Ambiente: Maioria de recursos e serviços naturais em perigo

Londres, 31/03/2005 – Mais de 60% dos recursos e serviços proporcionados pelos ecossistemas do planeta estão degradados, e as conseqüências desta destruição podem agravar significativamente nos próximos 50 anos, adverte um estudo internacional publicado nesta quarta-feira. A água doce, as pescas e a regulamentação do ar e da água, dos climas regionais, das catástrofes naturais e das pestes são os recursos e serviços naturais mais ameaçados, afirma o documento Avaliação de Ecossistemas do Milênio, preparado por 1.300 cientistas de 95 países. A degradação de 15 dos 24 ecossistemas estudados aumenta a probabilidade de mudanças abruptas que podem afetar gravemente o bem-estar humano, como o surgimento de novas enfermidades, deteriorações repentinas na qualidade da água, o colapso de bancos de pesca e mudanças em climas regionais, adverte o relatório.

"Por ser um trabalho de 1.300 cientistas, tem credibilidade e despertará grande interesse", comentou Roger Higman, coordenador ambiental da organização ecologista Amigos da Terra, em entrevista à IPS. Entretanto, o documento não aprofunda em possíveis soluções, observou. "Tampouco indica quais são os responsáveis. Não diz que os países ricos tomaram mais do que lhes cabia dos recursos naturais do planeta", acrescentou. A Avaliação de Ecossistemas do Milênio é o primeiro de sete informes resumidos e quatro volumes técnicos que irão avaliar o estado dos ecossistemas mundiais e seu impacto no bem-estar humano, numa iniciativa de agências da Organização das Nações Unidas, organizações científicas internacionais e agências de desenvolvimento, em consulta com grupos do setor privado e da sociedade civil.

Algumas conclusões-chave do estudo são que os bancos de pesca e as reservas de água doce estão muito abaixo de um nível que possa resistir à demanda atual e muito menos a fatura. Além disso, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou quase um terço desde 1750, e 60% desse aumento ocorreu a partir de 1950, enquanto nos países estudados um quarto dos arrecifes de coral e 35% dos manguezais foram destruídos ou muito degradados nas últimas décadas do século XX, diz o relatório. Os cientistas também concluíram que a degradação dos ecossistemas afeta mais os pobres, sendo, em alguns casos, a principal causa de pobreza, e, ainda, que os países ricos não podem se isolar dessa degradação.

Segundo o documento, algumas mudanças de políticas poderiam reduzir o prejuízo causado pela pressão sobre os ecossistemas, embora se trate de grandes transformações que, no momento, não são apreciadas: melhora da governabilidade, incentivos fiscais, mudanças no modelo de consumo, novas tecnologias e mais pesquisa para melhor administrar os ecossistemas. "Nenhum progresso na corrida para erradicar a pobreza e a fome, melhorar a saúde e a proteção ambiental será sustentável se a maioria dos serviços dos ecossistemas continuarem sofrendo degradação", adverte o relatório, acrescentado que se a situação atual não for corrigida, o mundo não conseguirá atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio estabelecidas pela ONU em 2000.

Higman lamentou que o documento não aborde a relação entre a destruição de recursos naturais e a liberalização do comércio. Esta liberalização submete muitos países, em particular as pequenas nações pobres, a uma enorme pressão para que abram seus mercados, afirmou. "Estes países não podem resistir à pressão das grandes empresas multinacionais, o que permite a elas saquear os recursos dessas nações", concluiu Higman. (IPS/Envolverde)

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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