treze por cento dos indonésios, 8% dos marroquinos e 5% dos paquistaneses responderam ter boa opinião sobre os judeus, enquanto na Jordânia e no Líbano "a rejeição aos judeus é universal", concluiu a pesquisa. Diante da pergunta qual religião é mais violenta, 61% dos canadenses e 88% dos holandeses responderam ser o Islã. Nos países muçulmanos, a maioria respondeu que é o judaísmo. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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