SÍRIA: Sitiada, Homs sofre ataque de tanques

Doha, Catar, 09/02/2012 – As forças de segurança da Síria entraram em áreas residenciais da cidade de Homs, no ocidente, um dia depois de o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, afirmar que o presidente Bashar al-Assad estava "totalmente comprometido" com pôr fim ao derramamento de sangue. Segundo rebeldes, ontem o exército lançou foguetes e morteiros para dominar os distritos ocupados pela oposição, enquanto os tanques entravam no bairro de Inshaat e se aproximavam do bairro Bab Amr.

Um integrante da oposição disse à rede de televisão Al Jazeera, do Catar, de Bab Amr que a região está sob fogo há dias. "O exército dispara contra nós foguetes e morteiros a partir de tanques russos, que tentam entrar aqui no bairro", afirmou. O opositor Hadi al-Abdallah informou que pelo menos 43 pessoas foram assassinadas na noite do dia 7 em Homs, enquanto outros rebeldes registraram uma quantidade maior de mortos. "Algumas áreas estão totalmente sitiadas. Não há internet e nem telefonia celular", disse Abdallah. A oposição não respondeu porque as forças de segurança disparam a partir de posições que ficam a vários quilômetros de distância, esclareceu.

Outro rebelde, Mohammad Hassan, contou que o bombardeio se intensificou nas primeiras horas da manhã em Bab Amr, Al Bayada, Khalidiyeh e Wadi al Arab, distritos onde se destacam os levantes contra Assad. "Os disparos de morteiros e foguetes diminuíram, mas ainda soam as metralhadoras e a artilharia antiaérea. Há tanques nas principais vias da cidade e parecem avançar sobre áreas residenciais", acrescentou.

Terrorismo

Meios de comunicação oficiais afirmam que foram "organizações terroristas armadas" que atacaram postos de controle da polícia em Homs, onde foram lançados vários morteiros, três deles caindo na refinaria de petróleo. A alta comissária para os direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, fez um apelo internacional pela proteção da população civil da Síria.

"Estou horrorizada pelo ataque deliberado do governo contra Homs e pelo uso de artilharia e outro tipo de armamento no que parece ser um ataque indiscriminado contra zonas civis", diz a declaração de Pillay. "A falta de acordo no Conselho de Segurança para tomar medidas coletivas parece ter incentivado a disposição do governo sírio de massacrar seu próprio povo na tentativa de sufocar a dissidência", acrescenta.

Lavrov regressou a Moscou após se reunir com Assad em Damasco, tendo afirmado que os próprios sírios devem decidir o destino de seu líder. "O resultado do diálogo nacional deve obedecer a um acordo entre os sírios e ser aceito por todos", afirmou ao chegar à capital russa. O chanceler responsabilizou Damasco e as forças da oposição por instigarem a violência que, segundo rebeldes, deixou mais de sete mil mortos desde o começo dos enfrentamentos, em março de 2011. "Nos dois lados há pessoas que promovem um confronto armado e não o diálogo", alertou.

Assad disse a Lavrov que a Síria estava decidida a manter um diálogo nacional com a oposição e com figuras independentes, e que o governo estava "disposto a cooperar com os esforços para promover a estabilidade do país", segundo a agência de notícias síria Sana (http://www.sana.sy/index_spa.html). "O presidente delegou a responsabilidade de manter um diálogo nacional ao vice-presidente, Farouk al Sharaa", segundo Lavrov.

Os reiterados esforços da Liga Árabe e da Rússia para atuar como intermediários no conflito foram rechaçados pela oposição síria, que se nega a toda negociação enquanto os ataques continuarem. A Rússia, que tem uma incidência única por ser o maior fornecedor de armas da Síria e por seus laços históricos com Damasco, além de ter uma base naval na costa desse país, no dia 5 vetou, junto com a China, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Walid al Bunni, um dos líderes do opositor Conselho Nacional Sírio, afirmou que Lavrov não propôs nenhuma iniciativa e que as "chamadas reformas" sugeridas por Assad não são suficientes. "Os crimes cometidos pelas forças de segurança não permitem que Assad continue governando a Síria", declarou à agência de notícias Reuters.

Os países do Golfo retiraram, no dia 7, os seus embaixadores de Damasco, como fizeram Estados Unidos e vários países europeus. Ao anunciar a retirada "imediata", o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) afirmou que "a crescente onda de mortes e violência na Síria não tem piedade de mulheres, crianças nem idosos". Além disso, pediu aos embaixadores sírios que abandonem o território dos países-membros do bloco imediatamente. Envolverde/IPS

*Artigo publicado sob acordo com a Al Jazeera.

Correspondentes da IPS

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *