Cidadania: Sociedade civil busca respostas ao terrorismo em Madri

Londres, 24/02/2005 – Grupos da sociedade civil marcarão o primeiro aniversário dos atentados de Madri, no próximo dia 11 de março, com uma iniciativa para promover um novo enfoque da democracia e contra o terrorismo. Os grupos foram convocados pela revista de política e cultura opendemocracy.net, com sede em Londres, e pelo independente Clube de Madri a realizarem reuniões em todo o mundo para elaborar contribuições para a Agenda de Madri, que será aprovada pela Cúpula Internacional sobre Democracia, Terrorismo e Segurança.

A Cúpula, organizada pelo Clube de Madri, acontecerá na capital da Espanha entre os dias 8 e 11 de março, e dela participarão mais de 50 atuais e antigos chefes de Estado e de governo, tomadores de decisão e planejadores políticos, especialistas em terrorismo e segurança e cidadãos de todo o mundo. O propósito é "elaborar uma agenda comum que sirva à comunidade de nações democráticas para dar uma resposta eficaz ao terrorismo e em memória das vítimas desta forma de violência em todo o mundo", diz a página da Cúpula na Internet.

A Agenda de Madri será lançada coincidindo com o aniversário dos atentados do dia 11 de março de 2004, quando 10 bombas explodiram quase simultaneamente em quatro trens de subúrbio da capital da Espanha, matando 191 pessoas e ferindo quase duas mil. Extremistas islâmicos assumiram os atentados. Até agora, a maioria das reuniões da sociedade civil convocadas pelo Clube de Madri e pela opendemocracy.net foram planejadas na região do Atlântico Norte, mas as 450 pessoas que participaram delas procedem de países tão diversos como Bangladesh, Iraque e Indonésia.

"Os princípios de Madri terão como base suas contribuições", disse à IPS o diretor da opendemocracy.net, Anthony Barnett. A agenda, prosseguiu, analisará a democracia tomando por base a pobreza, diferenças religiosas e outros assunto não relacionados com as eleições. "E chamativo o fato de não ter havido uma resposta assim depois do 11 de setembro" de 2001 nos Estados Unidos, disse Barnett. "Um leitor dos Estados Unidos comentou que depois dos atentados (em Nova York e Washington) no 11 de setembro, nos atemorizamos e fomos à guerra, enquanto vocês (os espanhóis) foram às ruas, não tiveram medo e declararam a paz", contou.

A democracia é muito mais do que eleições, disse Barnett, acrescentando que sua organização não busca "abrir fogo contra Bush, mas tenta um consenso sobre a democracia e contra o terrorismo". As reuniões prévias à Agenda de Madri abrem novas formas de democracia que implicam "abertura, deliberação e participação", acrescentou. A cúpula de Madri recebeu importantes apoios. O Clube de Madri, uma associação surgida da Conferência sobre Transição e Consolidação Democráticas que aconteceu na capital espanhola em outubro de 2001, reúne 55 ex-chefes de governo, entre eles o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, e a ex-presidente irlandesa Mary Robinson. O presidente do Clube é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e seu secretário-geral é Kim Campbell, ex-primeiro-ministro do Canadá.

Prevê-se que no dia 11 de março se reunirão inúmeras pessoas nas ruas que levam a Atocha, em Madri, para lembrar os mortos de um ano atrás perto dessa e de outras estações ferroviárias e pedir o fim do terrorismo. O rei Juan Carlos II assistirá uma cerimônia pública organizada pela prefeitura de Madri, da qual também participarão líderes espanhóis e de outros países. O Clube de Madri e a opendemocracy.net solicitam às pessoas de todo o mundo que façam suas próprias reuniões nesse dia. "Sejam cinco pessoas ao redor de uma mesa, no refeitório de seu local de trabalho ou no café do bairro, acreditamos que os cidadãos do mundo podem marcar uma diferença discutindo este tema vital", afirmaram as duas organizações. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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