Armas: Pentágono estuda reiniciar produção de minas terrestres

Nova York, 04/08/2005 – O governo dos Estados Unidos pode reiniciar logo a produção de minas terrestres, contrariando o restante da comunidade internacional e políticas anteriores deste país sobre o uso de armas, alertou a organização Human Rights Watch (HRW). O Departamento de Defesa norte-americano decidirá em dezembro próximo se implementa um plano para desenvolver um novo tipo de mina terrestre denominado "spider" (aranha), que poderia ser utilizado a partir de 2007. A HRW assegurou que o governo do presidente George W. Bush já destinou US$ 1,3 bilhão para construção dessas armas, e inclusive para o desenvolvimento de outro tipo de mina terrestre chamado Sistema Inteligente de Munições, que poderia ser colocado em prática a partir de 2008.

Um informe da HRW divulgado nesta quarta-feira indica que estes artefatos explosivos podem matar ou mutilar cerca de 500 pessoas por semana, em sua maioria civis. O grupo exortou a administração Bush no sentido de deter as pesquisas para o desenvolvimento de qualquer tipo de mina. "Com muitas poucas exceções, quase todos os países apóiam o objetivo de se chegar a uma proibição total das minas terrestres no futuro. Estas ações (dos EUA) claramente vão contra o consenso internacional contrário à posse e uso de minas", disse a organização. Os Estados Unidos não utilizam minas desde a primeira guerra do Golfo em 1991, na qual espalhou mais de cem mil desses artefatos no Iraque e Kuwait, segundo a HRW.

Um ano depois, o presidente George Bush (1989-1993), pai do atual mandatário, sancionou uma lei proibindo a exportação de todo tipo de minas. Em 1994, o governo de Bill Clinton (1993-2001) convocou para a "eventual eliminação" destas armas e, dois anos mais tarde, anunciou que buscaria um "acordo mundial o mais rápido possível para por fim ao uso de toda mina terrestre". Os Estados Unidos produziram essas minas até 1997 e traçou como objetivo somar-se à Convenção de Ottawa, que proíbe a utilização, produção, exportação e armazenamento destas armas, que foi assinada por 145 países desde 1997. Entretanto, o governo Bush mudou de política em fevereiro de 2004, quando publicamente anunciou que abandonava sua pretensão de assinar o tratado.

"Os Estados Unidos não vão aderir à Convenção de Ottawa porque seus termos supõem que renunciemos à nossa capacidade militar", anuncio no ano passado a Junta de Assuntos Políticos e Militares do Departamento de Estado. Além disso, assinalou que "as minas terrestres ainda têm um papel válido e essencial na proteção das forças dos Estados Unidos em operações militares" e que "não há nenhuma outra arma que apresente as mesmas vantagens destas". Agora "começamos ver o fruto amargo da nova política da administração Bush sobre minas terrestres", afirmou o diretor da divisão de armas da HRW, Steve Gose. "Os Estados Unidos parecem estar a caminho de reativar sua produção de minas. O reinício das exportações e do uso destas armas desumanas não estaria muito longe", acrescentou.

Entretanto, há suspeitas de que o Pentágono já estaria usando minas terrestres. Washington ainda não confirmou nem desmentiu as versões de que em maio teria instalado no Iraque um sistema de minas terrestres denominado "Matrix", que pode ser ativado à distância por meio de um sinal de rádio. "Se seguirem adiante com isto, será um grande passo atrás dos Estados Unidos. Se o fizerem, será uma má notícia para todo o mundo e estou certo de que haverá protestos", disse à IPS Mary Wareham, também da divisão da armas da Human Rights Watch. As 145 partes da Convenção de Ottawa estão proibidas de "ajudar" outros países em atividades que contrariem o tratado. Portanto, os aliados dos Estados Unidos estarão violando o acordo se participarem de operações militares conjuntas nas quais forem utilizadas minas terrestres. (IPS/Envolverde)

Isaac Baker

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