Bangcoc, 20/04/2005 – Organizações internacionais de defesa da infância estão pressionando as companhias tecnológicas para que façam da Internet um lugar mais seguro para meninos e meninas. "É um chamado urgente, porque as imagens de abuso acompanham as crianças pelo resto de suas vidas", disse Carmen Melania Madrinan, diretora-executiva da ECPAT International, uma das principais organizações de luta contra a exploração sexual e comercial infantil. Madrinan considera que essas imagens são "infimamente replicáveis" e "vivem para sempre", por isso causam grandes danos às crianças vítimas de abusos. "Se acabam envolvidas em fotos e vídeos, as vítimas têm dificuldades para superar o trauma. Das milhões de imagens de abuso infantil que a Interpol diz circular on line, até agora só se localizou 297 das vítimas", disse esta semana em uma entrevista em Bangcoc.
A ECPAT lançou a campanha "Make It Safe" (jogo de palavras em inglês que, neste caso, significa "Tornar seguras as tecnologias da Informação") junto com a organização Children´s Charities Coalition for Internet Safety, de Londres, e outras de 67 países. O site da campanha conta com uma petição que pode ser assinada pelos internautas, na qual se solicita às empresas de serviços de Internet e telecomunicações a aplicação de critérios básicos para proteger a infância da pornografia e do abuso. Até agora, organizações assinaram a petição. Os responsáveis de empresas de informática – provedores, companhias telefônicas, de programação e fabricantes – devem assegurar que seus "bens e serviços são seguros para crianças e jovens de todo o mundo", afirmou Madrinan.
Os jovens constituem o principal grupo de usuários da Internet. Mais de 13 milhões navegam regularmente pela rede, um terço a mais do que o ano passado. Mais de metade dos usuários na Tailândia, no ano passado, tinham entre 15 e 24 anos, e mais de 10% entre seis e 14 anos. No Japão, uma em cada quatro crianças possui telefone celular, enquanto 80% dos usuários na África são jovens, neste continente onde as linhas móveis superam as fixas. "Não há dúvida de que estas tecnologias on line e interativas trazem grandes benefícios, incentivam a difusão da informação, educação, criação e do entretenimento", acrescentou Madrinan.
Porém, a ativista advertiu sobre os perigos que envolve o uso ilegal e com freqüência danoso dos intercâmbios de arquivos que as novas tecnologias permitem. A Ásia conta com o maior contingente de usuários da Internet, 300 milhões. Mas, entre os adultos há uma grande incompreensão sobre o funcionamento das tecnologias da informação e comunicação. A ECPAT detectou há dois anos na Tailândia que os pais não estavam a par das atividades on line de seus filhos. Meninos e meninas que tiveram experiências de caráter sexual via Internet tampouco falaram sobre isso com eles ou com os professores. "Os jovens e as crianças freqüentemente buscam na Internet afeto e apoio de desconhecidos. Acabam atraídos a salas de bate-papo e, depois, são explorados", disse o representante da ECPA, Sangeer Shirodkar.
"As indústrias das telecomunicações devem fazer mais para que as salas de bate-papo sejam seguras, bem como para bloquear fotos, vídeos e mensagens ilegais", acrescentou Shirodkar, ao apresentar a campanha em Bangcoc, nesta segunda-feira. "A indústria deveria se responsabilizar pela educação dos jovens sobre os perigos dessas salas e da circulação de detalhes pessoais e fotografias através de telefones celulares", ressaltou. No lançamento da campanha em Londres, o especialista britânico John Carr disse: "As crianças são usuárias constantes e em grande escala da Internet, embora diariamente estejam expostas a materiais on line prejudiciais. Continuamos lendo sobre exemplos trágicos de crianças que sofrem abusos por parte de depredadores sexuais nos quais a Internet foi um fator-chave para facilitar o contato inicial que levou ao abuso".
Entretanto, de acordo com Carr, a indústria das tecnologias da informação e das comunicações se faz de surda para o problema. "Ao considerar assuntos como a publicidade não desejada, os vírus e outras ameaças, as companhias de serviços on line mostraram uma grande vontade e capacidade para alcançar soluções comuns. Mas, isso não ocorreu em matéria de proteção infantil. Isso deveria mudar logo", afirmou. O XI Conresso sobre Prevenção do Delito e Justiça Penal, que acontece desde segunda-feira em Bangcoc, não inclui em sua pauta nenhuma discussão específica sobre os crimes cujas vítimas sejam meninas e meninos. (IPS/Envolverde)

