Tibete: Histórias do inferno chegam à Justiça espanhola

Dharamsala, Índia, 14/07/2005 – Para Adhe Tapontsang, os 27 anos que passou em uma prisão da China por ajudar a resistência do Tibete na década de 50 podem ser resumidos em uma palavra: inferno. "Tenho sorte de estar viva", disse à IPS. "No centro de detenção de Gothang Gyalgo havia 300 prisioneiras tibetanas. Somente quatro sobreviveram", acrescentou. Adhe Tapontsang, ou Amah Adhe (mãe Adhe), como é conhecida afetuosamente em Dharamsala, falou sobre a fome que ela e as demais prisioneiras passavam na prisão. "Muitas de nós decidimos cortar nossos sapatos de couro para comê-los, tamanha era a fome que sentíamos. Os guardas nos davam umas lavagens de aspecto repugnante, mas isso não era suficiente. Sempre acreditei que chegaria o dia em que poderia deixar a prisão e reencontrar meus filhos, mas às vezes sentia que não havia muitas possibilidades, porque todas morriam à minha volta", recordou.
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Direitos Humanos: Um tsunami de dor e descaso

Bangcoc, 06/04/2005 – Os governos dos países atingidos pelo tsunami do dia 26 de dezembro não deram atenção suficiente aos direitos humanos dos sobreviventes, advertiu a organização não-governamental Fórum-Ásia. "Os princípios internacionais sobre assistência humanitária não foram observados em áreas de desastre e, em muitos casos, foram desatendidos", disse Pichaya Fitts, assessora da Fórum-Ásia, instituição especializada em desenvolvimento e direitos humanos com sede em Bangcoc. Segundo a Organização das Nações Unidas, os Estados têm responsabilidade total sobre os cuidados com as vítimas de tragédias ocorridas dentro de suas fronteiras. O tsunami de dezembro ceifou 290 mil vidas em uma dezena de países.
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Ásia: O papa dos esquecidos e oprimidos

Nova Délhi/Bangcoc, 05/04/2005 – A Igreja Católica conta na Ásia do Pacífico com cerca de cem milhões de fiéis. Este rebanhou cresceu durante o papado de João Paulo II, que dedicou à região sete de suas 104 viagens pastorais e onde era considerado um defensor dos esquecidos. Sua figura era venerada não somente em países de maioria católica, como Filipinas e Timor Leste, mas também naqueles onde o catolicismo enfrenta a hostilidade das autoridades, como na comunista China, ou na Índia, nos anos de governo nacionalista e hinduísta. Em seus 26 anos de pontificado, João Paulo II visitou 16 países da região. O atual governo indiano decretou luto oficial de três dias, um detalhe que vai muitíssimo além do fato de a dirigente mais poderosa do oficialismo, Sonia Gandhi, ser uma católica nascida na Itália. Apenas 2% do um bilhão de indianos são cristãos.
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Nepal: Políticos e guerrilheiros unidos contra o rei

Bangcoc, 16/03/2005 – Os partidos políticos do Nepal acertaram com a guerrilha maoísta iniciar um processo de reforma constitucional que contemple o fim da monarquia, em uma inédita aliança para acabar com a ditadura do rei Gyanendra. Em uma reunia a portas fechadas em Bangcoc, representantes dos principais partidos nepaleses se coprometerama lutar sem trégua contra o rei, que em 1º de fevereiro liderou um golpe de Estado. "Esta será nossa batalha definitiva contra o rei. Não haverá mais concessões. Isso é o que decidimos: basta de concessões", disse à IPS Sujata Koirala, delegada do centrista Partido do Congresso Nepalês, que comandou o governo até o golpe do ri Gyanendra Bir Bikram Shah. "Continuaremos nas ruas. No começo (do regime autoritário), os nepaleses tinham medo de se manifestarem, mas, agora, não. Devemos lutar contra este sistema autocrático", destacou Koirala.
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Comunicação: Denunciar a fome é crime no Timor Leste

Bangcoc, 10/03/2005 – A liberdade de imprensa está sob fogo no país mais novo do mundo, Timor Leste, cujo governo persegue um jornal que denunciou mortes por causa da fome. O jornal, Suara Timor Lorosae (www.suaratimorlorosae.com), informou este mês sobre uma crise alimentar que afeta milhares de pessoas nos distritos de Los Palos, Suai, Ainaro e Manufahi, e afirmou que somente em uma aldeia de Ainaro morreram de fome pelo menos 50 pessoas. O governo respondeu proibindo a presença dos jornalistas do diário nas coletivas oficiais, retirando sua publicidade do jornal e ordenando o despejo de sua redação. Isso pouco meses depois de ter deportado um jornalista australiano o qual acusou de "subversivo".
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Nepal: A primeira tirania do segundo mandato de Bush

Bangcoc, 11/02/2005 – O presidente norte-americano, George W. Bush, enfrenta o primeiro deste de sua promessa de acabar com todas as tiranias do mundo, feita há cerca de duas semanas. O desafio não foi lançado no Oriente Médio, nas no reino hindu do Nepal. No dia 20 de janeiro, ao dar início ao seu segundo mandato, Bush declarou que "a melhor esperança para a paz no mundo é a expansão da liberdade. É política dos Estados Unidos buscar e apoiar o crescimento dos movimentos e das instituições democráticas em toda nação e cultura, com o fim último de acabar com a tirania em nosso mundo", advertiu. No dia 1167, apenas 11 dias depois, o rei Gyanendra do Nepal assumiu o controle do poder absoluto pela segunda vez em dois anos, ao dissolver o governo do centrista Partido do Congresso, declarar o estado de emergência e impor uma forte censura á imprensa.
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Direitos Humanos: Resistência de Suu Kyi novamente à prova na Birmânia

Bangkoc, 23/01/2005 – No Natal de 2001, o vocalista da banda de rock U2, Bono, escreveu a canção "Walk on"(Continue caminhando) dedicada à dirigente da oposição democrática birmanesa Aung San Suu Kyi. "Poderia ter voado, um pássaro que canta em uma gaiola aberta que somente voará, somente voará pela liberdade", diz a letra. Três anos depois, Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz, ainda é uma prisioneira na Birmânia e novamente passará o Natal em prisão domiciliar por ordem da junta militar. "Suu Kyi, com um ideal extremamente grande para qualquer prisão e um espírito extremamente forte para qualquer exército, muda nossa forma de pensar, como só podem fazer os verdadeiros heróis, disse Bono certa vez. "Ela precisa de apoio internacional firme e sem compromissos, tão inflexível e decidido como ela própria", acrescentou.
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O segredo do modelo nórdico: Alerta sobre "lavagem verde"

BANGCOC, 20/01/2005 – Os céticos pensam que a associação entre ambientalistas e multinacionais serve apenas para maquiar a deteriorada imagem de algumas companhias. No entanto, existem ativistas convencidos de que aliar-se a grandes empresas é importante para salvar o planeta. Estas duas opiniões chocaram-se em uma acalorada sessão sobre negócios e biodiversidade durante o Terceiro Congresso Mundial da Natureza, realizado de 17 a 25 de novembro, em Bangcoc, pela União Mundial para a Natureza (UICN, sigla em inglês).
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